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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Passar a Palavra - Having children is overrated

Este é o quarto Passa a Palavra mas, ao contrário da Mil Sorrisos, da Joana e da Vanda, a Vânia não tem filhos. Conheço-a porque trabalhámos juntas e quando começámos ainda não tinha Madalena nem Teresa. Confesso que me surpreendeu o texto, e é a primeira vez que a própria Vânia sabe isto. Esperava algo cheio de sarcasmo sobre as mães que não vivem sem os rebentos e apareceu algo completamente diferente e bem mais interessante: aceitar uma vida sem filhos. É ler. E comentar, se puderem. Quero conhecer opiniões.

 

Having children is overrated

 

Tudo começou em setembro. Estava a traduzir um texto e deparei-me com esta frase. Não lhe consegui ficar indiferente e fiz questão de a publicar no blog. Tudo porque ser mãe era o meu sonho de infância. Com menos de 20 anos de diferença da minha, sempre achei que ela tinha feito a escolha certa ao dar à luz tão cedo e era minha intenção seguir-lhe os passos. “Com 25 anos será um pouco tarde”, pensava eu, do alto dos meus 12 anos, enquanto fazia contas para tentar conciliar maternidade com faculdade. O que viria depois ainda não me passava pela cabeça. Para o relacionamento entre pais e filhos ser perfeito é importante que a diferença de idades seja pequena. Para que se consigam entender e tocar em determinados pontos, defendia eu, baseada na experiência empírica de tudo o que me rodeava. A verdade é que a vida nos troca a voltas, mesmo quando somos tão determinados que, ainda pré-adolescentes, já temos planos para todo o nosso futuro. As relações não são tão simples como queríamos que fossem, as oportunidades profissionais não podem ser desperdiçadas e o tempo corre à velocidade da luz enquanto estamos distraídas com a realização pessoal. Realização essa que também passa por sermos mães. E é aqui que entra o busílis da questão. Se a vida não nos dá essa graça - seja por doença, falta de parceiro ou até de questões financeiras -, será justo condenarmo-nos porque, de certa forma, falhámos? Ou deveremos parar para valorizar o facto de nos termos mantido fiéis a nós próprios e aos nossos valores? Há caminhos que não se cruzam com o nosso, simplesmente. Saber aceitá-lo também é uma dádiva. Conseguir ser feliz com isso, um dever.

Passar a Palavra - Ser mãe de três nas Arábias

Ando a falhar nisto de passar a palavra a pessoas com cérebro e desta vez com dupla culpa. Há semanas que tenho o texto e esta (belíssima) foto para publicar. Despiste meu, que deixei a secar a Vanda, autora do blogue O Meu Umbigo e que eu decidi rebaptizar de Umbigo das Arábias dado que aqui se segue a par e passo a vida da família em países dos Emirados Árabes Unidos. Conheci-a através da minha prima Susana quando estava grávida da Madalena -- onde é que isso já vai, minha nossa senhora -- e ela, com menos de 30 anos, já era mãe de dois. Para além de precoce, do que gostei assim que a conheci foi da maneira como pensa. Creio que foi daquelas primeiras vezes que encontrei uma pessoa que dizia coisas sobre a maternidade que me pareciam inteligentes. Esta é mais uma (e com direito a foto junto ao Burj Khalifa). Melhor ilustração era impossível.

 

Foto do arquivo da mãe Vanda

 

Ser mãe de três nas Arábias

Este texto bem podia ser dividido em dois: os desafios de ser mãe de três, por um lado; o desafio de ser mãe nas arábias, por outro. Ter três filhos num país como este em que vivo – os Emirados Árabes Unidos, é uma coisa super comum. Ao contrário do que se passa em Portugal, ninguém repara em nós por sermos 5. Aqui a natalidade é uma coisa assombrosa. 5, 6, 8 filhos é um número normal. Mesmo a comunidade estrangeira aqui entusiasma-se mais e é ver-nos com 3, 4 e 5 filhos em muitos dos casos.

A gestão do tempo é completamente diferente. Eu não trabalho fora de casa, por isso consigo organizar o meu tempo e a minha disponibilidade para os três. Vivemos mais os tempos livres, porque os temos mais do que em Portugal.

Aqui o grande desafio é mesmo o ser mãe/pai num país como este. Um país que soma recordes do Guiness em coisas completamente supérfluas e megalómanas (haverá algum recorde do Guiness que faça muito sentido? Pois, também não me parece). Vivemos no país que tem o maior arranha-céus do mundo, com quase 1000 metros de altura, que alberga o maior parque de diversões indoor do mundo (o Ferrari World de Abu Dhabi), a montanha russa mais veloz do mundo, uma das maiores mesquitas do mundo, revestida toda a ela a um mármore branco dos mais brancos que já vi. É tanto o luxo, a excentricidade e a ostentação que é difícil não nos perdermos no meio de tanto brilho. E é aqui que entra a dificuldade. Conseguirmos concentrar-nos no essencial, e não nos deixarmos deslumbrar com esta opulência. É explicar às crianças que, só porque os amigos têm quartos e quartos forrados de brinquedos do chão ao tecto, 3 tipos de consolas de jogos diferentes por ano e 3 empregadas para tomar conta deles, não quer dizer que isso seja o melhor (apesar de às vezes parecer o melhor). Que apesar de toda a abundância que vemos, o mundo não é isto. E que ter coisas não deve ser o objectivo principal da nossa vida. Eu, como todas as mães, só quero que os meus filhos sejam felizes. Que sejam boas pessoas, trabalhadores e equilibrados. Que consigam encontrar o seu lugar neste mundo e que saibam lidar com as coisas boas e com as frustrações que lhes forem aparecendo pelo caminho.

Agora que reli tudo isto, parece-me que o nosso desafio enquanto família é bastante semelhante ao de quase todas as famílias: transmitir-lhes os valores que acreditamos serem os essenciais e, ao mesmo tempo, abrir-lhes os horizontes e dar-lhes as ferramentas para poderem voar um dia.

Passar a Palavra - Da Felicidade

Passo novamente a palavra. Desta vez, à Menina Rapaz.

Não havia tema. Pedi apenas um texto sobre crianças (ela tem duas) e veio exactamente o que queria. A Joana (é assim que ela se chama) não é uma mãe como as outras, nem sequer é uma pessoa como as outras. Fala português mas não fala lugares-comuns e, talvez por isso, não pensa nem age como a maioria das pessoas que conheço (o que faz ainda mais sentido quando lemos este post). O que se lê aqui não é retórica. É mesmo assim (e acho que os filhos dela são felizes). É ler com atenção:

 

 

Da Felicidade

Escrevo este texto e sei que um dia ele pode ser lido pelos meus filhos. Num dia distante, quando eles forem grandes. Por isso, não escrevo bem para vocês, mas mais para eles que podem, talvez, encontrar este texto.

Para mim é importante que saibam que fui uma mãe que os quis ver feliz. Não fui uma mãe preocupada com agasalhos ou com as horas das refeições. Deixei-os brincar à chuva e saltar em cima dos sofás. Nenhuma destas coisas é sinónimo de felicidade, mas quis mostrar-lhes que no mundo há espaço para as coisas se fazerem de forma diferente. E isso é a felicidade. Essa consciência da nossa liberdade, essa certeza de que a vida depende das nossas escolhas. Essa alegria a traço grosso que, por vezes, ultrapassa os pormenores.

Eu não sou aquela mãe que procura colégios exigentes ou que espera que os filhos sejam os melhores alunos. Ás vezes vou a reuniões na escola e a professora fala-me de tabuadas e níveis de concentração e eu ouço-a atentamente. Porque isso é importante. Mas não é tudo. No final tenho sempre que lhe perguntar: mas ele está feliz? E ela olha-me surpreendida, como se o bem-estar fosse inerente à infância. Quero que estudem, claro, mas acima de tudo quero que sejam felizes. Porque, como objectivo último na vida, a felicidade parece-me o melhor que um ser humano pode almejar. Mas a felicidade é, também, uma aprendizagem. E, como constato agora enquanto adulta, há pessoas que não aprenderam a felicidade quando eram crianças. Nem a generosidade. Ou a tolerância. Há pessoas que não sabem ser felizes.

Eu quero que os meus filhos se instruam na felicidade. No gostar da vida todos os dias, no apreciar aquilo que temos. E então sou essa mãe um pouco atípica. E os meus filhos são essas crianças também um pouco atípicas. Não são muito crescidos, nem muito precoces. São, espero eu, muito felizes.

 

A mãe fotografada pelos filhos

Passar a Palavra - O Estado do Estudo

Inspirada no exemplo de outros blogues, abro, a partir de hoje, a porta a convidados. Pessoas que pensam bem, que têm blogues ou que, simplesmente, escrevem bem e têm coisas a dizer (e deviam ter blogues!).

 

A primeira é a Sandra, autora do Mil Sorrisos, cantinho já várias vezes citado por aqui.

A escolha não é inocente.

Hoje arranca o ano lectivo, ela é professora e mãe de uma rapariga de quatro anos. Fala de educação e escolas, a meu pedido:

 

O estado do estudo

Considero que o ensino português é o reflexo actual de duas situações que o têm “minado” nos últimos anos – se por um lado existe uma política educativa economicista que tudo faz em nome da diminuição do orçamento gasto com a educação - sem olhar a meios e com prejuízo dos alunos e da sua qualidade de ensino -, por outro temos uma geração de Encarregados de Educação que cada vez mais desresponsabiliza os seus educandos e procura, na escola, a solução para muitas situações que são da sua inteira responsabilidade. Em muitos casos, a escola é tida como o local de cura de todas as maleitas familiares/sociais o que, obviamente, vai muito para além da sua atribuição primária – ensinar, educando (sempre!), mas ensinar...

Enquanto professora activa integrada neste sistema educativo, posso dizer que sinto o meu entusiasmo inicial um pouco “desgastado” - mais pelo sistema que pelos anos de serviço, entenda-se! No entanto, a minha dedicação e sentido de responsabilidade permanecem intactos e não sinto que tenham sido sequer beliscados. Cumpro como sempre cumpri, independentemente dos cenários impostos pela política educativa e das suas repercussões directas na minha actividade diária. E sabem que mais? Esse é o cenário generalizado que tenho encontrado pelas escolas por onde tenho trabalhado – e já lá vão 17 anos... É que o que está minado é o sistema, não são os professores...

Enquanto mãe, preocupa-me que a minha filha não seja uma criança educada, respeitadora e cumpridora do seu dever. Preocupa-me que venha a considerar o acto de aprender como uma obrigação penosa e castigadora. Preocupa-me que não desenvolva o sentido crítico e estético. Preocupa-me que não leia ou que não escreva com prazer. Preocupa-me que não seja sensível e atenta. Principalmente, preocupa-me que eu não esteja à altura de a educar da melhor maneira possível, incutindo-lhe desde o princípio - e não só quando começa a escola “de verdade”, como é uso dizer -, tudo o que referi anteriormente. Se o fizer, tudo correrá bem. Os alicerces estão lá, pouco haverá a temer... A responsabilidade de a educar é minha e de mais ninguém. Professores? Claro, são fundamentais na formação académica, mas não é suposto serem pais dos nossos filhos, nem sequer seus amigos... Se cada um cumprir o seu papel com rigor, tudo correrá bem... Palavra de professora!

 

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