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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Quatro dias sem sair de casa

Havia muitas coisas para dizer, mas não tem apetecido. Andamos mais ocupadas a viver. A Madalena ficou doente - infecção respiratória e otite (quando é, não faz por menos) - e há quatro dias que não saía de casa. Fartinha, fartinha! Faz birras parvas e obriga-me a dar-lhe palmadas no rabo, caso contrário só quer jantar no meio do chão, não muda a fralda e outras coisas igualmente imbecis pelas quais não devíamos ter de discutir. Coisas que se pensam quando não se tem bebés em casa. Igualmente, decidiu brincar com as fichas de electricidade e voltou a levar uma palmada. Mas não tem sido só isso. Pelo contrário. Foram duas (uma hoje, outra ontem, mais alguns ameaços), mas ficam mais presentes porque não apetece nada andar a dar sapatadas na miúda (oh culpa, malvada culpa!). Era mais giro que ela chegasse à secundária e dissesse "a minha mãe nunca me bateu".


 


Tem sido muito engraçado andarmos por casa juntas. "Mãe, Pocoyo", "Mamã, Ruca Gumes" (história do Ruca que não quer comer os legumes), "Mamã, Bob estutor" (Bob, o Construtor). Também andamos com "o meu Nenuco", o mercadinho, mais umas brincadeiras de menina e mais umas coisas que não têm nada a ver como subir o escadote cá de casa. A típica malandrice que deixaria o papá com os cabelos em pé.


 


Os cabelos, por falar nisso, estão enormes. De repente, cresceram muito e não passa sem os ganchinhos para prender a franja. Afinal sempre vamos poder fazer dois totós no 2.º aniversário.


 


Ri-se por tudo e por nada e tem uma nova mania. Aponta para as coisas e pergunta: "O que é isto?". Tal qual como lhe fazemos a ela.


 


Faz frases mais completas e com sentido, menos repetitivas:


- Vou buscar uma coisa.


- Que coisa, Madalena?


- Uma coisa bonita.


 


Deixei-a na escola porque precisava de mudar de ares e porque me disse que tinha saudades da Guida, da Cátia, da Isabel... Chegou tarde mas não perdeu tempo. Saiu de mão dada com o Diogo para ir buscar os babetes do almoço. Tão lindos os dois corredor fora...

E agora são as aftas

Resumo dos últimos dois dias:


Depois uma intensa terça-feira de trabalho que acabou às 23.00, com uma interrupção da avó (essa santa em vida), aflita com uma mega-birra da Mini que não queria pôr a fralda (estamos nessa fase!), encontro a baby acordada e a chorar. E quando digo chorar é mesmo chorar como ela própria, como uma Madalena. Razão? Desconhecida até então. Dentes era a nossa aposta nessa altura, a avaliar pela quantidade de baba que lhe saía da boca. Consegui finalmente deitá-la com a ajuda de um biberão de leite. Também podia ser fome, tendo em conta que quase não tinha jantado. A coisa parecia ter acalmado, o pai chegou, vimos o Gato Fedorento, andei por aqui, e então quando nos preparávamos para dormir, a Mini acorda outra vez num pranto. Nada a calava. Nem abraços, nem beijinhos, nem brincadeira.


- Queres leitinho? (Era improvável, mas vale sempre a pena perguntar).


- Não!"


Ora, quando a Madalena não quer comer algo se passa.


- Vamos para a cama dos pais?


- Nããão!


(Aqui está uma criança que, ao contrário de outros, considera dormir com os pais um tormento! E podemos garantir que o colchão é bem bom).


 


Sem resposta, decidimos levá-la às urgências. Não sei os outros pais, mas nós pensamos sempre que vamos para o hospital fazer figura de parvos, com o sono que a Madalena tinha era bem provável até que adormecesse até chegarmos à CUF Descobertas. Mas não. E aqui estava o indicador número dois de que algo de errado se estava a passar. Tínhamos razão.E desta vez era um cromo novo.


 


A Madalena está com uma estomatite viral (mais um bonito nome), uma porcaria que não tem de grave, mas esta é chata como o raio, dado que a criança está com a gargante inflamada e boca cheia de aftas, para além dos quatro dentes-vampiro que efectivamente começaram a romper. Daí a dificuldade para comer, daí a dificuldade em dormir.


 


Estamos há dois dias em casa, ela e eu. Não porque o caso seja de extrema gravidade, mas porque precisa de ser vigiada a toda a hora, garantindo que se mantém hidratada. Continua a querer comer, mas quase nada lhe agrada e pouco come.  Nem as uvas que são a sua perdição. Ficámos reduzidas a leite quase frio, gelado de nata e fatias de brioche. Sopa nem vê-la e peixe pouco. A médica avisou- nos que a situação ia piorar antes de melhorar mas, apesar das crises de choro, acho que temos a situação controlada. E, pronto, ísto é também o retrato do começo do novo ano lectivo. O infantário está cheio. De miúdos e de vírus.


 


(Para memória futura: benuron intercalado de brufe, bexident antes das refeições e Mycostatin depois, três vezes por dia)

Mais uma noite de insónia

Mas esta pelo menos sem contornos fantasmagóricos (como a de ontem).


A Mini está muito melhor da tosse (é incrível a quantidade de vezes que esta miúda está constipada).


Em compensação, continuo sem conseguir dominá-la à hora de dormir.


(Raquel, já pus os teus métodos Bazelton em prática e parecem-me os melhores, mas não há meio de estabelecer uma rotina).


 

Esta rapariga ainda nos mata do coração

Na sexta-feira foi dia de ginástica respiratória e depois de uns grito que parecia que a estávamos a levar para a câmara de gás em Auschwitz, a Madalena travou conhecimento com a fonte de água do consultório. Tornaram-se as melhores amigas! Bastou virar as costas por cinco segundos, para pagar, e quando voltei a olhar estava toda molhada. Aliás, não apenas molhada. Havia um charco à sua volta, os outros pacientes riam-se e a túnica que tinha vestida pingava. Um triste espectáculo! Mas, aparentemente, só para a mamã. A própria ria-se que nem uma perdida. Deixa lá teres 18 anos e verá que graça vês em sair para a rua com um casaco de fato de treino por cima de uma saínha tão formosa. E, vá lá, que havia um casaco suplente com que agasalhar a doutora!


 


Mas quando pensávamos que poderíamos finalmente desfrutar de um fim de tarde tranquilo, capitalizando o facto do pai estar doente - e em casa - a pequena Mini decidiu ter um tête-a-tête com a esquina de um móvel cá de casa. Chorou, claro, e agora com desculpa. Tem um galo gigantesco na testa. E nós retomámos o contacto com os nossos queridos amigos da Linha Saúde 24 (808 24 24 24), que eles já deviam ter saudades. O caso, porém, deve ter sido  o maior turn off da tarde. Galos? Quedas? E uma gripe A transmitida entre portugueses que não saíram de cá não se arranja? Parte séria, felizmente, parece não ser nada de cuidado. O galo está lá, mas a Mini não perdeu nenhuma das suas capacidades. Especialmente aquela de levar os pais à exuastão! Mas gosto sempre dos conselhos dos amigos antigo Dói Dói Trim Trim: "tente antecipar os perigos, evite as zonas perigosas e coisas que possam magoar". Isto é muito bonito de se dizer mas evidentemente se eu pudesse adivinhar o que vai correr mal nunca corria. E como é que se evitam perigos e coisas que possam magoar? Só se mandar a cachopinha para o deserto de Gobi. E mesmo assim...

Caderneta de doenças

Estou a pensar seriamente transcrever neste espaço as mensagens que troco com a pediatra da Madalena. Por exemplo, que fazer em caso de bronquiolite? 0.3 ml de ventilan diluído em 3 ml de soro fisiológico, três vezes por dia. Conjuntivite: Clorocil, de manhã e à noite. Otite: ir logo ao médico e fazer uma dose bárbara de Clamoxyl, um antibiótico de largo espectro (maneira chique de dizer que é um veneno que mata tudo, sem olhar a credos, raças, idade ou género). Laringite: largar a criança no frio (ai se algumas avós me ouvem) e tomar adrenalina. A linguagem médica é fascinante!

Obrigadinha

Laringite atrás de laringite, bronquiolite atrás de bronquiolite e uma otite depois, alguém me diz: "As crianças que foram ventiladas quando nasceram costumam ter problemas respiratórios nos primeiros dois anos". Era mesmo disto que estávamos a precisar lá em casa, mas, já agora, gostava de saber qual é a validade científica disto.

Segunda-feira

A pediatra das urgências disse à estagiária que a Mini tem bronco-traquio-laringite (deve ser tudo junto, mas depois os leigos não entendiam). Eu, que não sou médica, acho que a doença dela é outra: CRECHE.  Passámos mais uma bonita segunda-feira no hospital. É como se amanhã fosse o meu nono dia consecutivo de trabalho.  



Antes dela nascer, naqueles dias em que era capaz de passar uma folga inteira a ver episódios de CSI, passava-me pela cabeça que me ia arrepender daquele tempo sem fazer nenhum. Vejo agora que tinha razão. Foi tempo mal empregue. Mas ainda bem que o vivi que é para saber dar o valor a segundas destas. Em que tinha a agenda calculada ao milímetro e tive de mudar tudo.  




Sim, claro, Madalena, és adorável e não te trocava por nada deste mundo, mas consigo lembrar-me de programas mais interessantes do que estar das 11h00 às 15h00 no São Francisco Xavier (boas urgências pediátricas, a propósito!).




Triagem, consulta, aerossol para vias respiratórias altas (laringite),



20 minutos de espera a ver se fez efeito,



reavaliação, aerossol para bronquiolite,


20 minutos de espera a ver se faz efeito,


reavaliação e permissão para voltar para casa (na condição de voltar se ela piorar, o que, lei de murphy, acabou por acontecer.


 


Almoçou às 15h00, já perdida de fome, num restaurante, ao meu colo.


Impressionou os empregados. "Tão pequena e já come sopa sem ser passada". Ah, pois é, bebé! Não queremos cá chorões. E que bom que é trincar um espinafre na sopa!


 


O ponto alto do dia da Mini foi andar de balouço. Parece que se divertiu como uma maluca. Quase tanto como quando lhe digo "Blhac! Está sujo!". Por alguma misteriosa razão esta frase fá-la rir às gargalhadas. A tosse de cão não lhe levou o humor. Nem a energia. Passou o dia a esponjar-se no chão do hospital, impregnando as roupas de todo o tipo de germes. Penso nisso o tempo todo, mas não a contrario. Ao colo não vai parar de fazer birra e já basta o que basta quando lhe apontamos a máscara do aerossol.


 


Na sessão número 2 da visita às urgências, temos uma surpresa. O pai vem ter connosco. Quando chegamos a casa, percebemos que não temos como lhe dar 30 gotas de um dos remédios e procuramos as farmácias de serviço para arranjar uma seringa. Lucky us, a que fica mais perto de casa, está de serviço a noite toda. Isto deve querer dizer que a sorte está a mudar, não?


Só é pena não poder meter folga amanhã. Isso é que vinha mesmo, mesmo a alhar.


 

Secretárias

Eu era daquelas pessoas que não entendia a utilidade de uma secretária. Achava até que essas manifestações públicas de poder eram um pouco despropositadas. Era jovem, não pensava. Uma secretária é muito importante. E o tempo encarregou-se de me demonstrar isso. Primeiro quando conheci a Cristina B., hoje graças à Rita R. Há alguma santa padroeira das secretárias? Eu gostava de lá ir pagar uma promessa, pedir para rezarem uma missa, depositar umas flores. Também podiam criar um museu. Fazer-lhes uma estátua. Beatificá-las mesmo.


A Rita já me safou em muitas ocasiões. Como esta manhã. O meu gajo está a arder em febre e não se consegue mexer e quem é que arranjou um médico para vir cá a casa? Isso mesmo. A Rita. Agora, pergunta para o milhão de euros: Como é que isto se agradece?

E não há por aí um selo para "Os Pais Mais Totós"?

Sôdona Vanita deixou-nos um selo do bom humor em seu blog, imagem que passaremos a reproduzir quando a parte do lalalá terminar, e nós agradecemos, agradecemos e agradecemos mais uma beca. Nem de propósito passámos por aqui para dizer que estamos à beira, à beirinha, de ganhar o prémio de "Os Pais Mais Totós" de que há memória.


A nossa cria está com gastroenterite (outra vez, sim!) e, apesar de nós até já termos percebido mais ou menos o que se passava, não conseguimos dominar o pânico. Perante um sintoma novo - novíssimo -  fomos a correr para o hospital. E para quê? Para o senhor doutor não ligar nem um cadinho que fosse à nossa grande preocupação com sangue no sítio errado e ainda nos dizer no fim: "Muito bem, estão a fazer tudo muito bem". Já tinhamos uma vaga ideia, dado que foi a pediatra que nos mandou dar chá preto (chique, sei lá), comida de hospital e nada de leite e seus derivados.


 


Ui, e quando lhe dissemos que também estávamos a dar Oralsuero à Mini? Só faltou levantar-se, dar-nos uma beijoca em cada face e um diploma de medicina. "Muito bem, muito bem". O que, para ser honesta, é melhor do que ser catedrática em cocó, que era mais ou menos aquilo em que nos estávamos a tornar. Mandou-nos para casa, adeus e se-vos-vi não-me-lembro.


 


Resumindo e concluindo, quando as crianças estão assim sai-lhes tudo por todo o lado, não há hipótese. A "gastro" (chegou a hora de nos tratarmos todos com mais familiaridade) vai durar qualquer coisa como uma semaninha, mas já estou feita à ideia. Logo que a máquina da roupa não avarie, nada nos vencerá.


 


Mas a parte que realmente me daria direito a colar na lapela o selo de Mãe Totó é pensar que, apesar pânico injustificado, se voltasse atrás fazia o mesmo. E que quando tiver outro filho farei coisas deste género, que só provam que o ser humano é o único animal capaz de tropeçar duas vezes na mesma pedra.


 


Em todo o caso, aqui fica o selinho.


(Já sabem as regras, reproduzam no vosso cantinho e convidem 15 blogues amigos a entrar no jogo - eu recomendo todos aqueles que estão aqui ao lado. São os que me dão boa disposição. Nem mais nem menos).


 


 


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