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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Óscares: um vestido cor de laranja, discursos que dispenso e o Brad Pitt

O quase-kaftan laranja brilhante da atriz Maya Rudolph é o meu vestido preferido destes Óscares. Está dito e não mexe mais. Pode haver outros espetaculares - da Penélope Cruz à Janelle Monae - mas fica este com o título e não se fala mais nisso. 

maya-rudolph-oscars-2020-dress-red-carpet-1581293934.jpg

Quando fui à procura do autor (é Valentino), descobri que é capaz de ser o vestido mais controverso da noite. Vai dos que realmente amam aos que acham que Maya Rudolph se perdeu numa bola de espelhos. Já se sabe de que lado estou. 

Sobre gente mal vestida não me apetece dizer nada. Primeiro, porque acordei do lado bom da força. Segundo, porque vejo passadeiras vermelhas há tempo suficiente para saber que o design é apenas uma parte da equação. Há a maneira como a pessoa o usa, como se sente no momento (e com aquela roupa), o cabelo e a maquilhagem e, finalmente, e MAIS IMPORTANTE, a foto. Tudo se joga numa boa ou má foto. Já vi fotógrafos arruinarem carreiras. Eis um caso.

Por outro lado, esta imagem, que nada tem que ver com moda, fez-me sorrir pela legenda que a acompanhava.

Calia Kessler/The New York Times

Florence Pugh hides from her nemesis, Saoirse Ronan. Mulherzinhas é dos poucos filmes com nomeações que vi e o pensamento é inevitável: a quantidade de coisas giras destas que devo estar perder só porque não vi os filmes!  

Também li por aí que esta foi uma passadeira vermelha com mais consciência ecológica a avaliar pelo número de pessoas que escolheram modelos vintage. Até posso estar errada (era preciso abrir o excel e fazer contas), mas diria que isso vem de longe. A já mencionada Penélope Cruz que este ano se apresentou de vintage Chanel já foi vintage outra-coisa-qualquer no passado. E quando vemos o Armani Privé das milhares de lantejoulas de Renée Zellweger percebemos que para a neutralidade carbónica ainda faltam uns passos largos, por mais vestidos clássicos e antigos que ali desfilem.

Sobre modelitos a desfilar na passadeira vermelha também apetece dizer que foi bom ver as sandálias mais baixas (aqui um excel e uma contagem também davam jeito) e algum desplante entre as camadas jovens. Timothée Chalamet está a dividir a Internet por causa do blazer Prada com fecho em vez de botões (Timothée está demasiado informal ou são os polícias da moda que andam com tempo a mais?) e Billie Eilish.

Exhibit A:

timothee-chalamet-attends-the-92nd-annual-academy-awards-at-news-photo-1581296789.jpg

Exhbit B:

Amy Sussman/ Getty

Billie Eilish, que ninguém descobre que está a vestir Chanel, é, claramente, uma pessoa de outra geração. E não é pela referência 'noventona' da roupa, não é pelo cabelo pintado, é mesmo pelas unhas eduardo-mãos-de-tesoura. Mais uma barreira que se quebra: a rapariga cerebral pode usar, e usa, unhas de gel. Já nos tínhamos dado conta com Rosalía, já tinha visto em outras estrelas do hip hop espanhol, este é só mais um exemplo. Miúdas que estão a trazer estéticas completamente novas para o espetáculo. Adoro.

billieilish_ calia kessler_nytimes.jpg

Adoro esta maneira de derrubar muros, melhor que muitos discursos inflamados. E isto é mesmo para dizer que por muito correto que esteja Joaquin Phoenix quando diz que desigualdade de género, racismo e homofobia são uma mesma coisa, injustiça, o contexto grita o contrário do que ele diz. E o contexto é a cerimónia - o gasto de recursos para coser milhares de lantejoulas num vestido, as joias de pedras preciosas obtidas à custa de ecossistemas - mas também a indústria. As acusações de abusos sexuais e laborais, os Óscares que não tiveram mulheres nomeadas como melhores realizadoras, porque se calhar elas não puderam mostrar serviço para isso,  e só existir uma mulher negra nomeada, Cynthia Erivo, pois, possivelmente, os negros não estiveram nos filmes em que Hollywood mais apostou. 

Celebre-se por isso a vitória de Parasitas, um filme sul-coreano que fica para a história como o primeiro não-inglês a vencer na categoria de melhor filme. Quando falamos de lacunas de representação nos Óscares esta também já era muito evidente. Foi bom ver a academia a derrubar esses muros, também.

Fora isso, e sobre o espetáculo, adorei a abertura da Janelle Monae, os não-apresentadores Steve Martin e Chris Rock, Maya Rudolph e Kristen Wii, adorei o Eminem a fazer as pazes com ele mesmo e o Brad Pitt. "Isto para mim era câmara fixa no Brad e a cerimónia ia acontecendo com voz-off". Li no Twitter e assino por baixo.

Brad Pitt, melhor ator secundário

 

 

 

 

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