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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Madalena. A aventura do 1.º ano

A minha prima Elsa reclamou, depois de ter lido este post sobre a Quica e este outro sobre a Teté. "Não escreves sobre a Madalena?" Escrevo claro, mas a questão é que já escrevo há mais tempo sobre ela e as irmãs precisam de espaço. Além disso, com ela, os assuntos já não são "bebé-querida-baba-estou-louca-de-amor-e-adoro-ser-mãe". São isso também mas há muito mais.

Há uma pessoa a aprender oficialmente. Com metas e objetivos para cumprir. E é muito bonito a gente dizer que que eles vão ao seu ritmo mas não conheço ninguém que queira que o filho vá na última carruagem do comboio. A bem da verdade, os pais que dizem isso, eu incluída, somos bem privilegiados porque os nossos filhos vão em 1.ª classe ou lá perto. Que bom é falar de barriga cheia.

Mas, bom, a rapariga cumpre. Pode não ser a melhor aluna mas cumpre e, a meu ver e com base no que diz a professora, cumpre bem. Não há razão para preocupações. Não? Pelo contrário. Aqui começa a questão. Se temos uma filha esperta podemos permitir que ela faça as coisas para o "suficiente"?

Deve ser das frases que ela mais ouve cá em casa. Se tu tens capacidade para fazer bem como é que te posso deixar fazer assim-assim?

A verdade é esta: deixar andar está muito certo mas olhe-se por onde se olhar só com esforço se veem resultados. Se bastassem as nossas capacidades não faltariam as escolas de zonas J nos melhores lugares dos rankings. E não é isso que vemos.

O que vemos é que pais com mais e melhor escolaridade têm resultados melhores - há muita matéria que é dada pela vida, por assim dizer. Se a matemática fosse apenas fazer trocos os filhos dos feirantes eram os melhores alunos.

Claro que ter um bom resultado num ranking não é tudo. Não é mesmo. O importante é saberem a matéria mas preciso de usar um indicador qualquer e vou partir do princípio que numa escola com melhores notas haverá mais gente a saber mais e não vou fazer diferenças entre os resultados das dez primeiras, pois são pequenos. E vou também partir do princípio que a nota do exame está próxima dos resultados reais. Para o bem e para o mal.

O dilema é este: devo ser calma e envolver-me menos, deixando a vida fazer o seu caminho ou devo insistir no estudo e na necessidade de trabalhar?

Voltemos quase ao princípio: se fosse uma mãe supersegura de que a educação e cultura que forneço são excelentes, não me preocupava. Mas não. Eu acho que devo trabalhar mais com as crianças. Muito mais do que faço. Mas por falta de tempo, de vontade, de criatividade... Às vezes, o esforço é menor do que gostava.

Calma, não estou a defender explicações no primeiro ano ou coisa assim. Defendo equilíbrio, em primeiro lugar, e defendo com muita força que as crianças vejam satisfeitas uma das suas características de ser criança: conseguir fazer coisas. Superarem-se.

É quase outra conversa, mas tem tudo a ver. Precisamos que as crianças se esforcem simplesmente porque se há coisa que elas adoram é excederem-se. É uma fonte de felicidade. Se há coisa boa que tenho aprendido é que é um mito que os miúdos queiram passar um dia inteiro à frente da televisão sem fazer népia. Eles querem aprender a andar de bicicleta, querem passar mais um nível no jogo de computador, ler um livro inteiro, aprender a atar os ténis. Claro que não querem passar uma tarde de domingo a fazer os TPC mas querem sentir orgulho numa redação bem feita.

O valor que pode ter para uma criança saber que aprendeu é também o que me leva a dizer que não se pode simplesmente pôr a palavra lúdico em toda a pedagogia. Aprender, divertindo-se como foi tão falado nos anos 90 e 00, é nada. No pré-escolar, ok, brincar é que se quer. Se aprenderem umas quantas coisas, melhor. Para quê? Para eles saberem que são capazes. Saberem que são capazes dá muita confiança. E todas as pessoas precisam disso. Mas quando se começa a aprender a sério, o lúdico não pode ir à frente de tudo. As crianças precisam de se responsabilizadas e de conhecerem o seu papel na escola. Como é evidente, não estou a advogar o uso da chibata ou da intimidação. Até podem aprender com rimas e puzzles mas parece-me valioso haver consciência do trabalho. Saberem que uma lengalenga é uma ferramenta.

PS: Está a ser uma viagem de autocarro muito chata.

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