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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Expandir o olhar

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Bruce Chatwin, fotógrafo, em bolandas pelo Peru, intrigou-se com esta mulher. Que faria ela, escada de alumínio acima, escada de alumínio abaixo, com a sua própria máquina fotográfica? Registou o momento.

[Ela é Maria Reiche, arqueóloga alemã, na linha da frente da descoberta desses gigantescos desenhos -- geoglifos -- desenhados no deserto de Nazca, impossíveis de apreender na totalidade quando se anda pelo chão. Alguns têm quase 300 metros e parecem animais; a maioria, fiquei a saber, são meras linhas retas. Velhas de entre 200 a.C e 600 d.C., e, no entanto, conseguiram passar despercebidas. Só se começou a perceber que faziam sentido nos anos 30 do século passado quando os aviões quando começaram a sobrevoar a zona. Também foi nessa época que os arqueólogos começaram a estudar o local. 

nazca-1.jpg

Linhas de Nazca e não um desenho da Quica

 

Parecem tarefa quase impossível, mas, diz quem andou à volta deste assunto, os antigos usaram tecnologia simples, estacas e matemática para que tudo batesse certo. Quase como Maria Reiche, segundo percebi: empoleiravam-se  e iam fazendo sulcos ou retirando pedras escuras deixando à vista as claras, calcárias. O tempo e o clima fizeram o resto. Como não corre uma aragem, as linhas mantiveram-se impecáveis estes séculos todos. (Pois, não dá para experimentar esta brincadeira no Guincho).]

Então, esta é a história que leva à fotografia -- um viajante inglês, fotógrafo e escritor, encontra Maria Reiche no Peru e fotografa-a (só isto já dava um livro) -- e trago-a para aqui porque penso nela quase todos os dias desde que soube da sua existência em Veneza. É a capa do catálogo da Bienal de Arquitetura, escolhida como metáfora da expressão "expandir o olhar", como se escreve no prefácio desse livro e como me explicou a pessoa que me falou do significado desta imagem. Falou com tanto entusiasmo (há pessoas assim), que me contagiou.

Adotei esta fotografia porque significa que temos de tentar ver as coisas de outras perspetivas, como fez Maria Reiche para tentar ter uma visão mais completa das linhas de Nazca. E também acho que quer dizer que às vezes temos de fazer coisas que parecem absurdas aos olhos dos outros, como subir umas escadas em plena deserto.

Hoje, precisamente hoje, 20 de janeiro, dia em que o inominável toma posse, também me lembra que, apesar de todas as coisas horríveis que possam acontecer no mundo, muitas outras, excelentes, também estão a passar-se. É nessas que me concentro. E que me pretendo concentrar.

 

PS: Ontem, estando ainda a alinhar pensamentos sobre este assunto, uma cambalhota de uma das crianças publicou acidentalmente este post. Um epic fail indigno da foto, mas, pronto, também temos (tenho) de aprender a viver melhor com o erro (se não o quero cometer).

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