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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Enquanto a extrema direita cresce

Dá-me ideia que fora do mundo do jornalismo ninguém se preocupou grandemente com o artigo de ontem do "Observador" sobre a história de amor entre Mário Machado e a mulher, Susana. Um skinhead e uma menina de Cascais. Já entre jornalistas foi o fim do mundo em versão Prós e Contras.  Passámos o dia nisso, não dando a devida atenção ao videoclip "Hora de Matar", o novo single dos Mão Morta, uma canção que, traços gerais, canta que perante o que os políticos fazem aos cidadãos se torna legítimo matar. É legítima defesa, diz um dos versos.

Eu também acho que está na hora de matar. Está na hora de matar a voz do Adolfo Luxúria Caníbal de tão má que é. Infelizmente não vou ter sorte nenhuma, restando-me simplesmente não carregar no play.

Detesto este discurso politicamente correto, a fazer de conta que defende os interesses dos mais fracos quando, na verdade, é apenas incitar as pessoas a tirarem de si a irracionalidade. Como protesto, que pobreza.

No caso do texto do "Observador", coisa muito diferente se passa. Li por aí que branqueava o papel de Mário Machado como líder de movimentos racistas e xenófobos e os crimes que cometeu.

Devo dizer que gostei imenso do texto e que não me senti minimamente tentada a concordar com Mário Machado. Sempre achei que as suas ideias eram erradas e o seu comportamento racista altamente reprovável. Fiquei contente quando a justiça o prendeu pelos crimes que cometeu. Crimes que atentavam contra a paz com que me apetece vivier no mundo. Detesto violência. E quando acabei de ler o texto continuei a achar a mesma coisa sobre ele. A história de amor? Achei surpreendente e, por cinco nanosegundos, até me passou pela cabeça isto: "as mulheres fazem cada coisa para não ficarem sozinhas". Foi um flash, ok? A mulher tem o direito a gostar dele e achar que é educado e romântico. A bem dizer, e é aqui que vou: ele próprio, cumprida a sentença pela qual foi condenado, tem o direito a reiniciar uma vida e a ter opiniões. Por mais que me pareça inacreditável que alguém pense que seria melhor viver num mundo em que dois homens e duas mulheres não possam casar, não posso fazer nada. As pessoas pensam como pensam e desde que não prejudiquem os outros, temos de os aceitar. Desde que não prejudique os outros. Isto é muito importante dizer (reforçar).

As coisas que ele pensa repugnam-me de tal forma que a minha primeira reação é dizer "devia ser proibido poder manifestar-se, associar-se, qualquer coisa". Mas essa é, precisamente, a armadilha destas convicções: proibi-los é jogar com os mesmos trunfos que eles e o pensamento, por mais proibido que seja, é sempre livre.

 

Os Mários Machados desta vida com o "Mein Kampf" na mesa de cabeceira é que acham que é bom um mundo conforme às suas convicções racistas e machistas. Deixá-los, pois, pensar como queiram. E se querem formar partidos, força. Logo que respeitem a Constituição e os princípios de não discriminação. Se forem capazes, acho bem. Criem os partidos que quiserem. E se forem da paz, tudo bem. A questão, porém, é que não me parece que sejam capazes de respeitar isto tudo ao mesmo tempo. Esta era a minha opinião antes de saber que Mário Machado tinha uma história de amor para contar. O texto apenas a vincou mais.

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