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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

É altura de fechar a boca...

Conheci uma pessoa nova nos últimos dias. É uma pessoa inteligente e culta, apetecia-me falar com esta rapariga sobre livros e designers, arquitetos, pintores, sobre o PS e o Passos Coelho. Sobre os caminhos do jornalismo, da Síria, da Ucrânia. Do Benfica. Tudo. Qualquer coisa. Menos a conversa que tivémos. Sobre filhos. Não me levem a mal mas estou farta desse assunto e chegou a hora de pôr um ponto final nesta rebaldaria.

 

Passo os dias com calendários e horários e tarefas e fogos e TPC e termos e lanches e crises existenciais infantis. É uma coisa de tal forma absorvente que até quando estou a fazer outras coisas aparece. Portanto, a última coisa que me apetece é que me falem sobre crianças. Mesmo que pareça que quero, NÃO QUERO. A sério, NÃO QUERO.

 

Talvez até soe estranho dizer isto tendo em conta que escrevo bastante sobre elas no blogue e no Facebook, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Partilho as gracinhas para deixar registado, para nos lembrarmos e rirmos quando forem adultas, para refletir sobre o que acontece e crescer com isso, mas a verdade é que fora destas quatro paredes da minha sala, das conversas com o meu marido e amigos chegados, não tenho nada a dizer sobre o assunto. E, no entanto, estou sempre a falar com estranhos sobre isso.

 

Ao princípio achava normal. É muito grande ter um filho e era novidade. Depois tornou-se como falar do tempo ou do trânsito. Como os adolescentes que falam de sexo, as mulheres solteiras falam "dos homens" ou os gajos sobre bola. É uma muleta. Como quando eu tinha 20 anos e usava a televisão para me safar nos momentos de timidez ou por aborrecimento ou falta de interesse. Sim, é verdade, isto acontece.

 

O problema é que quando uma mulher fala de filhos nunca parece que está a deitar conversa fora. Parece uma mãezinha. E ser uma mãezinha, nos padrões de 2014, é uma coisa muito má. As outras pessoas, até mesmo outras mães, acham que se falamos sobre filhos é porque só queremos saber de fraldas, papinhas, gugudadá e palestras com o Eduardo Sá.

 

Chegamos a este incrível dilema: pessoas que não querem falar sobre filhos mas que o fazem por vício e deformação a responderem com o tema crianças a pessoas que não querem saber desse assunto e que, para mais, concluem coisas erradas a teu respeito. Por exemplo, que não estás disponível para outros assuntos, para certos trabalhos, para certas maneiras de te divertires, para certas ideias.

 

Já tentei arrepiar caminho com várias pessoas, deliberadamente, mas é um bocado difícil. Como é que se muda a agulha? Toco na mãozinha e digo "podemos falar do tempo?". Vou parecer uma cabra insensível. E não é nada disso. Nem é, pela vossa saúde, querer sentir-me eu ou qualquer coisa pseudo-new age deste género. É só querer desanuviar.

A sério, pessoas, ESTOU DISPONÍVEL PARA OUTROS ASSUNTOS. Talvez não para toooooodos os assuntos mas para coisas diferentes. Tenham isto em consideração na próxima vez que nos encontrarmos, se faz favor. Eu farei a minha parte. Obrigada. 

 

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