Coronavírus: qualquer coisa boa

Que o novo coronavírus seja um recado da natureza a pedir-nos para irmos mais devagar parece-me tão parvo como acreditar que água benta cura, mas há coisas boas a retirar deste período de isolamento para quem, como nós, o está a viver com saúde e em família (as miúdas estão em casa desde 13 de março, eu desde 14 e o pai desde 16).
Queria passar mais tempo em casa com as crianças mesmo que elas não me ligassem nada. Agora passo.
Discutíamos porque nos demorávamos a despachar para sair de casa. Já não acontece.
Eu queria cozinhar mais, e melhor, para todos. Agora posso.
O pai chegava tarde e não jantava connosco. Agora não acontece.
As coisas más da quarentena estão amplamente documentadas e também as sinto quase todas na pele e no coração, literalmente (matéria para outro post), mas as miúdas cresceram nestes dias, como se fossem as férias, e concluo que o amor, e cuidar de quem gostamos, ajuda a medrar.
