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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Boas férias, senhora ex-ministra

Como vinha dizendo desde que vi o primeiro-ministro a reagir ao que se passou em Pedrógão Grande, o mais repugnante ( repugnante é a palavra) em todo este caso era ver a maneira como se ignorava o sofrimento das muitas pessoas que tinham morrido. Como o primeiro instinto foi empurrar com a barriga, dizer que era preciso sofrer em silêncio para não mostrar a dor que não sentiam. É isto. Nunca, em momento nenhum, António Costa pareceu realmente incomodado com alguma coisa que não fosse o prejuízo político de uma tragédia destas.

Eu sei que fiquei particularmente tocada com o caso, sei disso, sei que acontecem imensas coisas tristes e não fico assim, mas se fico, se dou atenção e reparo, também não posso ignorar quando pessoas com responsabilidades políticas agem sem o mínimo de empatia para com o sofrimento alheio.

Nesse sentido, o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, teatral e mais estudado do que é costume (pareceu-me), foi exemplar. Primeiro, não foi feito imediato. O Governo teve oportunidade de emendar a mão pelo menos duas vezes. Depois, realçou tudo o que era necessário. Lembrou as vidas que ficaram por viver, o heroísmo anónimo dos que lutaram contra as chamas, alguns em vão, o sentimento de insegurança que se apoderou de muitos de nós e pediu a tal ação de que se tem falado, mas que não se tem visto.

Resultou.

Constança Urbano de Sousa, como as minhas filhas depois de as mandar 30 vezes para a mesa e já estar a espumar, lá acedeu a sair. É o correto. Não porque seja incompetente ou responsável direta pelas ignições, mas porque há um momento em que é preciso dar lugar a outros para que se faça de outra maneira.

Na carta da de demissão, afirma que pediu para sair logo a seguir a Pedrógão Grande e que não o fez porque o primeiro-ministro lhe pediu que ficasse para resolver o assunto no momento mais necessário. Tenho as máximas dúvidas que isto seja assim. A ministra da Administração Interna era importante para António Costa por razões políticas que me escapam, mas que tenho a certeza que existem. Quanto à prosa vertida nesta missiva, constato apenas isto: num mísero texto de 1540 caracteres (word count dixit), consegue usar a palavra pessoal duas vezes.

Não percebeu nada.

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