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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Amiúde, Zé Pedro

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Estava em Sintra, num trabalho, e recebo a notificação. Morreu Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, aos 61 anos. Tem uma certa dose de ironia isso, porque foi em Sintra que soube da existência desta banda. Estar no 7.º ano e o Gonçalo, meu colega, falar do 88. Ouvi esse disco até ficar impróprio. E descobri a palavra "amiúde"

 

 

Para Ti Maria
 
É impossível dizer esta palavra, ou lê-la ou ouvi-la, sem me lembrar dos Xutos. Tal como é impossível pensar neles e não me vir à cabeça um concerto no Arraial do Técnico, devíamos estar em 1997. Foi aquela fase dos Dados Viciados, eles vestiam casacos de leopardo e coisas assim, um bocado barrocas, e já eram respeitáveis dinossauros. No regresso ao palco, após o intervalo, e perante a dormência do público, a minha dormência, diz o Kalú: "Vocês não pedem, mas a gente volta na mesma". Penso nisto e é impossível não me lembrar da Margarida, do Rui, do Ricardo, do Sérgio, da Inês, do Bruno, da Lena. Fui com ela celebrar  os 25 anos dos Xutos no Pavilhão Atlântico. Essa sala já mudou de nome três vezes. E os Xutos sempre cá.
 
"Banda sonora de muitas vidas", chamou-lhes o Tiago Freire, uma das 'penas' do Altamont, resumindo tudo o que penso. Eles trouxeram-me à idade adulta e estiveram (estão) sempre cá. O que é que cantámos todos juntos no dia em que Portugal ganhou o Europeu? O que é que se mostra às crianças quando lhes queremos dar "os clássicos" da música portuguesa? Xutos (e GNR)!
 
Troquei palavras de circunstância com o Zé Pedro um dia. Ele passou pela redação onde eu trabalhava (que nervos!) e foi exatamente como descrevem. Carismático, simpático, muito pessoa. Só alguém assim pode admitir que tem muitos ídolos e que não se vê como tal, apesar das pessoas lhe dizerem que é um. Um homem que cresceu, mas nunca envelheceu. Um uhu nacional. Ontem, na rádio, alguém lhe chamou o anjo do rock 'n' roll e, por absurdo que seja, pareceu-me a definição perfeita. (Talvez não pensasse assim se não estivesse dentro do carro, sozinha, a fazer o IC19, a caminho de casa).
 
Perdermos o Zé Pedro é perder duas vezes... Perdemos o homem e perdemos nossa própria vida. Cada vez mais pedaços do meu cérebro se parecem com álbuns de fotografias. Só existem se me lembrar de os abrir. E a minha tristeza é muito essa.

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