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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Rumo aos 42? Já lá estou e nem dei por nada

A minha iniciativa redundou num fracasso e, sendo perfeitamente, objetiva este foi um dos aniversários mais sem história de sempre. Deve ser a vida. A gente vai andando, andando, começa a dar importância a outras coisas, hoje não tem tempo, amanhã não pode, na segunda logo se vê, os dias passam e em pouco tempo estamos lá outra vez. Passou mais um ano e nada de jeito ficou para contar, o que não deixa de ser boa notícia. Afinal, há saúde e trabalho. É a coisa mais contraditória de sempre. Se estamos bem podemos passar sem celebrações, grandes ou pequenas; se estamos mal agarramos tudo com unhas e dentes. Ridículo, isto.

Elas

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Mãe e filha são das Honduras. Passaram um mês em viagem, sabe Deus como, para chegar à fronteira com os EUA e entrar nesse país. Soubemos delas pelas fotografias do norte-americano John Moore que passou dias com a polícia fronteiriça e viu de perto o que é tentar a sorte, ser apanhado, detido, identificado, arriscar a deportação, e, por estes dias, ser separado de um filho.

"Eu só queria acabar com o choro dela", disse Moore, no papel de entrevistado, a propósito destas pessoas que o emocionaram, que o arrancaram do papel de jornalista ou, justamente, o puseram realmente no papel de jornalista (ainda não sei bem). Desconhecemos os seus nomes, detalhe sem importância, já que mãe e filha são, na verdade, rostos da crueldade. 

Os números não são oficiais, nem sequer claros. Alguns jornais falam em mais de 1300 menores, outros em cerca de 2000, o The New York Times escreveu 2300. Alguns viajavam sozinhos, outros foram separados das famílias.

Há outra crueldade. Imaginar, como imagina a secretária de Estado da Segurança Interna dos EUA, Kritjen Nielsen, que há quem 'mande' os filhos numa jornada de meses, às mãos de máfias, porque acha excelente ideia. Porque acha que é boa solução. É o que ela quer dizer quando afirma que "a vasta maioria das crianças ao cuidado da Segurança Interna foi mandada sozinha pelos pais para aqui", não é? É tão fácil estarmos sentados nos nossos sofás confortáveis, com o frigroífico cheio, a certeza de bons cuidados de saúde e educação e acreditar o mundo inteiro vive da mesma forma...

 

 

Rumo aos 42. Dia 18. Aquele cadinho de liberdade

Algures no final de 2017, propuseram-me ter uma abordagem diferente aqui no blogue. Em vez de escrever unicamente sobre o que quero, e à hora que quero, passaria a escrever sobre assuntos concretos. O dia da mãe e o dos namorados, a polémico do dia ou sobre férias e feriados. Isso poderia ter contrapartidas. A bem dizer, eu escrevo por dinheiro e não repudio a ideia. No passado eu poderia ter aberto essa porta. Mas, entretanto, eu fui descobrindo muitas coisas, graças sobretudo ao facto de as ter ido escrevendo. Que é preciso manter uma certa limpeza. Que este é aquele cadinho de liberdade incondicional que a todos nos assiste e que não o posso desbaratar. Tornou-se bem sério o caso. E embora eu escreva cada vez menos e os blogues até estejam em vias de extinção, gosto cada vez mais dele -- aquele sítio onde tudo é possível. Três posts por dia. Um por semana. A cada três meses.

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|Crédito: Senhora das Iguanas, de Graciela Iturbide|

 

Rumo aos 42. Dias 4, 5, 6 e 7. PhotoEspaña

Dos muitos trabalhos que faço ao longo do ano, nenhum é mais importante do que a PhotoEspaña. Creio que a maioria não quer saber, o que não me pode demover do plano de noticiar o que se passa no festival, pois não é apenas um trabalho jornalístico que é publicado. É um trabalho de fundo que enriquece tudo o que faço nos restantes 360 e tal dias que se seguem. Quanto mais conheço, mais bem posso informar as pessoas. Isto, sentido comum entre jornalistas, é talvez novidade para quem nunca pisou uma redação.

Uma das missões do festival é educar o olhar, como diz a diretora. Claude Bussac dizia ao DN por estes dias, que o festival tinha mudado muito nos seus 20 anos. Se recuarmos a 1998, nós, os adultos, ainda nos lembramos: internet pouca e fotografias só quando alguém levava a câmara. Inúmeros jantares de turma, encontros incríveis e outros acontecimentos parecem não ter existido, porque simplesmente não havia fotografia. Em casa dos meus pais, sem ir mais longe, o meu pai tirava centenas de fotos nas férias – temos uma boa coleção, mas no resto do ano havia pouco esse hábito. E a minha mãe nunca se interessou pelo assunto.

Era preciso (ainda) levar os rolos à loja de fotografia e revelá-los. Que revolução que foi quando passou a demorar apenas um dia ou umas horas! Quando voltamos do Disney World havia seis rolos e na loja, em Mafra, antes de nós vermos as fotografias a senhora disse: “tem aí fotos muito bonitas”. Foi em 1991, mas era quase igual em 1998. Ainda.

Foi tudo bastante rápido, portanto. Dez anos e estávamos no digital. 2008. Já todos os fotógrafos dos jornais usavam máquinas digitais. Os nossos telefones já tinham câmaras, as redes sociais tornaram-se coisa do quotidiano. Eu inscrevi-me no Facebook durante a licença de maternidade. Era a janela para o mundo das pessoas que conhecia. Ainda é.

Claude Bussac explica que “hoje o nosso desafio é o papel do fotógrafo como autor”. Percebo-a. Se todos tiramos fotos e isso é bom, nem todos somos Alberto Korda ou Robert Capa. Faz uma boa comparação. Todos sabemos escrever, nem todos somos Nobel.

Treinar os olhos para as imagens como fazemos com a leitura, até ao ponto em que, sem esforço, somos capazes de distinguir o bom do mau texto, está a tornar-se, parece evidente, numa necessidade total nesta era de instagram, informação servida num ecrã, e, mais importante que tudo, porque todos a podemos fazer. Talvez daqui a muitos anos a gente olhe para trás e perceba que os telemóveis fizeram pela imagem o que o lápis fez pelo desenho e pela escrita – uma revolução.

Isto aconteceu o ano passado e voltou a passar-se este ano: estar em contacto com milhares de imagens boas faz com que depois, no espaço de horas, estando já na minha vida 'normal' seja muito mais exigente com o que está à minha volta. E isso é ótimo para o trabalho que se segue.

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|Crédito: Prue Stent & Honey Long, no Centro Cultural Fernán Gómez|

Rumo aos 42. Dia 3. Feira do Livro

A Feira do Livro cansa-me. Não gosto particularmente do sítio, tão empinado. São muito stands, não conseguimos ver tudo. Está feito uma feira popular, só faltam os carrosséis. Mas nem me passa pela cabeça falhar ou não levar as miúdas. Elas querem coisas bem diferentes do que se possa pensar. Saltam em cima do livro gigante do Wally, ficar numa cadeira a pintar, gelados. Faz parte, devia saber. Faz parte do que é novidade para quem tem livros em várias prateleiras e visita livrarias todos os meses.

Isto tem a sua graça. Em pequena, ir à Feira do Livro era dos melhores programas do ano. Além de comprar livros que realmente queria, eram muitos -- três ou quatro de "Uma Aventura" ou da Alice Vieira. Uma excentricidade. Nunca me pude queixar. Eu podia tê-los (talvez não TODOS! os que me apetecia, mas os mais do que suficientes), só não havia muitas livrarias. Havia a 77 em Mafra, cheia de Patrícias, mas só lá ia quando passava dias em casa da minha tia. Havia uma pequenina em Sintra, foi lá que descobri "Uma Aventura no Supermercado", e a Ovni na Ericeira. É uma loja que ainda lá está, no Jogo da Bola. Nem sonham, e é pena, mas estão associados a uma das minhas melhores memórias de infãncia. A minha mãe comprar-me uma Anita e depois virmos de autocarro para casa, ela a contar-me a história. (E, a sério, que acho isto genial, porque deve ter sido a única vez que andámos de autocarro. Se há coisa que ela sempre fez foi conduzir, e conduzir bem).

Chegamos a hoje, e a essas contradições da vida do primeiro mundo. Eu queria ter livros por todas as partes, agradeço-os e valorizo-os, ponho-os à disposição das miúdas. Mas por serem hoje corriqueiros, as crianças não lhes prestam a mínima atenção. Dão-nos por adquiridos. Terei de me esforçar muito mais do que antecipava para que eles sejam boas leitoras.

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 |crédito: Dorothy Rees|

Rumo aos 42. Dia 1. Call for entries

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Há três anos (o tempo passa!) abri um #rumo aos 39, uma espécie de aniversário prolongado que consiste em fazer uma coisa boa todos os dias até à data propriamente dita - 26 de junho, para aqueles que ainda não informei. Este ano vou retomar esta magnífica tradição, abrindo as ideias à comunidade (e a todos os que queiram conviver).

Hoje tenho um almoço, há uma nítida sobreposição de eventos no dia 12, mas, tirando isto, está tudo em aberto. Aceito convites para todo o tipo de confraternizações e/ou formas de celebrar a vida.

|Foto: Maria Svarbova|

20 anos

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Eu já tinha 22 anos quando foi a Expo, mas, por alguma razão, só guardo memórias difusas desse lugar. A única vívida é do último dia. De uma confusão incrível, toda a gente a confiar nos telemóveis e a rede a falhar. Toda a gente a combinar junto ao homem-sol. Toda a gente perdida. Hoje, por acaso, voltei. E na parede de um café, enquanto fazia tempo, encontrei esta imagem. “A” imagem. Como um achado arqueológico. E concluí: faço parte do grupo de pessoas para quem a Expo 98 foi muito mais importante a partir de 1999.


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Muita coisa boa aconteceu aqui. Concertos memoráveis. Ainda este mês, a Eurovisão. O triatlo em 2017. E, mais que tudo, ELAS. Que nasceram aqui.


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Coisas bonitas: The Happy Show

Estas são as minhas filhas, três anjos, cinco minutos depois de entrar em The Happy Show, a exposição do designer austríaco Stefan Sagmeister que está na Central Tejo. Sentaram-se de livre e espontânea vontade a ver o filme. E eu, quando vi a cena, só tive tempo de sacar do telefone e fazer a foto.

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O que, na verdade, devia ser documentado eram os 50 minutos que precederam esta imagem, quando esta mãe usou todos os truques possíveis para evitar palavras como museu ou exposição. E nunca, em circunstância alguma, "vamos ao MAAT'. Antes: Querem ir ao parque? Claro que vamos ao parque. Está a chuviscar, mas que importa? Andámos meia hora para elas constatarem que não podiam usar os escorregas porque estava tudo molhado. E quando já estavam cansadas (e eu!), convidei-as a entrar no edifício do antigo museu da eletricidade, onde tinha "uma coisa de trabalho para ver", para que pudessem descansar. 

IMG_8539.JPGEis, aqui, a foto definitiva. Percebe-se nelas, nas bocas cheias de pastilha elástica amarela e nas poses de zombie (é mesmo isso) que estavam muito contrariadas.

Às vezes, parece que a melhor maneira de educar as crianças é... bem... não quero dizer enganá-las, mas manipulá-las, vá.

Quanto à exposição, vale bem a visita. De cabeça aberta e, preferencialmente, sem crianças. Para ir pensando nas coisas que Stefan Sagmeister diz e escreve.

MAAT_012.jpg

Por exemplo, ele faz pausas de um ano, de cinco em cinco anos, e farta-se de falar sobre isso.

 

 

 

 

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