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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Terapia alternativa na Farmácia de Serviço - versão completa

Já não há pachorra para bebés. As três filhas que tive nos últimos cinco anos habilitam-me a dizê-lo com propriedade. Não é pelas crianças (descanse a segurança social). É por causa da filosofia de loja de chineses que uma pessoa tem de aturar. Das pessoas que não têm filhos e acham que podem opinar (comigo escusam de tentar), dos que acham que só os filhos deles é que fazem birras que não incomodam (ah, ah, ah), dos pró-amamentação, dos anti-amamentação, dos que querem educar na felicidade, dos que querem firmeza e regras, e - a última moda - dos defensores da teoria 'mãe feliz, bebé feliz'. Esta então... Estou capaz de sentir os enjoos que as minhas crias nunca me deram (ai, parece que não é fino dizer crias).

O que se supõe que quer dizer 'mãe feliz, bebé feliz? Há alguma relação em que suponha que a minha infelicidade é fonte de alegria para outra pessoa? Isso sim, seria novidade! Outra pergunta: papá feliz não dá bebé feliz? Avó feliz não é sinónimo de bebé feliz? Se calhar, não. Só funciona para a mãe.

Ou, então, espera, queres ver que esta é mais uma daquelas cenas inventadas pelas mulheres da geração de 70 para chamarem a atenção? Já não basta o dia do casamento, agora também estão à frente de bebés indefesos. Está certo que também não vamos agora voltar ao modelo da mãe mártir que se mata em trabalhos pelos (ingratos) filhos, mas será mesmo necessário querer fazer da maternidade uma história de passeios bucólicos em carrinhos de design, roupas em tons suaves e fotos queimadas no instagram (uma amiga chamou-me a atenção para isto) e todos muito comportadinhos? A que pouco se podem reduzir direitos tão suados.

Qual o significado de tudo isto? É egoísmo ou pura chantagem (se não me sinto bem, não me sinto feliz, se não me sinto feliz, não cuido bem do meu bebé, se não cuido bem do meu bebé podem acontecer coisas, logo, pequena criatura e família, o melhor é não aborrecerem muito)? Futilidade é de certeza. Há tanta, tanta superficialidade na maneira como se criam as crianças. Mesmo quando está travestida de waldorf, movimento moderno, vegan, religião. Não interessa a seita. O que une os pais de hoje é esta estranha mania de que até a parentalidade precisa de narrativa. Um miúdo não pode apenas SER. Tem de haver um projeto, uma ideia, um propósito. Parece que se está num concurso para saber quem deu à luz o próximo Einstein ou o próximo milionário. E, de preferência, que pareçamos todos hiperfelizes e saídos das páginas da Vanity Fair. Quando acaba a fase egocêntrica das mães começa a etapa "abram alas, dei à luz o Messias". Que, no fundo, também não passa de egoísmo dos pais ("vejam bem o ser humano que criei!").

Não queria agora vir para aqui citar os Resistência, mas às vezes, tantas vezes, só era preciso lembrarem-nos, lembrarmos, que as crianças não são nossas, nem projeções do que nós gostaríamos que fossem ou do que queríamos ter sido, mas seres humanos únicos e livres e independentes que vão crescer com ou sem ajuda. Nós podemos dar um empurrão, sim, mas o mérito é delas.

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