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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

E porque um post feminista nunca vem só...

...Falemos sobre Helen Wright, directora de um colégio na Grã-Bretanha que voltou ao trabalho sete-horas-sete depois de ter dado à luz a terceira fila.





Ouvi isto contado há umas duas semanas na revista de imprensa internacional nas manhãs da SIC Notícias. Já se sabe que este assunto me enerva por de mais. Dizia-me eu: "Para que quer esta mulher três crianças se nem 24 horas fica com elas?"; "Bonito exemplo dá às suas alunas (têm razão os pais que se indignaram)"; "Isto é o fim do mundo em cuecas"; entre outras reflexões dignas de Zé Manel Taxista (mas com menos graça).





Sorte para mim, a indignação deu-me para ir à procura de mais informação. Encontrei-a aqui e



 



aqui. E Helen Wright não é uma maluquinha, pelo contrário. Ela leva a criança para o trabalho. Não sei se isto é um bom ou um mau exemplo e francamente não quero saber - ela acha que sim, que esta é uma maneira de mostrar às alunas que se pode trabalhar e ter filhos ao mesmo tempo. Eu não quero saber do exemplo. Mas parece-me que o que ela faz é uma pedrada no charco, uma afirmação política de enorme grandeza: "não me separo da minha cria, mas não abdico do meu trabalho".








Vamos lá ver: entre trabalho e bebés, eu escolherei sempre os segundos. Sempre. Porque bebés são pessoas e o resto é apenas "qualquer coisa", por mais importante que pareça. Por ti, Madalena, e pela tua irmã que vai nascer, eu faria qualquer coisa: matar, roubar, mentir, abdicar de um trabalho... Anything! Mas isso são "escolhas de Sofia". Não acontece. O que acontece todos os dias é ter de fazer balançar as coisas. Decidir a cada minuto: hoje vou ser melhor mãe ou melhor jornalista? E não tem de ser assim. Não devia pelo menos.





Os homens também pensam coisas destas acho eu, mas com as raparigas é pior. Porque começa logo com esta coisa da licença de maternidade, um instrumento com o qual não podia estar mais em desacordo.





Dantes achava muito bem que as mulheres pudessem estar em casa um fartão de meses com os seus filhos, mas só até me terem chamado a atençõa e perceber que isso é uma maneira de perdermos o comboio profissional. Não é só pelos quatro, cinco, seis meses ou um ano que estivemos fora. Isso é uma questão menor. Poderíamos sobreviver a ela e é uma questão de opção na verdade. O (grande) problema é que isto abre um ciclo.





Os bebés habituam-se a estar com as mães, elas é que dão o leite, a sopa, trocam a fralda. Cria-se uma relação que vai muito para além do papel natural de mãe e do dar de mamar (que só eu é que posso fazer). Começa-se com o leite e as fraldas, passa-se para a sopa e para ser a mãe a vestir todos os dias até que os meninos chamam a mãe até para coisas tão básicas como "dá-me um copo de água".





Dir-me-ão: é dividir a licença com o pai. É uma ideia, claro. E parece que na Dinamarca tem tido bons resultados, desde que passaram a dar benifícios fiscais aos pais que fiquem em casa com os filhos. Mas também não é bem isto que desejo!


 


O que eu gostava mesmo (não sei se é de ser uma rapariga do campo) é que pudessemos ser mais Helen Wright. Que pudéssemos trabalhar mais com eles por perto. Que a presença dos bebés não fosse tão intrusiva nas nossas vidas.


 


Hoje parece que as crianças estão sempre a mais. Mas tirando o cinema, teatro, discotecas e concertos, não vejo muito mais sítios onde os miúdos não devessem ser mais bem-vindos. E não são. E, temo, isto nunca vai mudar. 

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