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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Facebook

Acho que tenho telemóvel há 11 anos, ainda tive discos em vinil e gravei em cassetes onde ficava a voz dos locutores de rádio porque eu chegava com segundos de atraso ao botão do stop. Achava nessa altura que seria bom inventarem um suporte (embora eu nessa altura não lhe chamasse assim, era mais 'uma coisa') que me permitisso ouvir em repeat as músicas de que gostava. E então apareceram os CD e aquilo parecia o máximo! E que ia ser sempre assim. Agora já mal os compramos e nas lojas o espaço que lhes é dedicado diminui na exacta proporção em que aumenta o que se destina a aparelhos tecnológicos - mp3, consolas, televisões que só lhes falta aquecer comida (lá chegaremos!) - e tudo se passa 'no ar'. Não há suportes, não se ocupa espaço, o que é uma vitória porque assim as nossas casas não têm de ser cada vez maiores e o dinheiro que gastamos a comprá-las e em estantes e armários para arrumar as nossas tralhas pode ser direccionado para coisas mais utéis como viajar e conhecer o mundo.


 


Viajar era uma coisa complicada há 10 anos, mais ainda há 20. Não se andava por aí só porque sim. Bem, com o teu avô sim, mas porque ele é especial. Graças a ele, viajei para mais sítios na adolescência do que na minha vida de adulta. Vi Miami quando ainda não era fashion e experimentei a interactividade antes de lhe poder dar um nome. Toquei em carros que andaram na lua e vi comida liofilizada (ou lá como se diga). Ele diz "quando era pequeno não sabia que existiam aviões quanto mais que ia andar num". Eu nunca pensei que íamos poder mandar mensagens uns para os outros à velocidade de um clique. Ou ter um blogue que actualizo em qualquer parte do mundo e onde posso reunir pedacinhos da nossa vida para que vejas como isto funciona agora. A Internet mudou tudo (e é por isso que estou a escrever este post).


 


A primeira vez que me liguei à Internet foi em 1996. Tive um mail.telepac.pt e a conta do hotmail é de 1997 ou 1998 e ainda fala francês (foi criada durante o Erasmus). É preciso estarmos sempre a actualizar as nossas ferramentas para navegar aqui dentro e a última grande novidade na nossa vida chama-se Facebook. Para que vejas como tenho razão, há pouco mais de um ano, quando curtia os primeiros meses da tua existência, era o hi5 que me deixava fascinada. Continuo de queixo caído. Entre uma e outra rede social (bom conceito!) permitem aquilo que eu pensava perdido para sempre com a chegada dos telemóveis: voltamos a estar todos em contacto. Basta saber os nomes.


Por mais que a tecnologia avance, continuamos (mais do que nunca) a precisar uns dos outros. O que também é engraçado, porque a dada altura, no início dos anos 00 andava toda a gente a perguntar-se se as tecnologias da informação não nos iam afastar cada vez mais uns dos outros. Não estão, acho eu. Só nos estão a fazer encontrar de outra forma. Respiro de alívio. Já pensava assim em 2000. E, valha a verdade, se hoje estou com o papá isso deve-se em parte ao messenger que permitiu que duas pessoas que só se tinham visto uma vez pudessem conhecer-se melhor (mas isso é uma conversa para mais tarde).

 



Dantes quando queríamos falar com alguém precisávamos de ter o telefone fixo, esperar que do outro lado atendessem e que a pessoa estivesse em casa. Tantos passos, consegues imaginar? Agora cada um tem um número, podemos mandar sms para transmitir recados rápidos ou mandar mensagens românticas a toda a hora (tem feito muito pelo amor como podes ver). Precisávamos de listas telefónicas e até de 118 (agora chama-se 1820) para saber se existia registo no nome das pessoas que procurávamos. Eu sou desse tempo ainda, mas já me estou a habituar à vida nova.


 


Há duas semanas precisei de contactar uma pessoa. Era domingo, só tinha o nome da empresa, nada de telefones móveis e muita vontade de fazer o trabalho. Alguém (mais novo, lá está) disse-me: "já viste no Facebook?". Não, não me tinha ocorrido, porque eu ainda vejo isto como brincadeira, mas não é só para isso que serve. Procurei a pessoa, pedi para me aceitar como amiga, deixei o meu número de telemóvel (possível, porque não lhe estou a dar quaisquer dados pessoais ou a dizer onde moro) e duas horas depois o telefone tocou. Lição de vida!


 


O FB (e as redes sociais) mudaram tanto a nossa vida que quando dois adolescentes se conhecem já não trocam telefones, como contava um executivo da HP, Brian Levy, numa conferência em que estive esta semana, falando da sua filha. Quando se chega a casa procura-se. E checka-se a ver se interessa. "Às vezes nem precisas do nome, basta ires ver aos amigos em comum", disse-me o meu colega LFR, que me leva nove anos de diferença (para menos) e está na fase borguista.


 


Brian Levy disse outra coisa que me deixou a pensar: o que conseguiram as novas tecnologias e os conteúdos com que as alimentamos, foi mudar o tempo e o espaço. São as viagens no tempo que sempre pensámos que eram impossíveis. A matéria não viaja no tempo, mas a informação que ela contém sim. A pessoa que sou aqui pode ser replicada do outro lado do mundo em questão de horas. Posso escrever este texto aqui, na nossa casa, no trabalho, de férias ou onde me apeteça. Ou mandar fotos tuas ao papá em questão de minutos para qualquer parte do globo...


 


E isto é só o princípio.


 


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