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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Histórias infantis = terror sobre terror

Conforme já expliquei aqui, a hora de deitar tem um ritual próprio que termina com uma história na cama dos pais. Pode ser um conto, pode ser uma canção, pode ser inventada ou pode ser um resumo do caso "Face Oculta", como aconteceu hoje, noite em que foi o pai da Manena a deitá-la. Um senhor importante, uns senhores polícias, uns telefones mágicos... enfim... acho que ficou muito bem e que não ofende. Sobretudo, se comparado com o teor das histórias infantis que estão à disposição nas livrarias. (Bem sei que já falei sobre isto, mas, estou que nem posso, portanto façam de conta que isto é a revista Pais & Filhos, sempre a mesma coisa mas a gente finge que não e gosta sempre!)


Comecemos por uma pergunta que parecendo estúpida não é: os editores de livros infantis lerão o que mandam para a gráfica?


Erros ortográficos grosseiros ainda não apanhei, já textinhos mal traduzidos é à fartazana (permitam-me a liberdade estilística). Mas, enfim, isso é questão de não sair da livrarias sem os ter lido de fio a pavio. O que revolve mesmo as tripas é o conteúdo.


Ofereceram um livro do Patinho Feio à Madalena. O gesto é maravilhoso, o que não esperava é que lá dentro a história fosse a um do Patinho que nasce diferente dos outros e a quem a mãe diz: "És diferente, mas eu gosto de ti na mesma". Primeiro grande erro. Se é o mesmo, para quê dizer isso? Enunciar a igualdade é uma forma de discriminação. Depois, mais para a frente na história, fica a saber-se que o Patinho, por ser feio, era escorraçado de todos os sítos onde andava. No entanto, depois de se transformar no bonito cisne que conhecemos, arranja logo dois amigos que queriam muito brincar com ele.  Não acho normal! E, quanto mais não seja cá em casa, a história não se conta assim. E é tudo nesta linha.


 


As histórias infantis são filmes de terror para menores de 4:


- A Capuchinho Vermelha quase morre por ser curiosa e crítica - quer ver o atalho e desobedece à mãe;


- Nos Três Porquinhos, ser folgazão e devertido é sinal de que ainda se acaba sem tecto.



E depois também há casos claros em que a história foi rescrita, como acontece com o livro da Cinderela que trouxe do Brasil. Segundo o livro, naquele momento crucial em que o guarda do palácio anda de casa em casa a experimentar o sapatinho de cristal, é a própria da Gata Borralheira que se oferece para experimentar o modelo. Bem sei que se diz que as brasileiras são mais abertas que as portuguesas, mais extrovertidas, mais desinibidas e com menos pudores, mas isto já é abuso.

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