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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

KO

 

O fecho do 24horas pôs-me a chorar. É certo que já sou uma rapariga de lágrima fácil, é certo que, com as hormonas, a coisa piora.

Por um lado, pessoal e egoísta, é como se apagassem cinco anos da minha vida. Ah, pronto, agora já não existe o sítio onde trabalhaste, aquele sítio onde ficaste tantas vezes até à 01.00 a arranjar páginas ou escrever textos. Aquele sítio onde fizeste tantos amigos... Pronto, assim, de um dia para o outro. Pois, com certeza, que já perdi as ilusões. Os jornais não são a Santa Casa da Misericórdia e os não rendem fecham. Outros virão a seguir.

O que me lixa a pinha, ainda do ponto vista meramente pessoal e egoísta, é que tão pouca gente se importe.

 

Não há palavras de apoio, não há reacções inflamadas, nenhum blogue dos influentes escreveu uma linha sobre o tema. Os meus amigos mais próximos não acharam relevante dizer nada. As mensagens via redes sociais são de antigos e actuais membros da equipa. O próprio Sindicato dos Jornalistas só emitiu hoje um comunicado sobre o assunto, exortando a empresa a reintegrar toda a gente. Seria cómico se não fosse apenas patético. Estiveram à espera que saísse o comunicado oficial daquilo que oficiosamente todos já sabiam? Quando é que estiveram em conversações com a administração?

 

E depois uma pessoa ainda tem de ler coisas absolutamente insultuosas, via Facebook do Nuno Markl. Ele defendia o Rui Unas porque uma cronista do jornal dizia que ele tinha perdido a piada e por isso estava circunscrito a um canal por cabo, o Q, o que explicava o fim do jornal. Ok, são opiniões. Chocante é que não faltaram pessoas a regozijar-se com o fecho de um jornal! A dizer que quem lá trabalha não era jornalista. Bem, eu sei que o 24horas era um jornal difícil de gostar. Aliás, um jornal muito difícil de se dizer que se gosta, mas tenho muita pena que, afinal, nos 12 anos da sua existência, continuemos tão preocupados com as aparências. E tão longe de países como Espanha, Inglaterra ou Noruega. Engraçado, qualquer um deles tem mais qualidade de vida e uma população mais educada, mas é aqui que se acha que quando uma pessoa lê a Caras ou um jornal popular não pode ter profundidade intelectual. (É por essas e por outros que depois revistas minúsculas como a Maria têm o êxito que se sabe: dão para esconder!)

 

Mas só para quem já está com peninha do pobre Unas ou do Nuno Markl (que depois até foi a pessoa que mais defendeu o jornal nessa conversa bacoca), vítimas dessas pessoas maquiavélicas que se mascaravam de jornalistas do 24horas, relembro que o Rui Unas foi cronista do 24horas e aplaudiu o fim do jornal no seu programa na SIC Radical. O jornal que lhe deu dinheiro para ele escrever. Para ele ser o Unas.

 

(Eu, aliás, aproveitava a oportunidade para dizer que quando for grande ou voltar à Terra com outra vida, quero ser humorista ou proto-humorista. Porque isto é gente muito engraçada. Diz tudo o que quer, como 'gandas malucos' que são e depois se alguém se sente melindrado é logo acusado de não ter sentido de humor. Ah, e tal pode gozar-se com tudo. É uma bonita versão da história do menino, do velho e do burro! Como se não bastasse, em Portugal, os humoristas são uma espécie de vacas sagradas a quem além de humor é dada a oportunidade de terem talk shows. Mesmo que não saibam fazer entrevistas e que esses momentos sejam penosos. Ora, eu até estaria disposta a aceitar isto não se desse o caso de os humoristas acharem perfeitamente aceitável que não saibam estar em televisão. "Sou humorista, não sou jornalista", respondem. Isto é que é uma profissão do caraças. Um nicho de mercado a considerar pelos meus colegas que a partir de amanhã estão ''between jobs').

 

E os meus colegas do 24horas são as pessoas com quem me preocupo agora. Apenas isso. Gente criativa e com garra que a partir de amanhã (será já hoje?) está no mercado de trabalho. Quem souber de algum trabalho, não se acanhe. Ofereço bons contactos.

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