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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

A política do salto alto

No fascinante mundo das princesas, foi notícia na sexta-feira que Leonor das Astúrias já usa saltos altos. 

Começou com um ensaio no Dia da Hispanidade, 12 de outubro, eram altos, mas não agulha, e agora, na entrega de prémios com o seu nome, usou uns 'kitten heels' (fyi: saltos agulha não muito altos).

São três ou quatro centímetros a mais na altura da princesa Leonor que a deixam quase, quase da altura da irmã, dois anos mais nova e mais alta. Sofia, de sabrinas, é mais alta do que mãe, Letizia, com os seus stilettos.

Que importa isto? Nada. Não teria qualquer importância, não se desse o caso de importar aos próprios. 

Aos próprios interessa uma pose invariavelmente igual para as fotografias: Leonor à esquerda do pai, Letizia à direita e Sofia ao lado da mãe. 

É uma posição de importância - a herdeira à direita do pai, como Jesus de Deus, mas Letizia logo aí ao lado e Sofia já numa posição secundária - como, imagino, dite o protocolo. Vejamos aqui um exemplo, na cerimónia de receção aos galardoados com o prémio Princesa das Astúrias:

familia real espanhola.jpg

Acontece que não basta que eles apareçam por ordem de importância. É preciso que pareçam unidos, harmoniosos, sóbrios, atuais sem serem extravagantes... Sâo muitos quadradinhos onde fazer check!

Neste caso (e não é dos mais perfeitos em termos de cor), os tons claros do vestido de Leonor fazem-na sobressair no conjunto, o que faz sentido porque o prémio tem o seu nome. A gravata do rei combina com o vestido da rainha e este, por sua vez, combina com o vestido da Mango de Sofia. Mas, são, claramente, os saltos altos da princesa das Astúrias que dominam a cena.

Podem ser, como se escreveu em Espanha, o sinal de que entrou na adolescência, mas é impossível olhar para a foto e não notar que estes três ou quatro centímetros que lhe dão os tais kitten heels a põem ao nível da irmã. 

Não interessa que quem olha ache que é detalhe sem importância (eu acho), se quem toma estas decisões considera que deve ser feito. E é essa a pergunta a fazer. Por que razão acham que é importante Leonor parecer pelo menos tão alta quanto a irmã? Por que razão se considera que não é suficiente a herdeira ao trono estar ao lado do pai para mostrar que é ela a pessoa a quem se deve atribuir mais protagonismo nesta família? 

Isso, especulo, terá certamente que ver com aquilo que não conhecemos destas crianças - as suas personalidades, que, como é natural, começam a ser cada vez mais vincadas e com o facto de anteciparem que Sofia, apesar de não ser a herdeira, ter qualidades mais "gostáveis" do que a irmã e está muito mais resguardada por não lhe ser exigido dizer nada.

É um equilíbrio circense entre a herdeira que tem de reunir o consenso, mas que está muito exposta (e, portanto, sujeita à crítica) versus a 'suplente' a quem só se pede que seja uma boa secundária, mas que saiba o papel principal. As suas personalidades contam e também são certamente moldadas pelas funções que lhes estão destinadas.

Pode dar-se o paradoxo de aquela que vive com menos pressão estar afinal mais preparada para uma vida pública do que aquela que tem sido forçada a ir para a linha da frente

Neste caminho de domesticação, Leonor tem sido exemplar como princesa herdeira ao trono e tudo indica que tem uma formação muito superior a tudo o que Espanha já conheceu, o que é realmente importante no seu universo - todos os dias os espanhóis se perguntam, e bem, para que serve esta instituição - mas precisa de ser gostada pelo máximo número de espanhóis possível. E isso, realmente, não se herda. Ou se tem ou se trabalha. Parece estar a fazê-lo. 

Há um ano, Leonor fez o seu primeiro discurso e foi excelente para uma menina que ainda não tinha 14 anos. Melhorou muito este ano. Pelo meio ainda surpreendeu numa outra intervenção pública com um catalão perfeitamente pronunciado. 

Não é a princesa das Astúrias, do alto dos seus quase 15 anos (completa-os a 31 de outubro), que pede para fazer discursos públicos. É o momento que se vive em Espanha e a fragilidade da própria Coroa que a estão a empurrar. Na Coroa estão a usar tudo o que está ao seu dispor. Depois da princesa plebeia, obstinada e com ideias próprias, veio a família feliz. Agora chegou a hora de mandar para a frente de batalha a juventude. 

 

 

 

 

 

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