Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Estive a fazer limpezas e comecei no Twitter

Três tarefas importantes foram levadas a cabo nestas folgas:

- Pus o wi-fi a funcionar como deve ser em vez de passar os dias a queixar-me que estava uma porcaria e a desesperar;

- Atualizei o software e limpei mais de 240 ficheiros de qualidade duvidosa. Mais de 240. 240! Uma bandalheira que isto estava;

- Deixei de seguir o Trump no Twitter. Era o maior vírus de todos.

O meu gesto é insignificante, que é, mas estou aliviada e, mesmo pequena, sinto que fiz uma coisa mesmo bem feita. Primeiro, porque o inominável pode ter todas as contas que quiser e comunicar como bem entende, mas prefiro ler o que ele diz enquadrado pelo trabalho jornalístico dos meus colegas que acompanham a atualidade internacional. Se algum me tiver de ser eu a fazê-lo logo reverto e volto a acompanhá-lo. Para já não quero fazer parte das não sei quantas mil pessoas que o seguem. Porque do outro lado o que aparece é que sou uma entre não sei quantos milhões a quem a sua mensagem chegou, concordando ou não.

Nesta época de comunicação em rede, sinto muitas vezes que nos usam como figurantes num filme sem nos pedirem autorização. Nós achamos que contamos, que temos um papel (pequeno que seja), e não. Estamos ali a encher. É como seguir as Kardashian. Mal não faz, mas fará bem?

Mas, ao que ia, Trump. A política em relação a este homem -- um patife cuja honestidade está por provar -- tem de ser a do desprezo. DESPREZO total. E, sobretudo, as pessoas como eu, que podem não o ver, ouvir ou ler, não precisam mesmo de o ver, ouvir e ler. Não é que não queira estar informada, é apenas ter a descontração de poder dizer: se for mesmo importante, vou saber. Há de passar na televisão, alguém me vai avisar. Claro que ao escrever um post sobre isto estou a contradizer-me, mas, bom, queria mesmo pô-lo em palavras.

Quanto menos atenção se prestar a pessoas como Trump, melhor, como poderiam explicar, e bem, todos os italianos que tiveram de conviver com Berlusconi. O que digo tornou-se ainda mais evidente depois do magnífico discurso de Meryl Streep na gala de entrega dos Globos de Ouro (na nossa madrugada de segunda-feira). Ah, como gostei daquele discurso.

O problema, como falámos a Catarina e eu, a caminho dos Prazeres, para dizer adeus a Mário Soares, a única coisa que saiu desse discurso foi o aplauso daqueles que já concordam com ela e a oportunidade do inominável dizer que as celebridades podem ficar onde estão, porque ele está com as PESSOAS. E escrevia-o assim mesmo: com maiúsculas. Como se ele fosse a única pessoa preocupada com as pessoas. Como se ele realmente estivesse preocupado com as pessoas (a julgar pelos brancos milionários que tem convidado para os cargos da presidência).

A Catarina, que é cidadã norte-americana e está sempre muito atenta, falava-me de um artigo do Politico muito crítico em relação a este discurso, uma nova perspetiva para o que está a acontecer. Meryl Steeep queixava-se de Hollywood ser vilipendiada, assim como os estrangeiros e a imprensa, e é verdade. Mas ele já foi eleito, passámos essa fase. Chegou a hora de o julgar pelo que faz hoje, sem peninha de nós próprios. Sem pena das celebridades, que são atacadas mas podem falar e voltam para casas aquecidas, frigoríficos cheios e wi fi enquanto milhões de pessoas sem voz estão sem trabalho e simplesmente não têm qualificações para o que se segue. Os progressistas são o sistema. É bastante sufocante o que temos pela frente, e foi também nisso que me concentrei nesta despedida de Mário Soares. Ele fez muito pela liberdade e agora é a vez da minha geração pôr mãos à obra. Talvez pareça tarde, mas de certeza que não é. Soares tinha 49 anos e tudo pela frente quando chegou a Santa Apolónia naquele 28 de abril de 1974. Ainda se pode fazer muita coisa, portanto. É dessa muita coisa que fala Obama, não é?

"Já é uma mulherzinha", versão portuguesa

Guardarei este texto de Elvira Lindo, essa despachada escritora que tantas manhãs de domingo me animou, na qualidade de mãe de filhas, a quem um dia terão de ser explicados os factos da vida.

"Cada noche de Reyes, desde el año 74, me acuerdo de aquel extraño regalo que enseguida se haría familiar. A mí me quisieron convencer de que había ingresado en la vida adulta. En esa parca explicación estaba implícita, aunque yo no lo entendiera, la idea de que ya podías traer hijos al mundo. Yo me resistí, pese a la llegada mensual de la sangre, a dejar de ser niña. Esa resistencia marcó mi carácter y sé que para bien. Espero que la amenazante frase “ya eres mujer” haya sido desterrada del catálogo de consejos maternos. Es mortificante para las niñas".

Apetece-me escrever-lhe: minha senhora, sempre que a leio aprendo.

 

 

 

Um dia vamos lá. A casa dos Eames, em Los Angeles

Um dos meus grandes planos de vida é passar um mês nos EUA em família, de mochila às costas. Nos meus sonhos a Madalena tem 19 anos, Teresa tem 17 e Quica tem quase 15 -- há de ser lá para 2027, se a saúde e o trabalho permitirem -- e faremos a route 66, mas não apenas isso. Os meus sonhos incluem visitas que celebram a deliciosa pequena História, e, por exemplo, a casa de Charles e Ray Eames, ninho criativo de dois dos maiores designers do século XX.

008-charles-and-ray-eames-theredlist.jpg

Que eles são brilhantes já sabia. Bastava ver o número incrível de objetos e projetos que tocaram para perceber a espetacularidade do seu trabalho e, em caso de dúvida, é visitar a exposição sobre eles que está no MAAT, onde ainda por cima estão algumas cartas trocadas entre eles. Conheceram-se na escola de Belas Artes onde estudaram.

Foi no MAAT que descobri a casa que eles projetaram. As casas onde as pessoas vivem são fascinantes. Para mim, pelo menos. É voyeurismo e não é, já que se por um lado gosto de saber o máximo sobre o que pensam os habitantes, dispenso bem a sua presença, preferindo criar as minhas próprias narrativas. No caso dos Eames, interessou-me logo a casa por causa do sítio onde foi construída, em 1949: Pacific Palisades. Depois, o nome da própria casa: Case Study n.º 8. É toda em vidro, com alguns painéis coloridos (muito à Piet Mondrian), no meio dos eucaliptos, e com muitos vasos à volta.

72dfd2b5320a19d0b165e3e6c0b1155e.jpg

 

Se algum dia me dissessem "Lina, vais gostar de uma casa com vasos à volta" ria-me. Mas essa é a beleza da coisa. Tudo é possível, desde que bem usado. (Parece que as flores estão em vasos porque à volta só há eucaliptos, que são árvores com um feitio próprio e difícil). E também dá gosto ver que em casa dos Eames também era apreciada a mantinha em cima do sofá.

eames+house+interior-2.jpg

A coisa linda, mais linda não há, é que a casa está aberta ao público. Pode andar-se pelo exterior (10 dólares a partir dos 12 anos) e andar lá dentro a ver as prateleiras de livros e os seus objetos, que já é uma experiência que se faz pagar. Segundo o site, 275 dólares (1-2 pessoas) e, coisa curiosa, gente com menos de 12 anos está interdita. Quem quiser pode até fazer um piquenique a la Eames nos jardins, e ver partes da casa.

eames+house+interior.jpg

 

Crescer

"Passa a voar" e "Crescidos ainda dão mais preocupações" são as duas frases que os pais mais ouvem. Quando muita gente diz o mesmo a prudência aconselha que se dê ouvidos. E, aqui chegados, já posso dizer que sim, "passou a voar". Onde estão as minhas bebés que ainda ontem nasceram? Não tenho maneira mais poética de dizer isto, é mesmo isso: passou a voar.

Se crescidos os filhos nos dão mais preocupações, não sei. Ainda não sei. Não sei completamente. Sei uma coisa. Dantes as crianças davam muito trabalho. Ora era hora de comer (e atrasar-me era motivo para me estragar o dia), ora era hora de mudar a fralda, ora não andavam, ora não falavam, ora bastava uma corrente de ar para se constiparem. Nesse aspeto, como antecipei sempre, crescer é bom. A nossa vida melhorou imenso nessas coisas práticas. Não é que salte refeições, calma, ou que não trate das crianças, é que elas conseguem fazer mais coisas sozinhas, e, na verdade, é bom que façam mais coisas sozinhas. Mas dão preocupações... preocupações abstratas.

Tudo começa quando começam a aprender coisas fora de casa. Na escola, quase sempre. Esse foi o primeiro choque, mas, desde então, tem sido sempre a somar. E é mais do que isso. Descobrem sentimentos. Sentem tristeza, saudade, euforia, medo, amor e sentem necessidade de mentir ou esconder coisas, por razões que não conseguem partilhar com os pais. Por mais abertos e transparentes que os pais tentem ser (e eu tento retirar os preconceitos das minhas conversas), há zonas que são só dos nossos filhos e em que nós temos de ficar fora. É nomal, eu sei. Fico feliz quando tomam decisões sozinhas, quando têm opiniões ou quando dão ideias melhores do que aquelas que tenho, mas... bom... custa-me. Custa-me mesmo que isso conleve alguma espécie de sofrimento que não posso impedir. 

d1edc9a935b0754f4f4fd46b4b00c171.jpg

Daqui

Pág. 2/2

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D