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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Rui Sinel de Cordes, uma pessoa como as outras todas

Rui Sinel de Cordes merece que nos escangalhemos a rir quando diz piadas com piada, merece ser criticado quando pisa o (nosso) risco, merece palmas ou assobios, conforme os casos, veto até, se acharmos que ofende. Podemos dizer o que quisermos, mas não nos podemos surpreender quando os outros não acham assim tanta piada. Ultimamente só ouço falar dele porque ataca jornais que o atacaram e agora ameaça deixar o Facebook (?!) porque disse uma piada qualquer sobre as pessoas que morreram em Orlando (e que, sem surpresa, ataca a comunidade gay) e caiu mal. Ponto 1, se quer sair no FB não ameace, saia. Ponto 2, para quem se dedica a rebaixar os outros através do humor e, quase sempre, pessoas em posição de maior fraqueza social, revela uma extraordinária e ausência de humor. Vai ter de aprender a conviver com a crítica. Ele faz humor, os outros fazem opinião a sério. E, acrescente-se, eu até acho que Rui Sinel de Cordes (RSC) consegue ter muita piada. Infelizmente, parece que alguém lhe vai ter de dar a novidade: é uma pessoa como outra qualquer.

 

É fácil fazer humor com ricos, arguidos (incluindo Ricardo Salgado e Sócrates), gente do futebol, políticos de direita e do PS, Manuel Maria Carrilho, igrejas e raças. Quero ver a mesma coragem aplicada a Ricardo Araújo Pereira, Pacheco Pereira, Belmiro de Azevedo, Pinto Balsemão (e não é na SIC, em dia de galazinha e chamar-lhe o "senhor do bolo", reforçando que ele é que manda), ao administrador com o pelouro de programas da RTP, os Radiohead e o cartaz do Alive e pobres e o Ricardo Salgado quando ele era o Dono Disto Tudo e ninguém sequer se atrevia a dizê-lo. Quero ver essa valentia aplicada a Jerónimo de Sousa, a Catarina Martins, às irmãs Mortágua, à voz de alguns deputados (estou farta de piadolas com a voz da Heloísa Apolónia)... Quero ver, porque francamente tem estado fora das piadas. E, por uma vez, quando aos humoristas se lhes pergunta pelos limites do humor, admitamos que não estamos a falar da morte (há assunto mais rísivel?), mas daquilo que nos põe comida na mesa. Quero ver como fazem piadas dos seus pares. E, pesando todos estes aspetos, tenho de considerar que João Quadros, maluco como é, continua a ser o que vai mais à frente...

 

(Por acaso, depois de ter escrito este post, chegou ao meu conhecimento que RSC emitiu ontem um comunicado, respondendo aos seus críticos, e reforçando as minhas convicções. Gosto imenso de ter razão.)

 

Rumo aos 40. #15 (retificação)

A minha amiga Catarina fez uma reclamação sobre a última quinta-feira. Diz ela, e com razão, que treinamos juntas e que foi bom. Tem razão, estava insensível e quis ter um momento de auto-comiseração. Sim, malhámos como condenadas. E foi uma maravilha. (Queres ver que todos os dias têm mesmo a sua centelha de luz e esperança?)

Rumo aos 40. #15

A Francisca apanhou escarlatina. Ao febrão da noite seguiram-se as manchas no corpo, o ter de ir ao médico, o antibiótico. Ter de ir buscar uma segunda via do cartão do telemóvel, tentar apresentar queixa na polícia, sem conseguir, porque entretanto se fizeram horas de dar o remédio à pequenina e ir buscar as manas à escola.

O meu plano de encontrar uma coisa boa para cada dia do mês sofreu um golpe. Na quinta-feira, por mais que pense, nada de bom aconteceu. Exceto, talvez, continuarmos vivos e juntos, o que não gostaria que fosse trazido para aqui como "coisa boa", porque se uma pessoa também começa a pedir tão pouco à vida, algo vai mal.

Talvez seja preciso aceitar, e aceitar sem drama (que é o que custa), que nem todos os dias são perfeitos.

Além disso, este ano confiei demasiado na sorte. Achei que todos os dias me trariam alguma coisa de interessante e isso simplesmente não é assim. Temos de nos esforçar um pouco para ser felizes.

Rumo aos 40. #14

Despedi-me da Vânia pouco depois das 19.30, dei uma corrida para apanhar o elétrico e assim que as portas se fecharam abri a mala para tirar o telemóvel e responder a umas amigas no Whatsapp. Começo a remexer entre cadernos e agendas e ver o filme à minha frente. O pedinte que nos pôs um papel à frente enquanto estávamos na Padaria Portuguesa, deixando o telemóvel em cima da mesa, tinha-o levado. Aquele telemóvel da capa cor de rosa que o meu marido odiou? Foi-se! E, depois, é aquele sentimento de impotência que só quem já foi assaltado conhece . Agravado por isto ter acontecido nas minhas trombas.

E, como se ser roubada fosse pouco, a seguir veio a parte demencial: voltei para trás, ao café, confirmar se por acaso não estaria a fazer filmes, e acabando por ser informada que isto é prática recorrente. Como não consegui nada ali, desatei a correr as ruas do Cais do Sodré, esgazeada, à procura do homem e dos seus dentes de ouro, o homem um chapéu. E depois ia caindo em mim. Bastava tirar o chapéu e já seria difícil reconhecê-lo. Mas a acreditar que ia conseguir. E a entrar em tascas, com um ar tão tresloucado que até as pessoas que lá estavam, e não tinham aspeto hipster, urbano, cool (to say the least), pareciam desconfiar de mim.

Por essa altura, eu estava capaz de incapacitar o senhor à porrada se o encontrasse.

Eram 20.30 quando voltei para casa, depois de ter olhado para todas as pessoas com calças castanhas clara e mala à tiracolo pelo Cais do Sodré. Finalmente, sentia-me estúpida. E, mais, agradecida por não ter encontrado o sujeito, aliás, o cabrão, que desligou logo o telefone. Como pude achar que o ia encontrar? E encontrando, o que ia fazer? Persegui-lo? Bater-lhe? E ainda que por, mera hipótese, se o tivesse encontrado e lhe tivesse dado o ensaio de porrada que ele merecia, e a polícia me prendesse? Seria lindo (sem ter graça alguma). Porque um crime, claro, não justifica outro. Isto na hipótese, algo remota, de me consegur vingar na hora e não fosse ele a chinar-me a cara.

Enfim, o caso é que além de enganada, humilhada, e sem o meu querido telefone, ainda me senti totalmente idiota.

O que, no entanto, não me impede de dizer que houve uma coisa muito boa neste dia: o convite para o evento do ano já cá canta. Always look on the bright sight. Mas não é só por isso. É porque, realmente, se pararmos para olhar para os grandes ciclos em vez de nos ficarmos pelos pequenos eventos, dentro de 20 anos talvez já nem use telemóvel, mas eles sim serão uma história para contar.

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PS: Estes noivos divertem-me imenso.

 

Rumo aos 40. #13

Lourenço, o bebé-milagre.

E, embora já tenham feito o favor de estragar a beleza deste conto de fadas (aqui um texto que procura contextualizar a situação, refutando a tese de que o pai terá rejeitado a criança), continua a ser um daqueles momentos em que uma pessoa se tem de render a tudo o que não entende.

 

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