Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

É preciso ter muito pouca sorte

No dia em que o Sapo escolhe destacar um dos meus posts, escrevi a palavra brunch. Brunch, uma das palavras mais embaraçosas que entrou no nosso vocabulário. Pensei vir cá mudar mas estive um bocado ocupada a limpar o gregoriado de altíssima qualidade que a Teresa deixou no nosso carro este fim de semana. Aconteceu depois deste post. Se fosse antes eram 4 coisas imensamente boas, claro.

"Eu não vou beijar sapos"

Princesa-Sapo.jpg

A Francisca entrou na cozinha e declarou: "Não vou beijar sapos". Bom, foi mais qualquer coisa como "Não vou beizar xapos", resultado de ter estado a ver "A Princesa e o Sapo" com a Teresa. Vinha com um ar muito decidido, que é o que dá ainda mais piada à sua afirmação, mas não se pode dizer que seja novidade. A Quica é sempre de uma grande convicção. "Vou dormir!", "não quero sopa", "não quero calças". Cá em casa, adora brincar com as suas Barbies, traz as suas louças e comidinhas e faz grandes banquetes. Alinha com as irmãs nas suas brincadeiras com playmobil e pinypons, mas nada a entusiasma tanto quanto os vídeos do youtube. "Princesa Sofia", "Miles do Futuro" e, especialmente, os vídeos em que colecionados de brinquedos mostram como os montam e brincam com eles. Estamos muito habituados a ouvir esta frase cá em casa: "Hi, guys. Disney collector here!". Mais do que desenhos animados só o ballet. Se pudesse, a Francisca ia com o tutu para a escola, dormia com ele e de sapatilhas calçadas.

Gosta de ser a última a ir dormir e agora já pede para ler um pouco. À sesta, quando tem sono, vai para o quarto, abre a cama e deita-se sem dizer nada a ninguém. Os nossos momentos de verdadeiro stress são à hora da refeição. Já come o prato principal mas para a convencermos a engolir três colheres de sopa é preciso muita chantagem e ralhete. "Se não comeres a sopa, vais para a cama". O que acontece é que quando a Teresa está nos seus dias de não querer comer, é a Francisca que se zanga e lhe abre os olhos. "Queres ir para a cama?".

Três coisas imensamente boas

1. As eleições presidenciais são no próximo domingo. Que alegria (adoro votar!), que alívio (a campanha está a ser penosa!). Apercebi-me há meia hora que já falta pouco.

2. Amanhã é sábado e na terça é domingo.

3. Manhã de hoje: Lina a correr, António de bicla. Foram muito crescidos e fizeram brunch em casa. Eis o tipo de pessoa que eu gostava de ser. A que faz exercício em família e comida tão boa que nunca achamos que ir ao restaurante é melhor. E que poupa mais uns euros para as férias.

beatriz milhazes.jpg

 [Gamboa Seasons: Spring Love, 2010, part 4 of 4, da brasileira Beatriz Milhazes]

 

 

 

Declararam morte aos Stan Smith...

Parece que a Vogue americana declarou a morte aos Stan Smith. Em seu lugar devemos calçar Nike Cortez. Este modelo:

a8a8e178bf4f660ccac9279daabccdff.jpg

Não digo que não venha a gostar disto, mas não vou arrumar uns ténis que adoro só porque a Vogue diz. Nem eu nem ninguém e é nestas coisas que as revistas de moda andam a falhar há anos. Com a mania que basta dizer qualquer coisa e que ela acontece. Como agora a Nike quer impingir estes ténis, vai a Vogue e acha que sim, que é o que temos de usar. Isto (já) não funciona nada assim. Usamos coisas que gostamos e que achamos giras e que nos vão bem para a vida e mais nada. Por isso é que, por mais que tenham querido tirar-nos as calças de ganga e os All Star nunca conseguiram. Mais depressa será porque a Kim Kardashian usa... Mas, pronto, isto se calhar sou a eu a ser otimista e há malucos que agora vão a correr comprar estes Nike Cortez só porque a Vogue diz.

A pequena patinadora

Umas semanas antes do Natal, estes patins cor de rosa aterraram no quarto da Teresa. Primeiro estiveram ali parados sem que lhes ligasse muito, à espera de um momento propício para serem usados. Os dias foram passando e um dia ela calçou-os. Dois dias depois, patinava. Não sei como o fez, não sei como percebeu o truque, mas sei que começou a rodopiar pela casa. Da sala para o corredor, do corredor para a sala de jantar que dá com a sala de estar e de novo no corredor, até se tornar óbvio que sabia andar de patins. Um dia estava a sair da cozinha e vi-a cair. Estatelou-se ao comprido, pensei que ia desatar a chorar, mas não. Levantou-se sozinha, equilbrou-se e continou a andar pela casa fora. Cheia de confiança, dobrando-se, inventando piruetas, fingindo que anda só com uma perna. Surpreende-me e sinto um orgulho enorme. Era esta parte que queria escrever aqui.

Às vezes, a Teresa queixa-se de falta de atenção e que não lhe ligamos. É um mito. Não sei onde é que ela ouviu tal coisa, mas de vez em quando faz essa chantagem, que a estatística facilmente desmontaria. Na verdade, temendo que sofra de falta de atenção, damos-lhe mimos extra. Em todo o caso, ela tem razão numa coisa. Não existe o frissom das primeiras vezes, aquele misto de angústia e de excitação com uma coisa nova. Nem para o bem (o primeiro dia de escola) nem para o mal (para ralharmos). No entanto, em muitos aspetos, apesar de (ainda) não entender, a Teresa sai beneficiada porque temos mais paciência, como o pai notou há já muito, muito tempo. "Estamos menos em cima dos segundos filhos e isso, paradoxalmente, joga a favor deles". Infelizmente, a Teresa ainda é muito pequena para perceber estas nuances, e é também por isso que eu valorizo mais quando ela é a primeira em alguma coisa. Especialmente, uma coisa que nem eu própria sou capaz de fazer (nem de ensinar).

Ela surpreendeu-me no dia em que a vi fazer rabos de cavalo com uma segurança de adolescente ou quando descobri que ela já sabia fazer laços nos atacadores. Agora, os patins. Tenho tanto tanto orgulho que não consigo explicar. Tenho orgulho quando elas aprendem o que é suposto (porque alguém andou a ensinar) mas fico ainda mais feliz quando percebo que podem correr em pista própria e aprender, bem, coisas que não ensinámos. É qualquer coisa assim. E, sim, Teresa, sinto que tenho de dizer ao mundo todo: ANDAS MUITO BEM DE PATINS. (E acho que vais gostar muito de o saber).

 

Sly, o meu herói

Melhor ator secundário_Stallone_Creed.JPG

 Deita-se uma pessoa tarde e até tira umas notinhas sobre a passadeira vermelha dos Globos de Ouro pensando que na manhã seguinte se vai dedicar a fazer galerias de senhoras bem vestidas e vem o David Bowie e tira o protagonismo todo ao Sylvester Stallone. O Stallone é aquela pessoa que a gente acha um bocadinho azeiteira mas não consegue deixar de gostar. Eu não consigo, admito a incompetência. Adoro o Rocky IV, o primeiro que vi ( e é tão mauzinho, senhora de Fátima) e adoro o Rocky, óscar de melhor filme de 1976. Parece impossível: passaram 40 anos desde aquela subida de escadas (Adrieeeeeeenne!). Também adoro o "Demolition Man" e, há que dizer, o senhor conquistou-me o coração no "Tango & Cash" graças a esta deixa: "Rambo is a pussy". E agora parece que tenho mesmo de ver este "Creed: O Legado de Rocky". As críticas surpreenderam-me, ela diz bem, outras pessoas também e, como se fosse pouco, e o globo de ouro para melhor ator secundário fosse coisa pouca (ovação de pé e tudo), ainda me leva as três filhas para a cerimónia juntamente com a mulher. A senhora Jennifer Flavin Stallone tem 46 anos (dei-me ao trabalho de ir ver) e está uma brasa. Pode até ser tudo plásticas, mas, nesse caso, passem-me o contacto desse médico. E as miúdas? 19, 17 e 13 anos. Sophia Rose, Sistine Rose e Scarlet Rose. Um amor!  E para se ver como ando longe das revistas cor de rosa nem me dei conta que havia uma terceira criança metida ao barulho. É sempre um gozo vermos estes miúdos, cujo nascimento ainda temos presente, aparecerem adolescentes e tão crescidos. Borboletas saídas das crisálidas.

Há sempre aquela notícia que nos diz que o ano começou

É esta: David Bowie morreu. Não é que eu fosse uma grande grande fã, só gostava, ao contrário do outro adulto desta casa. Mas toda a gente sabe o valor que tem e por isso estamos tristes. É um dia triste. Estamos tristes porque um músico morreu. Fico sempre espantada quando estas coisas acontecem. Como podemos ficar tristes quando morrem pessoas que não conhecemos? Ou será que é porque afinal os conhecemos? Ou porque as nossas memórias são cada vez mais apenas memórias?

Uma fotografia:

3thin-wite-duke5.jpg

Ou, acrescento, é o meu espanto perante a notícia bombástica. Quem esperaria que tal coisa acontecesse? Não andámos a ler notícias sobre o seu sofrimento, não houve comunicados sobre a doença. Num dia ele é o camaleão que se reinventa em mais um disco, no outro morre. O produtor de Bowie, Tony Visconti, diz que a sua morte é como a sua vida: "uma obra de arte".

 

Um modesto contributo sobre a crise que vai nos meios de comunicação

Ele era o diretor da revista cor de rosa do grupo editorial para onde fui trabalhar em 2000. Estávamos em publicações diferentes e pisos distintos mas contava-se esta história: ele escrevia um texto por semana - o editoral - na máquina de escrever e depois a secretária passava-o a computador. 2000, aquele ano em que as redações funcionavam com computadores e a Internet já não era só recreativa. Mas em que um diretor ainda podia usar a máquina de escrever (espero que elétrica) e a Internet só existia num velho computador de canto porque seria, com certeza, motivo de distração entre os trabalhadores.

Já, então, era patético.

 

Bons textos sobre o assunto (mesmo não concordando com tudo): Alexandra Lucas Coelho e Pacheco Pereira.

 

E acrescento uma entrevista (minha) de 20 de setembro de 2009 ao investigador Jeffrey Cole que vaticinava o fim dos jornais e o crescimento das televisões. Um texto que, aparentemente, só a Cofina e o Económico leram:

A televisão vai crescer, os jornais desaparecer

Jeffrey Cole tem passado os últimos dez anos a estudar o comportamento de utilizadores de internet e telemóvel, e tem boas e más notícias para o mundo dos media. Segundo o estudo mundial que tem levado a cabo anualmente em 30 países, com 60 mil pessoas (duas mil das quais em Portugal), a televisão e os conteúdos para televisão vão continuar a crescer, os jornais têm os dias contados. "Na América, têm cinco anos. E em Portugal, embora não seja um especialista[a coordenação é de Gustavo Cardoso, do ISCTE], diria que em 10, 12 anos vão desaparecer aqui também. Sobreviverão uns cinco ou seis nos Estados Unidos, dois ou três em Portugal", afirma o investigador americano do Center for The Digital Future (CDF) da University of Southern California Annenberg School , orador convidado para abrir a III Conferência Anual da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que começa hoje. Tema sobre a mesa: 'O Futuro da Mediasfera. O Impacto da Regulação'.
Banda larga e móvel são o futuro, responde Jeffrey Cole, vaticinando o fim da maioria das publicações em papel. Nesse ponto, as realidades americana e portuguesa tocam-se. "Eu acredito que as notícias vão sobreviver, mas vamos ver o fim dos jornais. Há 30 anos os adolescentes não liam jornais. Começaram quando tinham 20 e 30 anos. Hoje os adolescentes não lêem jornais e não vão ler. A má notícia é que sempre que um leitor morre, não é substituído", comenta. As razões para o fim? "É uma combinação de falta de publicidade - e a recessão fez danos consideráveis na publicidade, de facto - e sustentabilidade".
Cole acredita que a 'sustentabilidade' e o 'verde' jogarão um papel fundamental num futuro próximo. "As pessoas vão olhar para jornais e dizer que são poluidores. O que nem é verdade". O que nem é verdade, acrescenta: "Os jornais são feitos em papel reciclado. Sentar-se em frente a computador parece totalmente 'verde', mas um dos maiores poluidores da América é a Google, porque tem quintas de servidores, com centenas de milhares de servidores a gastarem electricidade", observa. Acresce ainda, diz Jeffrey Cole, que "as pessoas estão a sentir-se mais confortáveis a ler digitalmente". E nota: "Hoje [ontem], o Kindle ficou disponível".
Como viabilizar o negócio na Internet e no telefone é, porém,a grande questão. "Não temos respostas perfeitas para isso. Rupert Murdoch decidiu que está cansado que as pessoas vejam os conteúdos à borla e vai tentar cobrar por eles Vamos ver quanto é que as pessoas estão dispostas a pagar. Sabemos que nos grandes jornais, 70 por cento do orçamento vai para o sector da distribuição, só 30% vai para os redactores e editores. Quando os jornais desaparecerem, 70% dos gastos desaparece também. Significa que um jornal que tinha de ter um lucro de um milhão de dólares, para ficar no mesmo nível deverá ter 300 mil. Mas tem de os ter a mesma e não vou minimizar este 'fardo', porque, por enquanto, os dólares da publicidade são cêntimos digitais", analisa.
Apesar do movimento de "grande consolidação", e apesar de os blogues e o YouTube serem "fascinantes", Cole acredita que "a maior parte das vezes não sabemos se podemos confiar e as pessoas estão a descobrir que os jornalistas são valiosos". A publicidade dirigida é a outra chave do mistério, diz. "Num mundo perfeito, teremos publicidade que não é intrusiva, mas totalmente dirigida para nós".
Cole admite que nos dez anos que leva deste estudo, nascido porque o investigador se convenceu, no final dos anos 90, que "a internet e os telemóveis iam ser ainda mais poderosos do que a televisão" tem mudado bastante de opinião. Espera errar algumas previsões e remata, parafraseando Andy Warhol: "As pessoas não querem 15 minutos de fama, querem 15 mega bytes de fama"

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D