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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Sobre igualdade (sim, sim, eu sou uma chata)

Esqueçamos essa coisa do acesso aos locais de trabalho, de termos salários iguais e de lutarmos por uma contratação por mérito -- todas importantes mas insuficientes. O que inquina a chegada das mulheres ao poder é, basicamente, a desigualdade na divisão das tarefas domésticas. Entre casais, entre filhos... Essas coisas pequenas e aparentemente nada importantes (ou que nos querem fazer pensar que são pequenas e nada importantes). Fazem toda a diferença e até na Suécia estão preocupados com elas. Depois de anos de trabalho, desde os anos 70 que andam nisto, começaram a olhar para casa. Estão cada vez mais preocupados com o que se passa da porta para dentro. Como se organizam essas "empresas" que são as famílias? Aqui está, a propósito, uma leitura obrigatória e os resultados de um fórum sobre igualdade que aconteceu em Bruxelas. Foi em abril, mas vamos sempre a tempo de aprender qualquer coisa.

Sob outra perspetiva, mas dentro do género, mortinha pela estreia de "Que Horas Ela Volta?", o filme da realizadora brasileira Anne Muylaert, que fala sobre as relações das famílias com empregadas domésticas. Soube da existência via Jout Jout, fui à procura do trailer e... bum... foi uma "chapada na cara". Ainda não vi o filme, já li muito sobre ele. Li as entrevistas que a autora deu no Brasil, a que dá ao DN, li a opinião publicada sobre o assunto, espantei-me com o facto de ser tema recorrente no cinema brasileiro (há até algumas novelas que abordam esta relação patrões-empregadas domésticas e se pensarmos bem faz todo o sentido) e penso que está na hora de pensar sobre estes assuntos. O filme ainda não tem data de estreia em Portugal (é o que me dizem), mas vai chegar, distribuído pela Alambique Filmes (hossana). Quem viu diz que vale a pena. Não é por acaso que é o filme que o Brasil quer como candidato aos Óscares.

 

 

Faz um ano que comecei a correr

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Foi na segunda-feira depois dos anos da Quica, há um ano. Devia estar com uns sentimentos de culpa brutais por me encher de açúcar e comecei a correr. Quinze minutinhos. Na semana seguinte uns 20 ou 25, depois meia hora. E assim quase todos os dias durante um mês. Sempre que tinha 15 minutos corria. Podiam ser duas vezes num dia. Podiam ser apenas 3 quilómetros. Mas corria. Um dia corri para ir comprar um laço à Madalena num mercado no Altis. Quando voltei tinha corrido 5 quilómetros. Eram uns 35 minutos nessa altura. Outro dia corri cinco quilómetros seguidos até à Fundação Champalimaud. Voltei a pé. Na vez seguinte, corri os 5 quilómetros, parei para respirar, ia voltar a pé mas pensei "não estou assim tão cansada" e continuei a correr. Corri os primeiros 10 quilómetros. Lembro-me de postar uma foto e escrever "acho que preciso de partilhar isto". O Instagram diz que foi há 47 semanas. De então para cá, nunca mais houve uma semana em que não tivesse corrido.

 

PS: Hoje já corri 5 quilómetros em 27 minutos. Só para abrir a pestana.

 

 

 

Um dia vamos lá: Mount Vernon e Monticello

Se contasse todas as minhas viagens de sonho precisa de outro blogue. Os destinos que quero conhecer são pouco ou nada exóticos, mais bem curiosos, algo simbólicos. Vibro com um grande monumento como o teatro La Scala ou a catedral de Milão (tinha 13 anos quando os vi pela primeira vez) como com os pequenos marcos da história: a rua do primeiro filme, em Lyon, onde, efetivamente, os irmãos Lumière filmaram os operários a saíram da fábrica, ou, em Barcelona, aquele prédio que ostenta uma discreta placa que diz: aqui foi feito o primeiro iogurte Danone (isto existe, juro pela minha vida).

Na minha lista de viagens de sonho-sonho estão três grandes viagens, um mês ou mais cada uma: EUA, Argentina e Brasil. Também gostaria de conhecer a Ásia, mas as minhas grandes viagens de guardar no coração são estas. Podia dizer que é como se procurasse respostas nestes países, e é, um bocadinho, sei lá eu porquê, mas a verdadeira razão é a pura das curiosidades -- ver Europas tropicais, acho que é isso.

O plano é pegar no pai e nas crianças e partir à aventura. Mount Vernon e Monticello, as casas coloniais que habitaram George Washington e Thomas Jefferson são um dos locais que quero ver. É uma visita meio política, meio cinematográfica, à procura de Tara, armada em Scarlett O'Hara.

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(As fotos dos locais foram encontradas nos sites oficiais das casas, monumentos abertos ao público todo o ano.)

#umdiavamosaosEUA

Vota Costa. Vota Quica Costa

Faz três anos hoje e é perfeita. De muito mais maneiras do que aquelas que consigo dizer.

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Para lá do nascimento, um dos meus momentos preferidos dos seus primeiros dias de vida da Quica será sempre aquele dia em que me ausentei por segundos e deixei as irmãs a olhar para ela. Começo a ouvir a Madalena, então com 4 anos: "Não é assim, Teté". A Teté tinha dois anos e três meses. Estavam a tentar tirar a irmã do berço!

A Quica é o meu bebé-prémio. Depois de dois nascimentos muito enervantes (um mais que outro, é certo), ela chegou perfeita e já quase crescida para mandar nisto tudo. Confirma-se aquela velha ideia da tese, antítese, síntese. Veio para nos dizer que as mesmas características combinadas de outra forma resultam em outras pessoas.

O meu bebé deixa hoje de ser bebé, embora para mim continue a ser "a pequenina".

Aninha-se no meu colo quando está murchinha, mas parece nunca querer miminhos de ninguém.

Diz "a mamã é linda" e "o papá é meu", sempre muito assertiva. Quando é das primeiras a acordar pega na saia da escola e quer vestir-se sozinha. Só sabe as cores se não lhe perguntar (traz-me o prato verde e ela traz; pergunto: de que cor é o prato e fica calada). É o meu bebé furacão. Que grita se lhe tiro o tutu ou os vestidos pirosos. É o meu bebé-vampiro com os seus caninos grandes, à vista quando se ri às gargalhadas.

É o meu bebé que canta o "Let it Go" metade em inglês (tenta!) e em português. Adora a Princesa Sofia e o Jake. Sabe que o "Gancho é mau" e que chama às irmãs as "manenas".

Olho para ela e para as irmãs e penso que a minha filha do meio era mais nova do que é hoje a Quica quando a mana nasceu. E a mais velha era pouco mais nova do que a Teresa hoje quando se tornou, pomposamente, a irmã mais velha. Há pior, muito pior (seres o mais velho de três irmãos e teres 4 anos, conheço!), mas foi uma loucura. Sem a muita ajuda que temos teria sido impossível sem endoidecer. Mas também foi ótimo, porque há uma cumplicidade mesmo grande entre as três. Desse tipo de amizade e companhia que faz com que nas férias raramente procurem a companhia de outros meninos para brincar.

 

 

O último dia como pais de bebés

No outro dia precisamos de dodots e não havia. Há uma semana que tinham acabado e não tínhamos comprado mais porque agora só os usamos quando saímos ou para limpar os sapatos ou outra coisa qualquer. Não ter dodots é o primeiro sinal de que estamos a ficar sem menores de três. É uma daquelas pequenas alegrias que temos.

A outra vantagem de não ter bebés é que podemos comer tudo em quase todo o lado. É podermos fazer viagens de carro mais longas e ir ao cinema em família. Sem bebés a vida é maravilhosa porque basta falar e eles entendem. Estamos numa festa de anos e eles divertem-se sem ajuda.

É ótimo ter filhas tão crescidas.

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Mas então por que raios me sinto melancólica e triste? Porque é que em apetece agarrar a Quica e chamá-la de meu bebé?

Tanto para fazer, tão pouco tempo: a ponte 25 de Abril

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Nunca me canso de ser jornalista porque somos premiados (apetecia-me mesmo dizer abençoados) com trabalhos espectaculares. Foi o que me aconteceu na sexta-feira: fui visitar por dentro a Ponte 25 de Abril, a propósito das Jornadas Europeias do Património, e tirei esta foto nas escadas que ligam o tabuleiro ferroviário ao dos carros. É uma visita gourmet, como escrevi no DN de sábado. Só entram grupos de 18 pessoas de cada vez e são muito raras. Percebe-se. Entram três elementos da Infraestruturas de Portugal com cada grupo, andamos em filinha indiana no corredor de acesso aos comboios, vemos as escadas e locais de manutenção, andamos ali ao lado dos carros no meio da ponte, a 80 metros de altura. Se já tinha sido espectacular atravessar as duas margens a correr, andar ali com os carros por cima de nós é qualquer coisa. Esmaga (não no sentido literal, como é óbvio). A boa notícia é que amanhã abrem novas inscrições, desta vez a boleia da Open House, organizada pela Trienal de Arquitetura. Portanto, quem achar que é interessante (e é), é correr. Esgota num instante.

Agora, também é preciso dizer que não é para qualquer um (se é que as minhas observações contam para alguma coisa). Nas recomendações antes da visita diz-se que é preciso ter boa condição física e não estão a brincar. Subimos várias escadas. Bom, chamar-lhes escadas se calhar é demais. São escadotes! O primeiro dos quais ainda em terra firme -- uns 20 degraus. Parece canja, mas é puxadinho! O outro requisito é não termos vertigens. Mas ter medo de alturas já conta. Estive ali 10 minutos a fazer avaliações de vida, imaginando-me branca como a cal da parede, até me habituar a estar tão lá no alto. O truque é nem olhar para baixo! E não pensar muito naquela tremideira toda. Sim, novidade: sentimos que abana. Até o repórter fotográfico se meteu comigo. "Hoje não sais de perto de mim. Costumas ser mais independente!". A sorte é que depois uma pessoa se habitua e parece que toda a vida ali andou. E é simplesmente fabuloso.

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É aqui, do lado de Almada, que tudo começa. É obrigatório usar capacete, colete refletor e luvas.

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A 80 metros de altura, é tudo muito relativo.

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E uns vídeos do que está em baixo. Nem vi o que estava a fazer, tal era ainda o pânico. Atenção ao som. Também impressiona.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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