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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Fui à Meia Maratona de São João das Lampas e sobrevivi

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A menina de amarelo é a minha prima Susana - megacraque das subidas que me deu muito alento - e esta é, sem dúvida, a minha imagem preferida da prova. Talvez não se perceba mas é mesmo a subir. Adoro o sorriso da Susana e o meu rabo de cavalo.

Aqui há muuuuuuito tempo (uma semana e qualquer coisa) prometi-me escrever sobre a Meia Maratona de S. João das Lampas e até agora, depois de até já ter ido a outra corrida, nada. Uma pouca vergonha! Chego aqui agora já sem dores e só com as boas recordações. Por exemplo, tenho quase a certeza que numa das muitas subidas da prova prometi que nunca mais me metia noutra. Mentira! Já me imagino lá no próximo ano. Adorei a experiência, adorei ter concluído, adorei a organização (água a cada 5 km e muitos chuveiros espalhados pelos 21,1 km da prova), adorei as pessoas na rua a apoiar. Eram muitas mais do que é costume nas provas que já fiz e é agradável quando nos animam. "Elas correm mais que eles" foi uma frase que ouvimos muitas vezes. Nunca me tinha passado pela cabeça tal coisa, mas até consigo compreender a estranheza. Realmente eram muito mais os homens do que as mulheres (boa dica para quem andar à procura de companhia!)
 
De todas as provas com mais de 20 quilómetros que já fiz -- quatro!!! Contando com o trail Monte da Lua -- esta foi a mais difícil. O facto de ser mais ou menos "em casa" estava a dar-me cabo dos nervos. Porque uma coisa é falhar com estranhos, outra é falhar com conhecidos. Pura parvoíce. Vi pouquíssimas caras familiares. Acho que a maioria, como eu antes de correr, acha que a meia maratona é só uma coisa que atrapalha o trânsito e, por isso, as suas vidas. Até uma grande amiga minha, a quem cobrei não estar à porta, me disse que tinha estado a trabalhar e depois foi obrigada a esperar uma hora e meia antes de poder passar. "Como podes imaginar, estava um bocado f..... com a maratona". (Isto foi antes de me dar os parabéns porque ela também é um bom coração).
 
Compreendo, mas agora que sei do que se trata também acho que as pessoas podiam aproveitar a caminhada de 5 km para verem a sua terra de outra perspectiva. Verem, por exemplo, como tudo é pertinho.
 
Pessoalmente, além de notar como é linda a paisagem, achei a prova muito dura. As rampas são do demo mas, como em tudo, o corpo habitua-se. Bolelas, que me parecia impossível, revelou-se fácil. Já na descida do Sacário senti uma dor tão forte na perna esquerda que cheguei a desejar que viesse a subida dos 15 km. Mudei de ideias quando ela apareceu, o que me fez ter a certeza que mantinha a sanidade mental.
 
O último quilómetro parecia interminável mas ver o relógio marcar 2h15 foi uma alegria enorme. Sabia que tinha feito melhor do que na meia maratona de Lisboa, mas só quando cheguei a casa e fui ver os tempos tive a certeza. Menos 14 minutos em São João das Lampas, uma prova muito mais dura. Estava desejosa de ver aquele cronómetro de perto.

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Parece que estou a rir à chegada mas na verdade apetecia-me muito chorar. Chorar de alegria, de satisfação, até de raiva. Queria muito que as minhas filhas estivessem na meta, queria atravessá-la com elas, achei que esta era uma boa corrida para o fazer e não deu porque não tinham com quem ficar. É a vida! Possivelmente a dizer-me que tenho de repetir.

10 razões para votar António Costa

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1. Porque há 15 anos que anda a escrever sobre plafonamento, esse palavrão que há tanto tempo faz parte da nossa vida. 2. Porque sabe dar miminhos às filhas e é a única pessoa que as põe na ordem.

3. Porque faz arroz muito bem e é dessas pessoas que lhe basta aplicar-se um bocadinho e tudo lhe sai bem.

4. Porque se lembra sempre de mim, de nós.

5. Porque me faz rir (e adoro as suas imitações).

6. Porque é o melhor jornalista português (e toda a gente sabe disso).

7. Porque nunca vai ao supermercado, exceto quando há campanhas para o Banco Alimentar (nesses fins de semanas arranja sempre um pretexto da máxima importância para ir ao Pingo Doce).

8. Porque desde sábado que não faz mais do que pensar como pode ajudar a Aylan Kurdan Caravan, que vai levar ajuda aos refugiados que chegam às fronteiras da Europa.

9. Porque é um liberal empedernido que não suporta injustiças nem paternalismos com as pessoas que ganham menos só porque ganham menos. Mais subsídios de férias e de Natal e menos "pequenas compensações".

10. Porque sim, porque quando a porta de casa se abre e ele chega, me sinto feliz. Sentimos todas.

Parabéns, baby. I heart you.

Mas o que é que vou fazer à reunião da escola?

Aqui vou eu pelo quinto ano consecutivo ouvir as mesmas coisas: que os meninos cheguem a horas, que vão bem fardados, que os pais participem e etc. A conversa é a mesma todos os anos. Passei da excitação de mãe de primeira viagem para ser uma dessas irritantes mães que conhecem muitas outras mães e pais quando passam a entrada da escola. Essas mães horrorosas que fazem todas as mães estreantes sentirem-se como peixe fora da água. Exatamente como me senti há cinco anos.

Mas, então, porque é que apesar de não ir aprender nada de novo, e de até já conhecer todas as professoras (menos uma), me dou ao trabalho de ir: PORQUE ME IMPORTA. Importa-me tudo o que se passa daquelas portas para dentro, porque quero que saibam que me importam, porque no primeiro dia de aulas continuo a ter aquele friozinho na barriga, porque quero que elas gostem de andar na escola. E nesse departamento acho que a prova está mais que superada.

Acho que elas nem sequer acham que ir à escola é uma obrigação, é uma coisa que se faz como estar com os pais ou ir aos avós. Só assim se explica que até tenham ficado tristes de não ter ido às atividades da última semana ou que sintam genuíno entusiasmo em voltar. É uma fome que se junta à vontade de comer: ver outras caras e fazer mais do que vaguear pela casa e pela parque.

Portanto, nem pensar me faltar à reunião de pais. Prometendo ser uma boa mãe, que se lembrará de ter uma palavra de simpatia com os pais das crianças novas.

Uma cidadã normal olha para o debate Passos-Costa

Bom dia, é uma cidadã que fala. Estou com quase 40 anos, a fazer poupanças para a reforma cheia de medo que a Segurança Social falhe. Tenho filhas na escola, duas na escolaridade obrigatória (7 e 5 anos). A minha família tem uma pequena empresa, eu trabalho por conta de outrem. Pagamos barbaridades de impostos. Temos seguro de saúde para não termos de faltar um dia inteiro ao trabalho quando precisamos de ir ao dentista, aos oftalmologista, ao dermatologista e outros istas que consultamos anualmente. Tenho algum rendimento para férias e outros luxos. Faço poupanças para quando as minhas filhas forem adultas, preocupada com o facto de serem meninas e de as meninas ganharem menos do que os meninos. Creio que sou uma pessoa normal, com angústias (umas grandes, outras moderadas) com o presente e o futuro. É o que se espera, digo eu. Para pessoas como eu, em que me medida falar de tempos passados, da governação socialista ou da troika, me ajuda a estar mais informada para umas eleições?  Planos para a educação? Estado da justiça? Como melhorar a qualidade e o acesso aos cuidados de saúde? Garantias políticas de que casos como o BES não tornam a acontecer? Cortes no IRS? Menos impostos? Justiça mais célere? Como tornar a economia mais interessante e assim criar postos de trabalho?

Quase todas as estas questões podiam ter sido respondidas pelos candidatos a primeiro-ministro. Bastava que as quisessem ter conduzido nesse sentido, falando para as pessoas que vão votar. Não quiseram. Atacaram-se, falaram de grandes números, impossíveis de contrastar no momento ou tão mastigados que se tornam subjetivos, um trouxe Sócrates à colação (e esteve mal), o outro fez de tudo para não mencionar o seu nome. Nesses duelos imediatos, Costa ganhou, Pedro Passos Coelho mostrou-se muito mal preparado.  É só isto, e não adianta dizer que a culpa é dos jornalistas e das perguntas que fizeram porque simplesmente tentaram o melhor que podiam, sempre a tentar recentrar o debate e não ir para propaganda, sem grande êxito. Se era para isto, mais valia, digo eu, lançar tópicos e deixá-los atirarem-se às jugulares. Teríamos mais sumo? Duvido.

Afinal havia outra

Toda a vida padeci de não ter ninguém com o mesmo nome que eu. Era adulta quando estive num espaço aberto com outra Lina (por sinal aquela que inspirou os meus pais) e foi um stress a tarde toda. Sempre que ouvi "Lina" virava-me. Sentia-me isolada e só, lamentava a minha condição. Até que me inscrevi no Twitter, e, de repente, descobri que não só não era única como havia outra Lina Santos. Assim mesmo -- Lina Santos. Mexicana. Deixar de ser única já tinha o seu quê de "mas, então, quer dizer que não sou a única?", mas o pior é que a minha homónima é atriz. Popular. E fogosa. Ou, pelo menos, é nisso que acreditam os seus fãs -- só homens -- que me entopem a caixa do correio com mensagens escaldantes e declarações de amor. Hoje mesmo recebi uma foto tirada com um fã. Nem tenho coragem de responder e dizer que está a falar com a pessoa errada. Ainda me espalha isto e lá se vai a minha popularidade. É que, vale o que vale, mas segundo aqueles joguinhos para saber de onde vêm as pessoas que consultam o nosso perfil, depois de Portugal, é do México que mais visitantes chegam. Agora que me habituei à atenção... Não estou preparada para deixar de ser diva.

Eis a minha homónima:

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E ainda:

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 Diz que começou a carreira nos anos 80.

Não me lembro de pessoas da adolescência mas reencontrei uma menina da primária

O que torna acertada a ideia de nos desfazermos do que não interessa é abrir um saco de fotografias que veio da casa dos meus pais e encontrar uma dezena de fotos tiradas na adolescência num sítio que não sei qual é, nem dá para perceber (espetáculo de fotógrafa), com pessoas que me são vagamente familiares mas cujos nomes não recordo. Nenhuma daquelas pessoas, com quem pareço muito divertida, faz hoje parte da minha vida. Fiquei tão em estado de choque que larguei aquilo tudo como se tivesse peste. Pensei logo em deitar tudo fora. Mas, pronto, vou dar mais uma oportunidade. Hei de lá voltar com mais calma a ver se me faz luz.

Em compensação, consigo lembrar-me perfeitamente de episódios de quando tinha 8 anos. Já não está tudo perdido. Há uns tempos uma pessoa por quem tenho grande estima, aquela que anima qualquer jantar ou festa, disse-me que tinha frequentado a mesma escola primária que eu. Era apenas um ano mais velha, tinha de me lembrar dela. A nossa vida continuou mas a coisa ficou-me na cabeça, achei que ela só podia ser aquela menina muito branquinha e bonita que tinha ido numa viagem à Grécia. Lembrava-me perfeitamente deste detalhe, porque era raro as crianças viajarem e, acresce, já em pequena tinha esse plano de ser uma viajante incansável. Sei até o local onde esta conversa aconteceu, um canto específico da escola primária onde havia uma pedra grande que fazia de banco. Ontem perguntei-lhe e confirma-se. É mesmo ela. Catarina, sinto que fomos ao "Ponto de Encontro".

Traída pelo subconsciente, a redatora faz o seu mea culpa

Por acaso (só mesmo por acaso), escrevi uma coisa incrivelmente estúpida neste post. Parece que estou a dizer que as pessoas quando estão em casa só pensam em arrumar gavetas e preparar o ano letivo esquecendo o que se passa e não foi nada essa a minha intenção. Falava apenas de mim e como me deixo absorver por essas coisas e me esqueço da realidade. Estava assoberbada por um dia cheio de pequenos desaires domésticos, gritos para fazerem os TPC e para arrumarem os brinquedos, falhando quase todos os objetivos e acho que o meu subconsciente me traiu. Mas, posso garantir, o meu consciente discorda e, garante, não age dessa forma. 

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