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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Já estou inscrita para a Meia

Meia Maratona, podes esperar por mim.

Há-de aparecer por aí um dorsal em meu nome, graças ao senhor-meu-marido que se ocupou do caso.

Hoje informámos a prole. "Tu vais correr ali?", perguntou a Quica quando viu o anúncio na televisão. Estou a contar com o apoio desta malta.

Please, do not disturb: fim de semana!

Estamos sem planos extraordinários para o fim de semana. Recomeçam as aulas de inglês das miúdas ao sábado de manhã e estou com vontade de ir espreitar a This & That no Príncipe Real. Alguém conhece? Após telefonemas e trocas de mensagens, combinei uma boa corrida com duas amigas, antes de um jantar (socorro, o que é que visto?). Fora isso, só espero ter tempo para dormir, pôr as leituras em dia, terminar este livro e, já agora, lavar as vistas com coisas bonitas.

- Barcelona: 160 anos em fotos.

- Uma entrevista com Pawel Pawlikowski, o realizador de "Ida", o favorito ao Óscar para melhor filme estrangeiro.

- Roupa gira.

- Um artigo do caraças (como quase todos os Macroscópios), onde se compila tudo o que interessa e se fala, por exemplo, disto de prolongar a vida para lá do razoável.

- O que se passou na semana da moda de Nova Iorque, segundo Suzy Menkes

Se der conta disto tudo já me dou por feliz. E vamos esquecer tudo o que tenho ali um armário a precisar de ver um ferro de engomar porque dessas coisinhas, já se sabe, as meninas finas não falam (pode ser que me entre a vontade quando começar a Red Carpet dos Óscares). 

Até já, camarada

Ainda na semana passada tinha pensado na sorte que era nunca ter visto desaparecer um colega de trabalho próximo e agora acabou-se. O Albano morreu. Foi o meu primeiro editor quando cheguei ao DN em 2009 e lembro-me dele quando lá entrei, estagiária, dez anos antes. "Um jornalista sem caneta é como um xerife sem pistola", disse ele. Deve ter sido a única frase que trocámos nesses três meses, mas ficou. Sempre que vou à mala e não encontro nada com que escrever lembro-me dele. Discordámos muitas vezes (e sinto que o devo dizer), mas há coisas que ninguém lhe pode tirar. Era um tipo afável e uma pessoa culta. Sabia tudo sobre Espanha, sobre autores espanhóis... Na verdade, sabia tudo sobre tudo. Costumávamos dizer que ele se sentava para escrever um texto e não precisava de ir ao Google uma vez. Tinha 59 anos e uma filha mais ou menos da minha idade. Entre outras coisas, é demasiado cedo para perder um pai.

"A Teoria de Tudo", aquele filme que exige kleenex

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 Tinha a certeza que ia gostar de "A Teoria do Tudo" desde que li sobre ele em agosto do ano passado. Tinha tanta certeza que até assinalei na minha agenda a data de estreia nos EUA, em novembro, só para poder ler as críticas na altura. Estava mais pressionado do que qualquer outro filme este ano. A boa notícia é que esteve à altura das expetativas. Não saí da sala a achar que vai levar para casa o Óscar de Melhor Filme, mas gostei do Eddie Redmayne a fazer de Stephen Hawking e não acho que possa ganhar a estatueta de Melhor Ator só porque põe a cabeça de lado.

Não há nada como a história de uma pessoa importante contada por uma personagem aparentemente secundária, como é o caso da primeira mulher dele. Claro que sendo baseado num livro escrito por ela não esperava que fosse pintada como uma bruxa, mas ele também não sai muito mal -- o que pode ter a ver com o facto de eles terem hoje uma relação mais cordial do que nos anos 90, quando se separaram, ele se casou com a enfermeira e ela escreveu as primeiras memórias, "atualizadas" em 2007 (andei a ler sobre o assunto, andei).

Enquanto via o filme pensava o mesmo que, aposto, quase toda a gente na sala. Seria capaz de me casar com um homem que só tinha dois anos de vida? Aguentava tratar dele anos a fio enquanto  ia ficando cada vez mais doente? Tinha um filho? Dois!? Três!!? Seria tão resistente como Jane Hawking? Teoricamente, todos dizemos que sim, é a coisa certa, mas nunca sabemos até a carga nos cair sobre os ombros, não é?

A minha parte preferida? Ele não acredita em Deus mas se não fosse ela, que acredita firmemente, os seus triunfos científicos, que negam a existência de um Criador, não tinham acontecido.

 

O domingo em que corri 20 km

Se não fosse ela não me tinha metido nesta aventura de correr os 20 km de Cascais. Quinta-feira: "Se der, queres vir?". Sexta-feira: "Dá. Queres?". Tinha acabado de correr 13 quilómetros, julguei que aquele ia ser o meu treino grande da semana, mas não ia virar as costas aos 20 quilómetros depois de ter dito que era pessoa para experimentar. Portanto, drunfei-me com benurons no sábado, dormi bem e ontem lá estava. Com espírito de missão e pensando que se parasse ninguém me ia prender.

Levámos com chuva, um vento horrível, duas subidas que não sendo grandes moeram bastante, uma má gestão das expetativas (parecia que nunca mais se voltava para trás a caminho da meta) e os dedos dos pés dormentes. Telefonei ao António ao 17.º quilómetro a dizer que estávamos quase. Dizia a mim mesma "isto é menos do que as corridas de quarta e sexta, isto é menos do que as corridas de quarta e sexta". Foram os três quilómetros mais penosos que já fiz.

Concluir a missão só foi possível com incentivo. Começamos ao molho, mas aos poucos vamos ficando menos e menos, em grupos cada vez mais espaçados. Até mesmo uma pessoa estranha pode fazer toda a diferença. E foi assim que fiz a corrida ao lado da Ana e de uma pessoa que não conhecia de parte alguma (que achava que não conhecia de parte alguma). A certa altura aquilo parecia o Vietname: ninguém fica para trás. E conseguimos.

Fiquei bêbeda de felicidade no fim. As plantas dos pés estão doridas, tenho dores nos gémeos, nas coxas, nos braços, em todo o lado, menos na cabeça. Sinto-me tão contente que já acho que nem foi assim tão mau. Só consigo pensar que a vista é linda. Foram 2h12 bem empregues e, dedicidamente, vou inscrever-me na Meia Maratona de Lisboa de 22 de março.

As fotos posssíveis:

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Cara de quem nem sabe o que lhe vai acontecer.

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Amostra das vistas.

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Cara de pessoa feliz por ter corrido 20 km. Ou: cara de pessoa feliz e cansada, já com a banhoca tomada, prestes a celebrar  o acontecimento com uma pratada de sushi to sashimi, antes de tomar mais um benuron e ir trabalhar.

 

Finalmente, a verdadeira razão que me levou a Londres

Está plasmada na capa da revista Notícias Magazine e saiu hoje com o "Diário de Notícias" e o "Jornal de Notícias": a entrevista com Marcelino Sambé, o bailarino português que está no Royal Ballet.

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Não é assim tão simples mandar pessoas para fora para fazer entrevistas, mas desta vez os astros alinharam-se e lá fui eu. Foi um processo longo de negociação de datas com o Royal Ballet porque têm dias ultrapreenchidos e muito duros. E o Marcelino está a trabalhar em vários projetos ao mesmo tempo -- um deles é "O Lago dos Cisnes", que vai poder ser visto em algumas salas de cinemas  da Nos em março. Finalmente, conseguimos acertar dois dias possíveis. Terça ou quarta-feira do início de fevereiro. Comprámos bilhete na Ryanair, marcámos hotel e lá fui eu. Naquela segunda-feira, quando aterrei em Stansted e me pus a caminho de Londres só pensava: e se me cancelam tudo à última hora?

Não aconteceu. Aliás, a entrevista até foi antecipada uma hora em relação ao inicialmente previsto. Quanto ao Marcelino, podem atestar como é interessante pela entrevista publicada hoje, onde fala sobre a sua vida na companhia e em Londres. Tem um talento que não acaba e apenas 20 anos. Está claro que grandes coisas (ainda maiores) o esperam. Não é nada à toa que o "The Independent" o escolheu como uma das caras a seguir em 2015

Marcelino, que vivia no bairro do Alto da Loba, em Paço d'Arcos, tinha 16 anos quando chegou a Londres para estudar na Royal Ballet School e frequentava o Conservatório Nacional de Dança desde os 10, indo de comboio sozinho até ao Cais do Sodré e partindo daí para a rua do Século. Continua a trabalhar 12, 13 horas por dia. O resultado é soberbo mas há uma pergunta que me faço sempre: valerá a pena?

PS: Obrigada, Gata.

Está visto que as minhas crianças são umas básicas

Não há cá profissões, não há inovação, nada. Vão mascarar-se de ídolos Disney e mais nada.

A Francisca vai mascarar-se de Princesa Sofia, porque são os seus desenhos animados preferidos, é o que há cá em casa e a mãe quer (é uma decisão em que ela participou imenso), a Teresa há semanas que me pede para ir de Lãzinha, a ovelhinha bailarina da "Doutora Brinquedos". Tem um fato do Frozen, um fato de Cinderela, um fato de Bela e outro de rainha (estes dois já estão assim para o muito justo, há que dizer) guardados no armário e todo o santo dia me pede para vestir um deles, mas quer ir vestida com o maillot de ballet para a escola. Tenho tudo pronto há duas semanas, exceto algum pormenor de grande importância de que só me vou lembrar amanhã quando faltarem 5 minutos para irem para a escola (aquele 1% que me lixa sempre) e o lacinho cor de rosa que a Lãzinha (Lambie no original) usa. Esta manhã tentei convencê-la a improvisar com uma bandolete cor de rosa. Resposta: "Mãe, o laço está de lado. A Lãzinha usa no meio".

Já a Madalena surpreendeu-me. Pediu, e reiterou, que pretende mascarar-se de Elsa do "Frozen", porque, segundo a minha filha, ela é "desportiva". Uma gaja que me constrói um castelo de gelo com um vestido da Micaela Oliveira é desportiva que nem sei! Mas, pronto, quer quer. Quem sou eu para contrariar. Para mais agora que se anda a portar tão bem, que se veste sozinha de manhã, que tem feito tantos progressos na leitura e que tem andado tão calma, mais faltaria não lhe fazer este miminho. Vai de Elsa, com certeza, e até com maquilhagem. Há dois dias que me fala nisso. "Oh, mãe, temos de preparar a maquilhagem". Só não quer "macrivel". Rímel. E pensava que a Elsa usa blush azul nas bochechas. Foi preciso mostrar-lhe o desenho para se convencer que é um fato de princesa e não de palhaço!

A verdade, verdadinha: odeio o Carnaval para mim, dispenso por completo andar com elas mascaradas em Torres Vedras, Ovar, onde seja, mas adoro a ideia de irem vestidas para a escola. E mal posso esperar por vê-las com os disfarces. Está quase...

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