Tão querida e educadinha... ou então não
Coisas adoráveis que a Francisca, 2 anos e pouco, diz: - Mamã, piquenarmoxo [pequeno-almoço]. (Todas as manhãs, ao acordar).- Que pocaía... [porcaria] (Se alguma coisa não lhe corre de feição).
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Uns dizem que esta é a pior segunda-feira do ano, outros que isso é treta. Devem estar os dois certos. Não custa acreditar que janeiro seja o pior mês do ano no hemisfério do norte. Estamos em modo ressaca de comida, de compras, de dinheiro. Os dias são pequenos e escuros. Está frio e há mais probabilidades de estamos doentes. Como é que uma pessoa pode não se sentir em baixo? Sei do que falo (e parece que muita gente desse lado também, obrigada). Andei à procura de razões para este "estar em baixo" e não precisei de nenhum estudo científico para concluir que o cansaço tem sido um dos meus piores inimigos. Não é bem um cansaço físico, aí a corrida faz milagres, é mesmo cerebral. Uma incapacidade total de me concentrar. E quando uma pessoa está assim perde o triplo de tempo a fazer coisas simples, fica ainda mais cansada e mais desconcentrada e por aí fora... Comecei a procurar exercícios para melhorar o foco e encontrei um que recomenda que se comece por ler todas as palavras num parágrafo. Canja, certo? Errado. A quantidade de coisas que nos podem distrair...
Tive um dia mesmo blhec. Não fiz tudo o que queria, fui buscar as miúdas tarde, estou toda entupida, tenho a cabeça num bombo e, para remate, a Teresa conseguiu chorar e berrar desde a porta do colégio até casa, um percurso de cinco minutos que se prolongou por infindáveis e inolvidáveis 15, a chover. Já depois de ter gritado que isto assim não pode ser, de me ter acalmado e lhes dar banho, paro cinco minutos e descubro pelo Facebook que há quem tenha outro tipo de tardes. É aquele post que devia ter um autocolante a dizer "contém imagens explícitas de felicidade" que era para a gente já saber ao que vai e não ser violentada com a organização e aprumo alheios (ou ser, mas estar consciente). Não é nada contra o dia que mãe e filha parecem ter tido, menos ainda para a paciência de fazer bolinhos com plasticina, depois de ter vestido a criança como eu mandaria as minhas para os Óscares. Nada. Eu também adoro colecionar momentos felizes (e, afortunadamente, são a maioria). Mas quando estou a com a telha, prefiro que haja concordância nas redes sociais. Em dias blhec uma pessoa precisa de se sentir acompanhada.
PS: Por sorte, o dia terminou com um toque de brasa-a-bebida-que-aquece-o-coração: "Mãe, é verdade que se estou bem por dentro isso vê-se por fora?" (citando, não o especialista em motivação Gustavo Santos, mas Daisy, uma das personagens do elenco adicional da Doutora Brinquedos).
"Mas não quero daquelas que a Madalena não gosta, em forma de círculo. Quero daquelas compridas que são como uma perna, muito amarelos". Reflexões profundas da Teresa, aos 4 anos.
Se fosse a noiva:
Casava-me no Jerónimos com este trapinho da Selma Hayek-Pinault.

Cerimónia só no registo - Julia Louie-Dreyfuss. Muito digno.

Se pesasse 25 quilos e tivesse 1,90 era este da Louise Roe, quem quer que seja a senhora. Tem qualquer coisa.
Se fosse a mãe da noiva:

Dame Helen Mirren. Sempre a ensinar às mais gaiatas como é que se faz.

Lindo. Só mudava o cirurgião plástico, Catherine Zeta-Jones.
Sou uma convidada com muito estilo:
Felicity Jones. Adoro.
Anna Kendrick. Princesa Disney - adorável.
Lupita Nyong'o. Impecável.
Sou uma convidada alternativa:

Emma Stone. Tudo certo. Bué giro.
(Na versão inicial enganei-me no nome da atriz. Nada bué giro, isso).
Se fosse aquela convidada que gosta de manter o ar de slut:
E como é que se faz quando se é gordita?

A Lena Dunham explica (e a Lina queria assim mas em vestido comprido).
E se a Vera Wang fosse a minha inimiga mortal?
O vestido da Rosemund Pike é bonito mas é preciso não ter mamas. Um enorme contratempo no caso de uma pessoa que teve um filho há cinco semanas e disse que ia "dar-lhe o almoço" num intervalo.
PS: As fotos mais bonitas. Nos bastidores dos Globos de Ouro.
Mais uma Bola de Ouro, um smoking impecável, em azul escuro e preto, e um discurso em que não se esquece da mãe, do filho, da família. Emocionou-me menos do que há um ano, o que é natural. Onde o ano passado houve humildade, este ano houve assertividade. Sim, é o melhor, tem razões para isso e falsa modéstia é hipocrisia. Só lhe perdoo porque sei que é honesto. O ano passado tinha sido um ano de sacrifícios e desfecho era incerto, este ano levava muito de avanço. Foi verdadeiro em ambos os casos, o que só lhe fica bem. O "sí" final é o grito de guerra do Real Madrid, disse CR à TVI24.
Por outro lado, e virando a agulha 180 graus, a atriz Maggie Gyllenhaal fez um dos melhores discuros de que me lembro em cerimónias de entrega de prémios. Foi no domingo à noite nos Globos de Ouro, quando recebeu o galardão de melhor atriz pela minissérie "The Honorable Woman". A existência de tantos e tão bons papéis para mulheres, na televisão, só pode ser bom sinal.
De vez em quando gosto desta coisa refrescante de alguém lembrar que os Globos de Ouro, os Emmy e os Óscares são cerimónias com um fundo político e vitórias políticas, que vão para além dos vestidos da passadeira vermelha (de que também gosto, claro). Estamos em 2015: hora de homenagear tantas mulheres simplesmente normais. Obrigada, Gyllenhaal. Obrigada, TV por andares a fazer esse trabalho de trazer para o ecrã gente corrente.
Com tanto arguido, processo, comissão parlamentar e afins, se não é agora que este país melhora muda não sei quando será.
Nós vamos ao nosso tradicional lanche de Reis amanhã e esperar que a varicela se cure rapidamente para podermos desfrutar do sol (mesmo que frio). Domingo há Concerto de Inverno, no CCB. Não vamos, mas gostava. Existe sempre o fim de semana que planeio, o que consigo fazer e o que acontece na realidade. O meu sonho era ser uma dessas pessoas de aperaltam e põem saltos altos para ir ouvir os clássicos. Talvez numa próxima vida.