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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

É uma tragédia, é o fim do mundo

Estava a ser uma manhã maravilhosa.
A Lina levantou-se às 06.30, tomou o piqueno-almoço sozinha enquanto gratinava o "comer" das suas duas mais velhas e lhes preparou o lanche. Alimentou e vestiu as suas índias. Saiu de casa com as três, dentro do tempo. Deixou quem de direito na escola. Tomou café como dondoca, voltou para casa com pão de leite para o marido adoentado mas em recuperação. Saiu de casa para uma caminhada, de alças e a empurrar o Quinny, fazendo de conta que ia a caminho do Central Park em Nova Iorque. Andou quase três quilómetros, pensou na vida, como é lindo e horrível ser uma mãe em casa, respondeu com sorrisos aos estranhos que elogiaram a Francisca, foi até ao Centro Cultural de Belém. Deixou a filha pequenina correr desvairada pela praça do CCB. Estava tudo a correr tão bem, e ainda havia tempo, que disse de si para si: "Vamos dar um salto à exposição 'Consumo Feliz'. Agradecemos a ajuda a abrir portas e no elevador, fomos até ao -1 e por estar a ser um dia tão lindo e a Lina se sentir uma mãe vital, cosmopolita e bué fixe, tirou a crinaça do carrinho para ela, com os seus meros 19 meses, pudesse apreciar a cultura, a história, o "estar num museu". Era um desses momentos em que a mãe moderna crê que o que faz é inútil mas melhor que nada e diz-se: "Algo ficará". A criança saiu do carro, começou a andar em roda livre, a mãe com o iphone na mão ia tirar uma "chapa"  a um cartaz dos anos 30 igual ao George Clooney e, nesse preciso momento, foi preciso pegar na bebé ao colo. E então, IPHONE CAIU NO CHÃO. Não foi sequer uma queda aparatosa, a mãe nem chegou a pensar "FOSTES!", achou que tudo se resolvia. Mas quando foi tirar a foto ao George Clooney dos anos 40... tinha PIFADO. Escusado será dizer que a mãe disse todas as asneiras conhecidas e por conhecer. Depois acalmou-se. Continua lixada (com f... se possível), mas acha que não vale a pena perder tempo a chorar. E vai dirigir-se a uma loja de arranjos. Não sem antes praguejar mais um milhão de vezes contra a sua aselhice. Mas sempre a relativizar... 

 

Ah, o sempre pantanoso terreno da religião

Acho que algumas pessoas pensaram que estava realmente a dizer que ser beato é saber estar na missa e dizer um Pai Nosso quando, na verdade, queria dizer o contrário. Era ironia, apenas. Hoje, a qualquer noçãozinha de religião se chama de beataria mas não é o que penso. O que parece é que hoje é preciso muito estofo para se dizer que se é católico. A prova é que uma pessoa que conheço há 10 anos já foi a Fátima a pé duas vezes e nem sequer sabia. Até pode ter ido antes de nos conhecermos, mas como é que essa conversa nunca veio à baila? A prova Espantoso!

 

Sobre a pregrinação, a Gata levanta outra questão: E porque não uma maratona? Bem, também gostava de fazer uma maratona, mas lembrei-me de como gostaria de ir a Fátima a pé por porque uma pessoa que conheço está a fazê-lo e vai pondo fotos e observações no Facebook. Estou a seguir a "novela" com interesse. Além disso, não é a mesma coisa. Correr 42 quilómetros é, para mim, o oposto a fazer uma caminhada de 100 quilómetros até Ourém ou fazer os 4 mil do Pacific Crest Trail, da fronteira com o Canadá à fronteira com o México, ou o Caminho de Santiago. A primeira é uma prova de resistência física. A segunda de resistência mental.

Gostava de ir a Fátima a pé

Pouco me importa que isto me inclua no caldeirão das beatas -- esse vasto local onde hoje em dia habitam todas as pessoas que saibam estar numa missa e dizer um Pai Nosso -- mas uma das coisas que gostava de fazer na vida era ir a pé a Fátima. É uma loucura submeter o corpo a uma violência dessas? É. Passei um terço da minha vida a achar que nunca o faria e que quem o fazia não jogava com o baralho todo e, no entanto, aqui estou eu, quase 38 anos, a admitir que adorava fazer uma coisa destas. Não se trata tanto de o fazer por promessa (preferia que não), nem de o fazer por razões religiosas, mas de pôr à prova a resistência e, no meio do conflito físico, saber do que é que a mente é capaz. Incrível: começo a entender finalmente o que leva os alpinistas a subirem montanhas! Tão simplesmente para valorizar a vida e o mundo. Nas suas pequenas coisas. Para baixar a garimpa. Sentir-se insignificante. Deixar-se esmagar pelo poder da natureza e das coisas que não conhecemos nem controlamos. Só isso. Se calhar é absurdo, se calhar qualquer pessoa que já tenha feito algo assim me pode dizer que é um equívoco, mas, lá está, uma pessoa precisa de passar pelas coisas para as entender.

 

Mãe

 

O dia da mãe acabou mas para elas não há dias, nem noites. As mães estão lá quando tudo o mais falha. E no meu caso, hoje, foi a minha mãe que me voltou a safar com as netinhas, enquanto eu trabalhava. Esta foto é do meu batizado e gosto imenso do vestido às bolinhas. Qual Diana, qual Kate. Em agosto de 1976 já a minha usava este padrão! (Estou tentada a procurar igual para mim).

 

Última nota, só para meter nojo: eu tinha um mês e uma semana e minha mãe já estava nesta forma física! Lá está: 22 aninhos.

As mulheres não têm mais filhos porque são responsáveis

A primeira razão por que as mulheres não querem ter filhos é esta:

só se lembrarem disso no dia da mãe. Ou no dia da mulher. Ou em qualquer ocasião que envolva assinalar o facto de existir na espécie humana quem tenha útero.

 

Hoje, na manchete do JN e nos telejornais, voltámos à problemática da baixa natalidade, que aumentou com a austeridade. Parece que estou a gozar, mas não estou. Nem a implicar com o trabalho dos meus colegas, que está bem. Só quero é dizer isto: natalidade não é coisa de mulheres.

Não é que venha aqui descobrir a pólvora mas... dançar o tango são precisos dois.

Vejo muita gente a botar faladura sobre este assunto, cientistas sociais nomeadamente, e as causas apontadas resumem-se quase sempre a estas duas:

- As pessoas não têm mais filhos porque não têm dinheiro.

- É necessário criar mais condições para conciliar o trabalho e a maternidade.

 

Estou farta desta conversa e não é a primeira vez que o digo.
A questão dinheiro é totalmente subjetiva. Pessoas milionárias não procriam como se quisesse repovoar a China do zero e há pessoa a viverem em condições miseráveis que estão a encher Portugal de mão-de-obra.

Sou mais sensível à história da conciliação profissional.

A lei protege bastante a grávida e o primeiro ano de vida dos rebentos. Depois dos primeiros 365 anos de vida é que são elas.

Podem falar de escolas abertas mais tempo, flexibilização do trabalho e etc.. Mas, vamos lá ver, o trabalho é o trabalho, há que o fazer e quase sempre (e bem) em grandes quantidades. Não há como fugir-lhe. Tal como não podemos fugir das estatísticas.

 

Desde que as mulheres puderam passar a controlar o número de filhos que dão à luz, o número não para de descer. E apesar das condições laborais serem mais favoráveis em muitos aspetos do que há 20 anos, continuamos a ter menos filhos. A culpa é da pílula? Não. É das mulheres.

 

As mulheres não têm mais filhos porque têm a mania da resposabilidade e sabem, algumas apenas, intuem, que em caso de catástrofe, a coisa pode ficar muito feia para o lado delas. Um estudo norte-americano que vi recentemente e agora não encontro (raios!) dizia precisamente isso: as probabilidades de se cair em situação de pobreza sendo pai/mãe solteiro/a são maiores do que em família. Ora, sabendo nós que a percentagem de mulheres nessa situação é muito superior à dos homens, é fazer contas. Portanto, quando falamos dos porquês da baixa natalidade, vamos falar também de igualdade de género.

 

Já não estamos na época das reportagens sobre "a primeira mulher que...", mas o mais incauta poderia pensar que o mundo ocidental se converteu num paraíso de igualdade laboral e salarial e responsabilização na educação dos filhos que simplesmente não é (ainda) verdade.

 

The Russian Store

 

 

Dia da mãe é todos os dias

Começa por volta das 18.00:

-Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe.

Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe.

Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe.

Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe.

Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe.

Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe.

Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe.

Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe. Mãe.

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