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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

O pior de tudo é o que não se pode escrever

Quando falam com outras pessoas com blogues chegamos muitas vezes a uma conclusão: há momentos em que simplesmente não podemos escrever sobre o que queremos. Falo por mim, agora: não é que sejam coisas extraordinárias ou escandalosas ou polémicas, mas são as minhas impressões e escrevê-las só me vai trazer problemas, mesmo que isto não seja o estaminé mais concorrido de Lisboa. Ficam registadas, a possibilidade de algum visado se ofender é real. E é um pouco como aquela mulher que foi presa por escrever uma carta à cunhada dizendo mal dela. Não era nada de especial, numa ida ao pão podia dizer bem pior, mas havia provas... Portanto, às vezes, simplesmente não escrevo o que realmente me apetece escrever, o que é uma grande chatice porque, qual Margarida Rebelo Pinto, para mim escrever é catarse. Liberta! [Estou envergonhada de dizer isto e ainda nem publiquei]. E, portanto, se uma pessoa não pode dizer tudo o que pensa anda aqui a fazer o quê? Preciso de me livrar rapidamente desta sensação de ter coisas para dizer e não as estar a dizer às pessoas certas. Ponto final.

Telefonar a um jornalista é assim tão complicado?

Nas últimas semanas, sabe-se lá porquê, mas imagino que sejam estagiários das universidades que estão a trabalhar em agências de comunicação, recebo muitas chamadas de pessoas a quererem "vender" as suas coisas como se estivessem num call center. Não há um bom dia, não se apresentam, não dizem ao que vêm e põem entusiasmo zero naquilo que estão a dizer. É como se tivessem à frente um papel e se limitassem a debitar o que lá está escrito. Exatamente como nos call center. Falam como se não entendem sequer o que quer dizer "bom dia" ou "qual é o seu mail?". É uma coisa um pouco assustadora, devo dizer. Especialmente porque já nasci para o jornalismo com agências de comunicação a mediarem o trabalho com empresas, entidades e pessoas e não tenho nada contra. Faz parte, é mais uma fonte de informação que temos disponível.

Ninguém me obriga a replicar press releases nem me limita as perguntas. Nunca tive más experiências, irrito-me quando não me respondem, o que, na verdade, só acontece quando as pessoas não querem/ não podem responder. Sou adulta, entendo. Remédio tenho. Mas, exatamente, na mesma medida em que os estagiários de jornalismo se veem gregos com as redações porque sonham ser Judite Sousa ou a Manuela Moura Guedes, isto é, famosos, o que está acontecer é que uma pessoa fica sem vontade de responder ou pensar no assunto, nem nada de nada.

Podem até dizer-me "ah, ninguém lhes explica", mas isso é um argumento inaceitável. Verdadeiramente, o que acontece é que não sabem fazer uma chamada telefónica. Entabular uma conversa com um desconhecido. Parecem-me jovens mas não me parecem alunos da primária. E também acho que as pessoas que conheço de agências de comunicação não devem ter que ensinar uma coisa que me parece ser uma competência que requeira um curso superior. Minha gente, ponham empenho no que estão a fazer. Se vocês não acreditam, como é que vou acreditar?

 

Bem sei que as redações não são exemplo para ninguém e sobram jornalistas a fazer mau trabalho, eu tenho defeitos e tudo e tudo, e nem quero estar a dizer isto como se quisesse ensinar a missa ao padre -- jornalismo é uma coisa, comunicação é outra -- mas estamos todos a sair prejudicados. Pela parte que me toca, às vezes nem entendo do que me estão a falar.

 

PS: CCB, troca umas impressões comigo sobre isto. Se estiver completamente errada, diz-me.

Ano letivo novo, os mesmos erros do anterior

Estou a encher o horário das miúdas de atividades e coisas para fazerem. Claro que isto vai dar asneira. Está na cara! Mas, bom, vamos lá tentar mais uma vez a ver que tal. Para já, a natação para as duas, ténis para a grande e ballet para a segunda. Chuva e frio, sejam simpáticos, apareçam só entre as... 10.00 e o meio-dia e deixem as nossas crianças aprenderem coisas. 

Os seres humanos são incríveis

Não sei se isto acontece às outras pessoas mas quando a Madalena entrou para esta escola onde anda agora fiquei francamente apavorada com as outras mães. Bem, eu podia generalizar e dizer pais, mas estaria a mentir. Foram as mães mesmo. Todas as mães eram amigas umas das outras, todas as mães eram lindas, louras, super bem vestidas. E ali estava eu, a um canto, totalmente peixe fora de água. O meu gajo, sábio como sempre, dizia para não me concentrar no todo e ver por partes. E tinha razão. As pessoas são fixes, estava era completamente abazurdida por estar num sítio onde não conhecia ninguém. Continuo a não fazer parte do grupo que toma café quando os miúdos entram e continuo a achar que ali se concentram as mulheres mais giras, bem vestidas e com as malas (ou devo dizer "carteiras") mais verdadeiras e boas que já encontrei mas também é verdade que as pessoas são mesmo simpáticas comigo e que tenho conhecido pessoas mesmo porreiras (aqui a avó N. merece menção especial porque é uma pessoa mesmo interessante, culta e informada). Não as conheço e muitas delas também não se conhecem fora daquele ambiente mas os nossos filhos são amigos e estão a fazer um caminho juntos (lamento, mas não encontro maneira menos pirosa de pôr a coisa) e isso vale muito. Eles conhecem-se e nós também.

E este ano letivo, com a Teresa na escola, na reunião de pais, já não era uma desconhecida. Já fazia parte do grupo de mães que se conhecem (mesmo que seja um conhecimento superficial) e que partilham alguma coisa. Aposto que algures a um canto havia uma mãe qualquer a perguntar-se "mas onde é que fui inscrever a minha criança?". E quando não me esqueço -- o que acontece amiúde -- tento sempre ser mais simpática com esses pais "perdidos". 

Mas quem é que verdadeiramente lucra com tudo isto?

A Teresinha, claro. 

Embora continue a choramingar de manhã e a dizer "qué ir com a mamã tabalhá" (sabe lá ela o que diz), ao contrário da Madalena, ela conhece os cantos à casa. Conhecia a cara da professora (é preciso nascer com o rabinho virado para a Lua, gostar da educadora da primeira filha e repetir com a número 2), tem a irmã à mão no refeitório e no recreio e, muito importante, conhecia amigos da irmã (tem uma grande adoração por uma das colegas a irmã) e dois colegas. O irmão de uma coleguinha da Madalena e um dos meninos com quem mais brincou no último ano.

É preciso ter mesmo muita sorte! E, mais do que isso, que isso seja uma coisa que tem tanto a ver com o feitio dela.

Posso estar completamente errada, mas acho que, com o seu jeitinho de princesa, ela é mesmo social. Social e mais dada a modas e a imitar o que vê. O que me surpreende mais, no entanto, é que apesar de os miúdos que conhece serem, na maioria, amigos e colegas da irmã, ela faz as suas próprias escolhas e tem os seus preferidos.

Os seres humanos são mesmo incríveis, é o que é.

Falam, falam mas se pudessem eram os maiores negreiros

Tive conversa surreal com um senhor porque algumas escolas privadas obrigam os alunos a pagar pelo uso do microondas e do espaço, o que ele acha uma vergonha.

- Mas elas estão a usar o microondas e o espaço e a louça e o serviço -- digo eu.

- Mas é tão pouco que isso nem tem expressão, as escolas já deviam ter isso previsto. -- responde-me.

- Há uma pessoa a fazer esse trabalho, a pôr a comida nos pratos...

- Não estou de acordo, isso também não é assim um trabalho... ... [interrompe a frase a meio]

Suponho que, visto de fora, as nossas posições tenham um substrato ideológico forte. Eu serei uma porca capitalista, que acha bem que os colégios cobrem estes serviços, ele um defensor da igualdade e bem comum. Na prática, deixem-cá defender a minha dama, o meu interlocutor acha que o trabalho da pessoa que põe a comida nos pratos é irrelevante e portanto pode fazer para 10 ou para 100. De certa forma, é também por causa destas coisas que nunca sabemos muito bem porque em certos sítios faltam pessoas para fazer trabalhos. Porque se despreza o que essas pessoas fazem. É tão simples pôr lasanha no prato de uma criança, não é? Parece que nem é bem trabalho... É isto, e apenas isto, que faz com que TODO o trabalho que as pessoas têm deva ser contabilizado. Porque quando não é parece que não é trabalho. Quem é o porco capitalista agora?

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