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Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Medicamentos, como dar

A Joana deixou um comentário perguntando como é que faço para dar o antibiótico à Teresa porque o filho dela, também com dois anos, é um terror. Ia responder-lhe pela mesma via mas acho que todos os contributos são poucos quando o assunto é este. Sim, porque se a Teresa toma bem os remédios, com a Madalena é um inferno. Portanto, eu deixo aqui os meus métodos e quem tiver ideias melhores que não se acanhe. Todas as dicas são bem-vindas, acho eu.

Eis o que experimentei:

- Seringa em vez de colher ou copo.

Resulta inicialmente pela novidade. Depois ficou igual. Mas continuo a usar a seringa porque sempre se evita desperdício.

- Gritaria.

Pouco eficaz e dá muitos sentimentos de culpa.

- Muita conversa.

Não é mau e eventualmente acaba por resultar mas é muito demorado e por vezes não temos uma hora para dispender. Além disso, se o antibiótico é para tomar às 08.00 não vamos dar às 09.00, não é? Se bem que já me aconteceu...

- À força.

Como os antibióticos têm mesmo de ser tomados, não sou a primeira mãe do mundo a fazê-lo, único conforto de uma maneira de fazer as coisas que me chateia mesmo muito. Vai contra tudo o que eu acho bem. O que eu queria era que ela compreendesse que os tem de tomar e acho que ela até percebe, mas a certa altura os medicamentos já são uma maneira dos miúdos chamarem a atenção. E, lá está, não podemos simplesmente não dar.

- Não fazer conversa nenhuma.

É o que tenho usado ultimamente. Não há cá moralização, nem explicações. É: "Anda cá, Madalena. Abre a boca". E dou-lhe. Com ar de quem podia estar a fazer outra coisa. Às vezes funciona, outras não. Mas corta-se pela raiz aquela coisa de quererem chamar a atenção.

 

Mamãs, como é que fazem com os vossos índios?

A Teresa está apaixonada pela irmã mais nova. A Madalena, bom, tem quatro anos...

Temos de ter imenso cuidado com a Teresa porque passa a vida a querer ir ao quarto pôr-lhe a chucha e a manta. Quando ela está acordada quer dar jinho e fazer uma vestinha [festinha]. A Madalena, bom, tem uma irmã e muito mais consciência do que se está a passar e das responsabilidades que terá pela frente. Não me surpreende, pois, que se fique mais contente quando lhe dizemos que é a nossa bebé do que quando elogiamos as suas qualidades de mana mais velha. Fases...

Sabotagem

Mesmo que quisesse, nunca poderia ter um daqueles blogues lindos e cor-de-rosinhas em que as meninas  parecem saídas de catálogos (tu é que podias, Teresa OM). Tenho a certeza que sempre que me pusesse a postos para disparar uma foto acontecia o mesmo que ontem: sujavam alguma coisa. Estão a ver aquelas proteções que servem para forrar os ovinhos e fazer de conta que aquilo está tudo em muito bom estado e que parecem aquelas caravanas dos pioneiros que colonizaram os EUA? Pois, a bebé Teresa decidiu que era mesmo giro ir dar uma beijoca à irmã quando ela lá estava dentro, mas com as mãos sujas de comida. E antes de sair de casa. Está a sabotar-me, é o que é.

Ah, saímos à rua

E para quê um passeio calmo e tranquilo aqui no nosso bairro quando podemos ir ao Chiado? Exato.

 

- Atravessar passadeiras cheias de gente? Check.

- Sentar à mesa para lanchar com duas mais o bebé numa mesa de dois? Check.

- Tentar controlar os humores da mais velha (estava sensível hoje) e os terrible two's da mais nova? Check.

- Olhar mil vezes para a bebé a ver se respira, se acorda e está tudo ok? Check.

 

A Francisca nem sequer acordou, eu levei os saltos (antes muerta que sencilla) e correu muito bem dentro do género andar pelas ruas com dois carrinhos e uma Madalena cansada e sensível. Tão bem que este domingo repetimos. Desde que não chova.

Amamentar

Sabendo o que sei hoje, e recordando que o caminho mais curto entre dois pontos é a reta, tinham de me pagar muuuuuito bem para eu não dar de mamar à Francisca. Se bem que esteja muito longe da proto-fundamentalista em que me tinha tornado quando a Madalena nasceu (reconheço!), acho mesmo que a amamentação é a melhor coisa do mundo. Não é pela proximidade e pelos laços que se criam entre mãe e bebé, nem porque emagrece e "vamos ao lugar mais rápido". Tretas! Toda a gente sabe que só as vedetas da TV é que perdem peso a dar de mamar. Por outro lado, felizmente para nós, os laços estreitam-se com todo o tipo de carinho (conforta um bocadinho em caso de haver algum azar). O que não deixa de me surpreender é o prático que é. Vejamos: levantar a camisola vs. esterilizar biberão+medir pó+lavar o dito no final. E já nem estou a contabilizar o tempo, e dinheiro, gastos a ir comprar a fórmula.

 

Podia escrever um tratado. A Madalena nasceu em plena euforia pró-amamentação. Fui vivamente aconselhada a fazê-lo e parecia que pronunciar as palavras suplemento, fórmula, biberão era pecado. A primeira coisa que me disseram na noite em que ela foi internada foi "tire leite com a bomba". Fi-lo com espiríto de missão e hoje posso dizer que foi bom. Passada a parte difícil -- ela sôfrega e a precisar de recuperar um quilo, eu rota de dar de mamar de duas em duas horas, mais a adaptação à criança e uma pessoa sentir-se uma marioneta -- veio a recompensa. Éramos o par perfeito! É um grande conforto a pessoa sair de casa com o bebé e não ter de se preocupar com as refeições e em que tudo aquilo é rapidíssimo. Lamento que algumas mães não vivam este momento e só fiquem com a parte dura. É uma injustiça. Mas também sei que há por por aí muito fundamentalismo e que o que eu chamo de "vivamente aconselhada" outras pessoas chamam de "violentamente pressionada". Depende muito da enfermeira que cuida da mãe nas primeiras horas e daquilo em que essa pessoa própria acredita ser o melhor.

 

Com a Teresa, a experiência era outra. Quando me mandaram tirar leite já o estava a fazer e, podiam dizer o que quisessem, mas não me punha com essas barbaridades de tirar leite de três em três horas. Cinco em cinco de dia e à noite nem me levantava. Só entrámos em regime dureza quando ela chegou a casa. Precisamente por causa disso, um dia em que cheguei ao hospital meia hora depois do que era suposto com os "víveres" já lhe tinham dado uma bela dose de suplemento. A enfermeira da serviço tinha menos complexos com isso. Também foi uma lição. Na altura fiquei horrorizada. Género, "estão a intoxicar a minha bebé com químicos" (ler com voz esganiçada). Outro exagero! Mas a grande lição mesmo foi libertar-me dos preconceitos. Andava tudo doido com a amamentação, mas por outro lado ainda sentia muitos olhos reprovadores quando o fazia na rua. No consultório, por exemplo. Mesmo com uma fraldinha por cima. Em quatro anos mudámos muito. Para melhor, na minha opinião. Ainda no outro dia vi uma senhora no corredor do Cascaishopping a dar de mamar na boa sem fraldas nem nada a incomodar. E eu, com a Té, fui obrigada a deixar-me dessas picuínhices (já tinha começado a aprender com a Madalena): se queria sair de casa tinha de dar de mamar na rua. Não esquecer que já havia a outra criança.

 

Desta vez ainda não posso dizer grande coisa. A Francisca dorme pior do que a Teresa e come mais vezes. É mais parecida com a Madalena. Mas sem a parte das duas em duas horas (obrigada aos deuses). E eu, nós cá em casa, estamos muito mais descontraídos. No hospital, perante uma noite medonha, a segunda, pedimos logo para lhe darem suplemento. O chamado cozido à portuguesa dos bebés. Não dormiu a noite toda mas dormiu melhor e nós também. E cá em casa também já se abriu a lata da fórmula. A Quica não vai passar mal e nós podemos ficar descansados quando há ginástica ou natação ou outra coisa qualquer. Não penso deixar de dar de mamar, claro, mas também não me martirizo com isso. Também já sei que os bebés têm surtos de crescimento e comem como o Obélix por volta dos 15 dias,  no primeiro mês e aos dois. É preciso saber viver com isso e adaptar-se, que é o que faz o nosso corpo.

 

O que aprendi ao longo do que tempo é que cada pessoa é uma pessoa. Eu sou esta. Depois de ter aprendido, percebi que era mesmo muito prático. Mas é preciso não ser fundamentalista (estou a fazer uma espécie de mea culpa). Há pessoas que não têm leite portanto não vale a pena insistir. Ou a quem não ensinam convenientemente. Está bem que todos os mamíferos amamentam mas há mulheres adultas, como era o meu caso, que todo o contacto real que têm com bebés é através da televisão e pouco mais. Ou que simplesmente não querem amamentar mesmo que tenham leite. E estão no seu direito, apesar de agora, de repente, depois de toda uma geração, a minha, ter crescido a biberão, isso parecer um crime de lesa-bebé. Devemos respeitar, sem que elas tenham de justificar-se com "tenho pouco leite", "era mau", "tive uma mastite". O meu ponto, aliás, é esse: qualquer que seja a decisão, que seja da mãe e que não sejam precisas desculpas. Que também não seja preciso dizer com todas as letras que não querem suplementos. Que possam dizer que querem amamentar em exclusivo até aos 6 meses porque acham que é o melhor e que acreditam na amamentação livre e a pedido do bebé sem precisarem de parecer freaks que a qualquer momento vão partir com a família numa "pão de forma" para viver descalços sob o céu do Alentejo.

 

PS: Era mais giro chamar-lhe "As minhas mamas e eu", não era?

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