Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Coisas bonitas

Foto de Gérard Castello-Lopes dos anos 50.

 

Cascas grossas como eu impressionam-se com coisas destas: a foto da varina cortada pela cintura pela linha do horizonte transformando-a numa mulher-ampulheta. Tão perfeitamente que uma pessoa se interroga sobre a sua espontaneidade como se isso, afinal de contas, importasse para alguma coisa. A foto é linda. E pode ser vista desde sexta-feira no espaço BES Arte & Finança, no Marquês de Pombal, em Lisboa na exposição Aparições: A Fotografia de Gérard Castello-Lopes 1956-2006. Esta e mais 152 de igual calibre.

 

Os R.E.M. acabaram

A dado ponto dos anos 90 fui uma grande, grande fã dos R.E.M. Tão fã que, poucos vídeos que aqui ponho no site, há pelo menos um desta banda. Eu gostava das músicas deles. Do Losing My Religion, claro, mas especialmente do It's the End of The World As We Know It e do Night Swimming. Gostava, e gosto. Mas agora está tudo diferente.

 

Eu ainda sou aquela miúda que dava os primeiros passos no mercado de trabalho e que depois do concerto do R.E.M se aproximou do Michael Stipe, sentado num sofá do Lux, para lhe perguntar se tinha escrito o Night Swimming por causa do Life After God do Douglas Coupland, embora já não leia tanta esse tipo de literatura tecnológica/industrial nem me apeteça quase nunca ler livros em inglês. Tinha muito medo de nunca encontrar um trabalho e tinha muito medo de ser infeliz na minha profissão. Nisso era bem parecida com toda a geração que hoje sai à rua a reclamar trabalho. Eu também queria trabalhar e achava normal que pagassem pouco a uma pessoa sem experiência. Lembro-me como a mim e a outras pessoas como eu nos chateavam os anúncios (já raríssimos) em que se pediam pessoas jovens com experiência. Como queriam que tivessemos experiência se nunca tinhamos trabalhado?

 

Ainda sou aquela miúda que tem medo de não encontrar trabalho (ou de perder o que tem) e que morre de medo de ser infeliz a trabalhar (e tenho os mesmos amigos com angústias parecidas só que com mais filhos e encargos).

 

Olho à minha volta e passaram 12 anos desde esse dia, o dia em que os R.E.M. vieram tocar a Portugal (tinha uma camisa tão feia nesse dia, lembro-me perfeitamente que a toilette me saiu completamente ao lado), mas já está tudo diferente.

 

Hoje de manhã, por exemplo, ouvi o Fórum da TSF e as pessoas a debaterem (sim, estavam a debater, quem dera que fosse uma discussão) se esta proposta de lei de flexibilizar o despedimento devia ou não ir para a frente. Se devemos ser despedidos porque de hoje para amanhã o nosso trabalho deixa de interessar ao nosso patrão que não tem qualquer obrigação connosco. De um lado diziam "é preciso trabalhar" (como se todos os empregados por conta de outrém fossem parasita e não existissem administrações perdulárias e nepotismo e corrupção). Do outro, "isso é anti-constitucional" (assim, tão simplesmente quanto isto e como se não precisássemos de encarar a crise porque a constituição não deixa). Sensatez nas relações laborais, pedia António Chora, do sindicato dos trabalhadores da Auto-Europa. Eu gostava disso. Mas, so far,  ainda é mais fácil dizer "sensatez nas relações laborais" do que pôr em prática. Sabemos o que vai acontecer: lança-se para o ar o mais dífícil e depois vamos todas atrás a tentar minorar os danos colaterais. Parece que é a isso que se chama "chegar ao consenso" -- como se essa possibilidade existisse.

 

Bom, mas é isto: o mundo como o conhecemos, como a minha geração o conheceu, já acabou. Os R.E.M tinham antecipado as mudanças (não se imaginava é que seriam tantas e tão violentas), posto o dedo na ferida quando falaram desse mundo global que só pensa em consumo, the bull and the bear are fighting their territory; world serves its own needs, listen to your heart bleed para quê continuar? Acabaram ontem, 31 anos depois. Faz sentido.

Madeira 3.0

Ah, e podendo não parecer, eu realmente acho um escândalo a dívida que Alberto João em nome da Madeira. E o silêncio em torno dela. E que essa mesma dívida não tenha servido para dar umas condições de vida dignas a toda a gente. Dever à bruta já era mau, mas que não tenha servido para ajudar quem mais precisa... Ainda é pior.  

A Madeira deve muito mas não há um só pobre

Como mostram as imagens da campanha eleitoral. Não há gente gente andrajosa e sem dentes. Não há espeluncas tristes e feias nas fotografias de paparazzi quando D. Dolores leva o neto Cristianinho a Santo António, onde viveu e cresceu até o filho ser uma estrela do futebol. E não há uma mãe que deixou que o filho de 12 anos fosse viver sozinho para o "continente" para jogar à bola (e quão próspero se pode não ser para achar que isto é uma saída). Não, não há. A Madeira é prosperidade. Deve muito, mas é próspera.

Desesperados

Abri agora mesmo o Google. Há uma seta nada discreta a apontar para o Google +. Está certo! Sergei e amigos, ouçam com atenção, se eu quisesse usar o Google + já estava a usar o Google+. Se não estou, não é uma seta azul que me vai convencer como se por acaso fosse possível ter-me passado despercebido que vocês têm uma aplicação nova que serve para competir com o Facebook. Acalmem-se, sim? Obrigada.

"Há pais" - Teoria da Relatividade é isto

Se há expressão que enerva (e eu também a digo, admito) é essa de "há pais que...

 

- Há pais que deixam os miúdos comerem chocolate.

- Há pais que deixam as crianças apanhar sol entre as 12.00 e as 16.00 (esta já disse, tenho a certeza)

- Há pais que deixam as crianças ver televisão.

- Há pais que dão consolas.

- Há pais que deixam os miúdos brincarem com a PSP à mesa do almoço.

- Há pais que deixam os miúdos na Internet.

- Há pais que dão tudo e mais alguma coisa (esta adoro, porque ouvi de uma pessoa com uns 30 anos que tinha acabado de fazer uma gigantesca lista de tudo o que tinha recebido no Natal e, posso garantir, era mais do que a Madalena)

- Há pais que deixam os miúdos fazer o que querem.

 

Como se existisse um Nobel para os melhores pais do mundo ou como se existissem pais que fazem tudo bem todo o tempo. Como se alguém, com ou sem filhos, estivesse sempre-sempre no caminho do bem... Como se deixar os filhos verem TV fosse igual a lançá-los nas malhas da droga. Please...

 

I'm a puppet in a string

Gostaria de poder actualizar o blogue com dignidade mas tem sido impossível. A Teresinha, que só quer andar, obriga-me a passear com ela pela casa durante horas agarrada às suas mãozinhas. E, no entanto, apesar do que possa parecer -- eu, grande, a dirigir a pequena -- sinto que a marioneta sou eu.

 

Acrescente-se que, provando que os manos mais novos gostam sempre de imitar os irmãos mais velhos, a única forma que tenho actualmente de tomar banho em sossego, é deixá-la com uma caixa de pratos e copos da Madalena. Ou então com o papel higiénico. Embora eu prefiro a primeira versão que sempre é mais ecológica.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D