Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Enquanto dormia...

[Hoje o título é gamado ao mail que o David Dinis envia todos os dias de manhã, 360º]

 

... Punha notícias no site do costume. Cheguei a casa a desoras e na segunda-feira, às 09.00, já estava com as mais novas na escola. Andei por aí a fazer recados em vez de dormir (note to self: não voltar a marcar "coisas" para as folgas) e a dar tempo às crianças. Eram 18.45 quando parei o carro no ténis. Faltavam 15 minutos para terminar a aula da Madalena. Pus o banco do carro para trás e pensei "vou dormir só um bocadinho". Acordei sobressalta às 19.15. A minha filha, a minha filha. A aula já tinha terminado... Estava muito necessitadinha de uma soneca... Faltava pouco, muito pouco para poder dormir uma noite inteira de sono, pensei eu.

À 01.00 da matina ouvimos o som de um cão a ladrão vindo do quarto da Teresa e da Quica. A Té estava com laringite (já conheço a léguas, consigo fazer o diagnóstico na boa). Não conseguia respirar, piava. Abrimos o frigorífico e a porta da cozinha. Ela apanhou o fresco da noite ao colo do pai enquanto a mãe falava com a Saúde 24. Aconselharam-nos uma ida ao hospital da Estefânea. "Se quiser informamos que está a caminho". E, pronto, lá fomos. Ela, entusiasmada com a ideia de ir ao médico, e eu, mais ou menos tranquila porque se tinham avisado havia de ser rápido.

 

Ainda não eram 02.00 e já tínhamos feito a triagem. A pulseira verde dizia que não éramos urgência mas não havia problema. Deviam estar uns três meninos para serem atendidos. Fomos para a sala de espera e ficámos perto da porta para a Teresa ir apanhando ar. Desistimos nem cinco minutos depois. Três pessoas de bata branca foram para a entrada fumar e dizer mal do trabalho embalados pelo som de uma Ford Transit que ficou a obstruir o caminho ligada, deixando um cheiro pestilento no ar. A Teresa foi para a outra sala e esta-aqui começou a reparar nos pormenores. Nenhuma das duas salas de espera estava particularmente limpa. Ninguém era chamado para os gabinetes. Os pais, todos a caírem de sono, começaram a impacientar-se. Primeiro implicámos com as crianças, depois uns com os outros, finalmente fomos ao guichet. Faltavam três pessoas. Um urgente e dois meninos com pulseira verde. Continuavam sem chamar ninguém, exceto para a triagem.

 

[Um casal começou a discutir enquanto lá estávamos. Ela dizia que tinha ido para o hospital porque a mãe dele tinha insistido que deviam ir e que ela achava que não valia a pena e que queria que a filha dormisse. Era o caso urgente. Discutiram. Ela virou-lhe as costas e foi ao carro. Voltou. Tornou a ir. Regressou. Repetiram os mesmos argumentos. Ele irritou-se, ela também. A criança estava efetivamente com sono e incomodada. Andou de colo em colo. Nunca se largaram, apesar de estarem chateados. A bebé quis comer, a mãe deu-lhe maminha. Devia ter pouco mais de um ano. Foram os primeiros a serem chamados. Eram 02.40, talvez um pouco mais. Primeiro foi o pai, depois entrou a mãe. Pareceu-me que ela o queria castigar por estarem ali naquela altura].

 

Uma mãe foi perguntar a que horas ia ser atendida. Estava à espera há mais tempo do que eu. Disseram que nos iam chamar. Pedi o livro de reclamações e escrevi ponto por ponto o que estava errado.

 

Às 03.00 começaram a chamar. Às 03.20 tinham atendido todas as crianças, incluindo a Teresa que, segundo a médica, "ficou bem entretanto". Fez um corticóide, disse-me que não ia dar adrenalina para não estarmos ali mais tempo e mandou para casa com a indicação de voltarmos se piorasse (uau! quatro anos de medicina para me dizer que se os sintomas me parecerem incontroláveis devo procurar profissionais). Completei a reclamação observando que tínhamos esperado tanto para depois todos serem atendidos de sopetão.

 

Compreendo que seja muito duro ser profissional de saúde hoje em dia mas o que se passou não tem a ver com dinheiro ou a crise ou as más condições de médicos e enfermeiros. É desleixo e pouco empenho. Podiam ter atendido todas as crianças uma hora antes, mas não. Deixaram-nos a secar sem nos oferecerem explicação. Tinha o hospital em melhor conta. Mas se calhar sou muito exigente e os médicos do Serviço Nacional de Saúde querem fazer o favor ao PSD e dizer que a saúde pública é só para quem não pode mesmo ter seguro...

 

Olá, outono

Estamos naquela fase do ano em que pensamos na chuva, vento e frio e quase nos parece agradável. Olá, outono!

 

Encontrado no Pinterest

 

Nem me tinha apercebido mas as próximas semanas vão ser em grande: aniversários das gémeas, da Francisca grande, da nossa Chiquinha, os Buraka a porem música no Lux, os anos dela (estou a fazer-me à noitada) e no fim do mês a celebração de uma pessoa muito fixe. Mal posso esperar e até já ando a pensar no que hei-de vestir.

 

O senhor dos gelados do Marquês vai arrumar o carrinho e trazer as brasas das castanhas (yes!), há abóboras, nozes e marmelos (nhami) e muita comida que leva erva doce (duas vezes nhami). E cogumelos, sim, também.

 

Podemos começar a pensar no dia das bruxas e, claro, como não, no Pão por Deus, o meu feriado preferido! Este ano já com a Quica pela mão. Estão a vir-me as lágrimas aos olhos e tenho de começar a pensar nas roupas 2014-2015. Até ao Natal vai ser um instante.

 

Não sei as outras pessoas mas a mim até me dá para querer ficar em casa a cozinhar e fazer bricolage. Não se preocupem. É só teórico. Bem, umas bolachinhas e bolos ainda podia fazer... Mas não prometo nada. Até porque há outras coisas para pôr em dia. Como ler livros grandes e assim...

Chegou a hora de pensar em botas e gabardines.

Conclusão, em matéria de TPC cada um fala do que conhece

Só para se ver como isto dos TPC é subjetivo (e como estou obcecada com o assunto), perguntei à Madalena se vai trazer trabalhos amanhã e ela diz-me com o maior orgulho: "os trabalhos de casa são o nosso prémio se soubermos ler". E diz-me isto assim, com a maior naturalidade, como se esse momento fosse mais interessante do que um bilhete para o concerto da Violetta. Está certo!

Várias pessoas deixaram comentários sobre o assunto. Obrigada pelas opiniões. Concordando mais com uns do que com outros, acho que todos falamos do que conhecemos, a partir da nossa experiência e jeito, ou não, para estas coisas.

A Ana Maria dizia que para ela era um problema o onde e quando fazê-los (não ela, a filha). Se for uma carga muito forte a criança não consegue fazer mais nada. E concordo com ela. Da mesma forma que concordo que os TPC devem ser todos corrigidos na aula. Se não são, qual é o objetivo?

Outra pessoa, SerraBrava, falava nessa coisa do pedir ajuda. Quando falar em ajudar é sentar-me ao lado e estar ali a explicar todos os passos a par e passo. Sinceramente, qual é a utilidade disso? Há coisas na vida que são muito difíceis, algumas inevitáveis (vide, a carga de impostos), mas se pudermos poupar na fatura do sofrimento, agradece-se.

 

Deixo para último lugar uma frase da pessoa que assina Espalha Brasas: "Não vamos exigir nada aos meninos...nem uma cópia...nem uma leitura...nada...(ler com ironia sff). Pesquisar! Significa dar um tablet ou um PC?". Sou bem a favor dos miúdos trazerem pesquisas para fazer em casa, e acho realmente que o mau princípio é achar-se que as pesquisas são ir ao google e escreve uma palavra-chave naquele retângulo. Não são. É cruzar fontes de informação, analisar a sua credibilidade, tirar conclusões e procurar outras fontes, como livros ou a memória dos pais e outras pessoas.

 

Mas, pronto, nunca nos vamos pôr de acordo nestes assuntos e, com apenas quatro dias de 1.º ano, a conclusão a que chego é que a melhor política é respeitar as opções da professora e os seus métodos. Ela sabe o que está a fazer.

 

Nem de propósito, esta foto vinha acompanhada desta legenda

"Children should transcribe favourite passages. ––A certain sense of possession and delight may be added to this exercise if children are allowed to choose for transcription their favorite verse in one poem or another... But a book of their own, made up of their own chosen verses, should give them pleasure."
~ Charlotte Mason, Victorian Era Home Educator"

 

Está bem, falamos de trabalhos de casa

Fomos avisados na reunião da escola com a professora: a Madalena vai trazer trabalhos de casa às segundas, quartas e sextas. Chocante para dizer o mínimo e nem sou contra os trabalhos de casa nem me vão ver a assinar manifestos contra os TPC. Pelo menos para já. Falamos no Natal quando a carga aumentar para as quatro vezes por semana. Ou na Páscoa quando forem cinco vezes por semana. Vai acontecer. Ela disse-nos. Talvez venha mesmo a ser a mais radical das opositoras aos trabalhos de casa. Para já, como em tudo, só pedia um bocadinho de moderação, porque o assunto, como diz o João, é pertinente.

 

Qual BES, gostava de fazer a distinção entre os bons trabalhos de casa e os maus deveres.

Na minha visão, romântica possivelmente, o TPC útil é aquele que 1) põe o aluno a praticar o que aprende para usar e para ver se percebeu e em quanto tempo; 2) que obriga o aluno a responsabilizar-se por uma tarefa, por mais simples que seja, 3) que é feito sozinho e 4) que está adaptado ao ritmo da escola.

 

Não me parece sensato que se mandem trabalhos para casa se a escola fecha às 19.00 e se muitos meninos ficam por lá até essa hora. Mas numa escola que termina as aulas às 16.30 e em que a maioria sai a essa hora, já me parece razoável que os professores peçam alguma coisa. Mas pedir o quê? Uma cópia à sexta-feira parece-me justo. Embora me estrague o fim de semana, nesta fase têm de praticar. É chato mas mais chato é desaprenderem em dois dias o que lhe levou uma semana a saber. Mas fichas exigentes durante a semana? Não vejo a utilidade. Já tarefas de responsabilidade como encontrarem palavras que estejam a trabalhar, obrigá-los a pesquisar o que estudam já me interessaria mais. Tal como serem ensinados a ler este ou aquele texto. Mas, ok, posso mesmo ter uma visão cor de rosa do assunto. E é um assunto que me preocupa.

 

Faço as contas e acho que ela tem apenas 45 minutos, uma hora no máximo, por dia, para os fazer. É muito? É pouco? Gostava que os pais recebessem orientações dos profes com o tempo que os alunos, por norma, devem dedicar a um exercício. Se tem 20 minutos para fazer um problema, mas só o consegue resolver em 60, tem de praticar mais. Já agora, gostava que essa fosse a única ajuda a dar às crianças.

 

A diretora pedagógica da escola pediu aos pais para se possível não ajudarem as crianças a fazerem os trabalhos de casa. Ela tem razão. "Temos de ver se eles perceberam". Parece-me que tem toda a lógica e acho mesmo que devia ser sempre assim. Mas será? Ou na hora h vou ajudar a Madalena e nem pio?

 

 

PS: Maldita insónia e malditas "Criminal Minds" que me ponho a ver de madrugada e me deixam em sobressalto. Podia mudar de canal? Podia, mas quem é que se consegue separar de um bom doido varrido.

'Tá tudo, o ano pode começar

É emocionante, emocionante a sério, vê-las, rua fora, a caminho da escola. Não me quero esquecer desse momento nunca mais, mas a angústia do primeiro dia das crianças, receio de as deixar, nervos, sobressalto... Nada. Não tenho nada disso. A vida é assim mesmo: aos seis anos entramos na primária, aos quatro aproveitamos o melhor que uma escola que já conhecemos nos pode oferecer, aos dois vamos aprender a estar com os outros. Só isso. Guardo a picuínhice para outras coisas. Género, passar da meia noite e andar a repassar listas de material e pedidos para ter certeza que está tudo nos sacos, mochilas e lancheiras. Estamos prontos...

 

Só é rentrée quando a escola começa

Portanto, não se me ponham com os nervos amanhã, logo pela fresca, trânsito por todo o lado, stress e mais stress. Lembrem-se das promessas que fizeram deitados na areia: vou ter mais calma do que a rainha Isabel II na visita às tropas. Mais calma do que Cavaco Silva perante os passanços-de-marmita de Pedro Passos e sus muchachos. Mais calma do que o António José Seguro nos debates quinzenais... Pronto, ok, também não é preciso taaaaaaanta calma. Mas acho que se percebe a ideia. Paz, amor e sol na moleirinha.

[Pinterest]

 

Como é boa a sensação de querer começar de novo

Quando Jackie Kennedy renovou os interiores da Casa Branca e a revista Life fotografou.

 

É assim uma coisa que me dá duas vezes por ano: a 31 de dezembro e nestas três semanas entre voltarmos da praia e o início da escola.

Tenho vontade de aproveitar os dias ao máximo, viver como em férias e preparar tudo para começar de novo. Trazer planos para melhorar rotinas, a casa, a comida. Bem sei que ao primeiro revés lá se vão as bonitas intenções, mas é giro e enquanto não acontece deixem-me gozar disto - achar que é possível aproveitar os dias grandes e viver como se Lisboa fosse Montauk (NY).

Parecia-me maluqueira mas já percebi que não estou sozinha. A Sara Carbonero que é a Sara Carbonero também pôs o contador a zeros e ontem tropecei neste post da Rita Ferro Alvim sobre 'destralhar'.
Prefiro chamar-lhe 'o meu ano novo chinês' mas o espírito da coisa deve ser o mesmo. Fazer tábua rasa para o novo ano letivo, no fundo, e, quais formiguinhas, acumular energia para o inverno. Estamos numa de revirar a casa e ajeitá-la ao estilo #santoscosta2014-15.

Tem uma certa piada, na verdade. Estas são as únicas alturas do ano em que não me importo de ser escrava do pano do pó. Deve ser porque a sensação de ter tudo no sítio supera largamente o desgosto de ter de o fazer. Chega até a ser agradável.

 

'Xa-me ir então que há ali duas caixas de ganchos a precisar de arrumação.

 

PS: Estou com a pancada dos mapas, das riscas pretas e brancas, do amarelo, do vermelho e do turquesa. Preferencialmente, todos juntos.

Atrás das teclas

foto do autor

Instagram

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D