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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Pode ser-se pró-uber e pró-táxi? Ao mesmo tempo?

Tenho pena de não me conseguir juntar ao coro de pessoas que nunca mais vai andar de táxi. Tenho pena, mas não posso. A minha aplicação da Uber não funciona. Não funciona por minha culpa (introduzi mal um dado), mas a coisa caricata é que não há maneira de resolver. Um mail veio para trás, o formulário só teve resposta hoje e só vi jeito de a coisa se resolver quando me queixei no Twitter. Lá me ajudaram um pouco (antes a morte que ficar falado nas redes sociais), mas não o suficiente. E se me conhecessem melhor sabiam que sou alérgica a esse género de empresas que só se mexem quando lhes podem danificar a imagem. 

Da meia dúzia de vezes que experimentei o serviço, quando a aplicação funcionava, apanhei dois totós - educados, muito educados, mas muito totós. Não faziam ideia onde estavam. Mas isto quer dizer que vou deixar de usar o Uber? Não. A não ser que eles não me ajudem a arranjar a aplicação. E quer dizer que desisto dos táxis? Não. Quer apenas dizer que usarei cada um deles conforme a minha conveniência como todos os consumidores fazem e nem sei por que raios esta história se está a transformar num Sporting-Benfica. Se preciso de um carro rapidamente levanto a mãozinha, mas se vou a um jantar chamo o uber - vem à minha porta e, para já, se há coisa que têm é carros limpos. Limpos e novos. E não exijo carros novos, mas um pouco de asseio cai sempre bem. E aos ubers também lhes caía bem terem mais formação, fazerem o curso de condutor profissional e passar fatura imediatamente, em vez de ser preciso um requerimento. Tal como pagar os impostos que lhes são devidos e em Portugal. Porque, vá lá, não vou pagar como se estivesse no estrangeiro. 

Ver um conjunto de boçais no aeroporto, ameaçando o país de porrada se não fizerem o que eles querem não me impressiona nada. O governo não tem de ceder a parvoíces e eles têm de aceitar a concorrência. Mas, é verdade, têm direito a uma concorrência justa e, portanto, por mais que custe, merecem ser defendidos. Merecem-no até quando abanam carros de ubers ou os chingam em bombas de gasolina. Tenha pena que o façam, parecem uns animais, mas, lá está, a lei quando nasce é para todos. Podemos fazer de conta que não está a acontecer, mas está. Talvez seja melhor aceitar a realidade. Apanhar o vento com as mãos é inútil. Mas também não me impressiona nada o estilo bem falante do diretor da uber. Num fórum da TSF, a propósito da última manifestação, deixou bem claro, pela inexistência de resposta, que a formação dos condutores não existe. 

Felizmente, não precisamos de ser pró-uber nem pró-táxi. Só pró-sensatez. É desse lado que me apetece estar.

 

 

Stress pós-férias? Isto ajuda

 

 

Rosham Qasam, 11 anos, no dia em que se casou com Said Mohammed, 55.

 

 

A menina do vestido cor de rosa casou-se aos seis anos com o senhor que está ao lado, Majed, de 25.

A menina do vestido verde é uma colega de escola.

Bibi Aisha foi dada de presente pelo pai a uma família para compensar de um crime que tinha cometido. Ela tinha 12 anos. Fugiu. A polícia encontrou-a e devolveu-a ao marido que, juntamente com o pai e os irmãos a levou para as montanhas do Afeganistão e lhe cortou o nariz e as orelhas.

 

De repente, ficou um dia lindo, não ficou? Pois.

Estas fotografias são de Stephanie Sinclair, uma fotojornalista norte-americana que andou pelo mundo durante 10 anos a captar estas realidades. Em 2008, as imagens foram expostas na sede da ONU em Nova Iorque. Depois disso têm passado por muitas cidades do mundo e chegam hoje a Lisboa. A exposição "Too young To Wed (Novas Demais para Casar)" inaugura hoje no átrio da sede da Caixa Geral de Depósitos. Fica até dia 15. Mais pormenores no sítio do costume e uma boa notícia (pelo menos para mim que já não me lembrava que esta menina tinha sido capa da "Time"): o nariz de Bibi foi reconstruído e vive em Nova Iorque. Tem outros problemas, mas vamos acreditar que tudo pode melhorar...

 

Ah, que saudades desses debates sobre bebés em restaurantes

Tão certo como uma capa de revista a dizer que Cristina Ferreira está mais próxima do ex-companheiro ou as fotos de Marta Aragão Pinto em bíquini é o post anual de pessoas indignadas com pais que levam crianças para restaurantes. Seguem-se respostas inflamadas de quem tem filhos. O tema é escaldante mas já não surpreende. O choque entre mães e não-mães sobre o que fazer às crianças no Gambrinus está para os 30 anos como os desentendimentos entre solteiras e não solteiras sobre "deixaste de ter vida sem ele" aos 20 ou entre raparigas e rapazes na adolescência.

Surpresa, surpresa seria encontrar uma mãe de filhos possuída porque os filhos dos outros fazem birras em restaurantes enquanto o seu Bernardinho se porta como um anjo. Encontrem-me essa progenitora e entro na conversa.

Na verdade, o que surpreende é que haja mães que se dão ao trabalho de responder. PARA QUÊ?, pergunto eu na minha modesta condição. Que importa que haja quem considere os vossos filhos irritantes ranhosos que fazem demasiado barulho? Estão a pensar deixar de frequentar o Eleven por causa disso? Que vos interessa que a rapariga fique furiosa com crianças que choram em restaurantes?

Pessoalmente, discordo da autora do post e até acho que o barulho dos bebés está muito sobrevalorizado na escala do que mais incomoda quando estamos a alarvar. E aquela malta que tira fotos à comida com flash? E os bêbados? Aqueles muuuuuita chatos que andam de mesa em mesa? E os tunos? Tudo isso me incomoda muito mais, como já tive oportunidade de dizer em local próprio (sempre quis escrever isto), mas, pronto, o que interessa? Alguma alma com mau vinho deixará de se ir encharcar? Alguma tuna fechará portas? Não? Bem me parecia que era tempo perdido estar-me para a aqui a lamentar.

Leitura de fim de semana

Já valeu a pena ler a imprensa de hoje, graças a este texto do Público. Há lá muita coisa e nem toda a ver com ter filhos, mas gosto muito desta frase de Marta Freitas, dramaturga e atriz: "[Os pais] Têm de trabalhar muito e querem muito estar presentes e acabam por interferir demais". Casa bem com outra leitura, do fim de semana passado, na Notícias Magazine, sobre as razões que explicam a ausência de filhos entre a nossa geração ("Quem faz um filho, fá-lo porquê?" -- excelente título). Uma geração que, diga-se de passagem, já tem poucos anos para se reproduzir pelo que, se calhar, chegou a hora de nos preocuparmos com quem aí vem e menos com quem já tomou decisões e não as vai mudar.

As notícias da sua morte são claramente exageradas, não?

 

Há quase 40 anos boa parte da família Salgado esteve presa. Libertados, recomeçaram negócios na Suíça, Londres e Brasil.

Será diferente agora -- há suspeitas, dinheiro sem nome, negócios menos transparentes do que se pensava -- mas tão diferente?

Lemos a história à luz do que sabemos hoje. Imaginamos que a reputação deles era boa em todo o lado exceto em Portugal, achamos que todos lhes abriraram as portas por terem sido vítimas de comunistas maus e, no entanto, quase podia jurar que o que lhes abriu as portas foi o dinheiro que ainda tinham. Como o dinheiro que ainda têm. Alguns, pelo menos.

 

Entretanto, dúvidas pertinentes:

- Ricardo Salgado vai para a Quinta do Lago de férias?

- E é de bom tom ir? Terá vontade de ir?

- Que pensará a família que não trabalha no banco e que possivelmente terá de abdicar de umas férias superbacanas?

- Os três milhões da caução foram pagos em cheque? (A sério, porque é que ninguém responde a isto?)

- Alugou duas salas no Hotel Palácio, no Estoril (qual conde de Barcelona no exílio). Porquê duas? Quem são as pessoas do inner circle?

 

PS: A história completa.

PS2: A foto é do Paulo Alexandre Coelho.

 

 

 

 

 

As miúdas estrearam-se nos festivais

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Sol, pó e rock n' roll. Fomos até ao Super Bock Super Rock.


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Só vimos o tributo dos Ladrões do Tempo (Zé Pedro e amigos) a Lou Reed.
Descobri que a Madalena é roqueira e suspeito que mais cedo que tarde me vai pedir para fazer uma tatuagem a sério.
Está delirante com a que lhe foi feita na EDP (por causa dela e da Teté, que fez umas estrelas, até aceitei ficar na fila).
Estava tão entusiasmada com o concerto que se quiser dedicar-se à música, espero que tenha a decência de ser baixista.
Não há profissão melhor na música.

A outra maluca roqueira é a Francisca. Fartou-se de dançar e bater palmas. Até quando a Lena d' Água cantou o "Sunday Morning" (valha-me Deus!).

A Teresa é mais dança clássica. Mas isso também já sabíamos. :)

Não temos filhos porque não queremos, e podemos não querer

Se há assunto apaixonante nos dias que correm é este: a baixa natalidade e os seus porquês.

Sou adepta das explicações simples e não me dedico a analisar a vida alheia para falar sobre isso. Basta-me a minha vida.

Temos três filhas, parece muito nos dias que correm. E não é nada. Se fosse realmente o que queríamos, podíamos abdicar de férias e colégios privados e ter mais filhos. Acontece que não queremos. E como nós muitas pessoas. Há mais do que isto, claro, muito mais. Um problema de género. Enquanto as mulheres não tivermos percursos profissionais equiparados aos homens, com ou sem filhos, não vamos resolver esta situação. E não me falem part-times com remuneraçao a 100%. Não quero que as minhas filhas precisem de esmolas quando quiserem ter filhos. Quero que elas os passam ter livremente e com a certeza de que com o seu trabalho e esforço, sob qualquer circunstância, e bastando para isso, desempenharem bem as suas funções, podem tê-los.

 

Tenho ido mudando muito a minha opinião ao longo do tempo sobre este assunto. E concluo quase sempre que não é bem apenas por dinheiro que não se tem filhos. Se isso fosse a razão primordial ninguém tinha filhos, porque, como demonstram estas confusões do BES, parece que o dinheiro nunca é demais. É estabilidade, certezas legais de que não se fica sozinho, rede de apoio... Tantas coisas mais simples.

 

PS: Pacote de medidas de incentivo à natalidade.

 

D. Dolores, a mãe coragem

Tenho lido muito por aí que há muitas mães como D. Dolores e que essas passam anónimas e ninguém quer saber nem escreve livros como o "Mãe Coragem". Não concordo nada. A beleza do livro é, precisamente, dar voz a uma mãe como muitas mães sozinhas que fazem das tripas coração para que não falte nada os filhos. A única diferença, até aqui, é que ela, como uma Cinderela, já está a escrever um capítulo feliz.

 

PS: Como é óbvio só volto a este assunto porque queria aqui pôr a fotografia de grande sofisticação que saiu hoje no "Correio da Manhã".

 

PS2: Já casquei várias vezes no CMTV mas hoje tenho que defender o CMTV e não é por aparecer nas páginas do "Correio da Manhã" (vestida, algo muito raro). É porque, ontem, foi o canal que se portou com mais correção na abordagem que fizeram aos netos de Dolores Aveiro, nomeadamente a Cristianinho, com perguntas que me parecem ao alcance da idade dos miúdos (4, 5, 6 anos e por aí). E fico contente por ser uma pessoa com quem trabalhei e de quem gosto, a Vânia Nunes, a fazê-lo. Em compensação, achei lamentável o que fez a RTP. Ponto número 1: foi o canal público que se aproximou dos miúdos para falar com eles. Até acho questionável que o canal público tenha interesse nisso, mas o mais impressionante é que à jornalista bastou que ali estivesse um adulto a acompanhar as crianças para entrevistar o miúdo. Se era a babysitter, uma prima ou uma senhora do hotel contratada para lhes fazer companhia não interessava. A pergunta à crianças também foi boa: "Sabem o que estão aqui a fazer?". Nada, no entanto, bate a pergunta do jornalista da SIC: "Sabes onde está o teu pai?". Ideal para uma criança de quatro anos.

Oh, pá, tirei uma foto com a D. Dolores

 

Alto momentaço na vida desta cristã: a foto com a mãe das mães, uma mãe que podia ser a de qualquer um de nós.

Tenho ouvido muita gente a perguntar-se qual é o interesse de um livro com o "Mãe Coragem", de Paulo Sousa Costa (Matéria Prima). Se cabe na cabeça de alguém só porque é mãe do Cristiano Ronaldo escrever um livro. Realmente, pá, para quê celebrar esse facto extraordinário de uma mulher ser como todas as outras e, no entanto, ter um filho brilhante. Para quê pôr a tónica na vida de uma pessoa que passou tanto e tão mal e no meio de tanta coisa triste ter sido capaz de saber escolher o que era o melhor para eles, por mais dificeis que sejam as decisões. E para quê, já agora, responder à pergunta que a todos nos passa pela cabeça quando vemos Ronaldo sempre ao lado da família: porquê?

 

Agora que li o livro e sei que foi para um orfanato respeito ainda mais a decisão que tomou de deixar o filho, tão pequeno, ir viver para Lisboa aos 12 anos. A outra coisa que adorei é que trata os filhos todos da mesma maneira. Mesmo fixe.

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