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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Bom fim de semanaaaaaaa. De cara lavada

janela aberta matisse.jpg

 

Respondendo ao apelo da Madalena, ela passa a ser a que "já sabe ler", e aproveitámos para abrir as janelas e deixar entrar o ar fresco. Este fim de semana trabalha-se. Este fim de semana levamo-las a festas de anos. Este fim de semana vou correr. Este fim de semana continuo "O Meu Avô Luís" (não me enganei: está recheadinho de informação interessante) e ponho outras leituras em dia.

Casas de madeira - mesmo boas para o outono.

Diz que as caras médias são as melhores (tenho pensado muito nisso. Será que detesto António Costa, o-do-PS, porque se me afigura como muito desleixado?)

O que não fazer após uma tareia no ginásio. Ou depois de correr. Ou depois do desporto em geral.

Quando comer açúcar era recomendado pelos médicos. Belos tempos!

Sobre rotinas, para (re)ler quando me for deitar na sexta-feira à noite. Parece que agora, com a mudança de hora e tudo, é que é. Acabou-se o bom tempo, cigarras! O ramerrame dos dias manda (pelo menos neste agregado familiar). E já há quem já esteja a contar os dias para agosto (uma amiga minha. Não sou eu. Obviously).

 

[créditos: Mulher Sentada, Henri Matisse]

 

"Quero ser pintora"

Balneário da natação, Madalena, Teresa e eu metemos conversa com uma menina de 10 anos e chegamos, já não sei como, ao "que queres ser quando fores grande". 

Menina - Eu vou ser dos bancos. Vou ser bancária.

Madalena - Bancária? Que chatice! Eu quero ser pintora.

Tendo em conta que a Madalena passa os dias a desenhar, que não é a primeira vez que me vem com esta conversa de ser pintora e que amiúde me diz que nunca vai querer morar longe dos pais, decidi enfrentar a realidade: vamos ter de a sustentar até aos 40 anos.

[Pai lamenta que a primogénita não tenha dito "Bancária? Que chatice! Eu quero ser banqueira". Uma profissão com tanta saída e prestígio nos dias que correm, digo eu.]

 

Fomos ao oceanário com o pai

Fomos no sábado ao Oceanário com o pai. A mãe foi ao jornal para trabalhar. Vimos imensos tubarães e muitos peixinhos coloridos e dois sapos, um peixe-balão, pinguins. Não vimos tartarugas, porque estavam a dormir nas suas casinhas.
O segundo sapo tinha manchinhas pretas e o corpo amarelo.
Eu, o pai, a Teté e a Quica, quando fomos ao Oceanário, vimos que os tubarões tinham dentes afiados. E os dentes bicudos. Não é como os das pessoas que são assim lisinhos. É mesmo afiadinhos como um lápis.
Também vimos a casa do Vasco, o mergulhador do Oceanário.
Foi uma visita longa, e vimos o Vasco a nadar. Nós não vimos a cara do Vasco porque ela estava de costas.
Quis tirar uma foto com o Vasco mas o pai não deixou porque estávamos muito atrasados para ir para casa.

Assinado por Madalena*

 

Lá havia tubarões e pinguins.

Assinado por Teresa (um contributo precioso mas a que não vou chamar ainda "o primeiro post da Teresa")

 

*Desta vez tentei compor mais o texto, houve um longo debate sobre o sentido da segunda frase. Expliquei algumas coisas sobre a repetição de ideias e do uso da palavra "quando". A certa altura achei que se estava a perder a espontaneidade e desisti. Uma das minhas partes preferidas é dos dentes das pessoas serem lisinhos e os dos tubarões afiadinhos como lápis, que ela, justamente, achava que não era para escrever. 

 

O primeiro post da Madalena (a sério) - como tudo aconteceu

Muito simples: chamaste-me ao quarto para te "aconchegar", a mãe tinha o portátil na mão, viste a família playmobil, que adoras. Estivémos as duas a ler o que somos cada um de nós, depois a mamã perguntou se querias dizer alguma coisa e começaste a falar, a falar, a falar... A minha parte favorita é quanto dizes "muito mas muito muito muito mal", olhas para o ecrã e perguntas "porque é que estas letras estão repetidas?". E respondes a ti própria: "Ah, é a palavra muito!". A mami está que não se aguenta.

O primeiro post da Madalena (a sério) - versão em bruto

Gosto muito da família. Da minha. Gosto muito das minhas irmãs porque são divertidas e gostam de brincar comigo. E também gosto dos meus pais. E também gosto do meu pai. Também da minha mãe. Porque acho que trabalham muito mas brincam comigo também e ao sábado ficam os dois em casa. Por isso, tenho muito tempo para brincar com eles e também gosto deles porque são muito divertidos. Porque gosto da minha família porque é muito divertida e muito engraçada. Quando é de noite os pais dão-me um beijinho. Levam-me ao colo para a cama, só às vezes e quando eu preciso de ajuda, ajuda-me toda a família. A Teresa é muito engraçada para mim quando eu estou a brincar com ela. Às vezes brincamos aos pais e às mães, também com a Quica. Gosto dela, da Quica, porque ela brinca comigo. E quando está de noite despedimo-nos porque não estamos no mesmo quarto. A Teté dorme com a Quica e eu durmo sozinha. Quando os meus pais estão, do tipo, a trabalhar tenho de ficar com a M. mas quando a mãe chega, a M. vai embora e podemos ver um bocadinho de nada de televisão, lavamos os dentes, a cara, as mãos, fazemos chichi, vamos para a cama. No dia seguinte de manhã, eu preparo-me para ir para a escola. E quando chego lá digo bom dia à F., ponho a lancheira na bancada, a mochila em baixo da bancada da sala, o casaco e o bibe no cabide, sento-me no meu lugar, começamos a trabalhar. Quando é hora do recreio vamos brincar e comemos o lanche da manhã. Quando chega a hora de trabalhar, vamo-nos sentar nas cadeiras, arrumar as caixas e essas coisas e temos uns fogetões que são do comportamento. O azul do ótimo, o verde do mais ou menos e o cor de rosa do pior. E depois temos o espaço. Quando alguém vai para o espaço porta-se muito mas muito muito muito mal Aprendemos uma coisa sobre o "o" e o "a" na escola. Quando eu estou em casa com os pais, isto só acontece ao sábado, eles brincam comigo.
Eu, um dia, fui para o Algarve. E quando estávamos lá vimos imensas coisas. Um parque com baloiço de madeira pendurado num ramo, feito com corda e madeira. Antes de começar a escola, eu e a mãe comprámos uma mochila. Depois fomos comprar um porta-chaves para a minha mãe. Depois a minha mãe deu-me para eu pôr na minha mochila porque se houvesse um menino com a mochila igualzinha à minha eu não me baralhava porque a minha tinha um porta-chaves.
Quando eu e os meus pais, as minhas manas e os meus primos estamos num casamento a minha mãe vê sempre flores. E quando eu vejo lá a noiva e o noivo eu fico contente. E quando a mãe vê flores eu entusiasmo-me tanto que pego nas flores e cheiro-as.

 

Assinado: Madalena

 

PS: "Disse imensa coisa, não disse? Sou uma faladora!" (Ela ditou, a mãe escreveu)

Está bem, falamos de trabalhos de casa

Fomos avisados na reunião da escola com a professora: a Madalena vai trazer trabalhos de casa às segundas, quartas e sextas. Chocante para dizer o mínimo e nem sou contra os trabalhos de casa nem me vão ver a assinar manifestos contra os TPC. Pelo menos para já. Falamos no Natal quando a carga aumentar para as quatro vezes por semana. Ou na Páscoa quando forem cinco vezes por semana. Vai acontecer. Ela disse-nos. Talvez venha mesmo a ser a mais radical das opositoras aos trabalhos de casa. Para já, como em tudo, só pedia um bocadinho de moderação, porque o assunto, como diz o João, é pertinente.

 

Qual BES, gostava de fazer a distinção entre os bons trabalhos de casa e os maus deveres.

Na minha visão, romântica possivelmente, o TPC útil é aquele que 1) põe o aluno a praticar o que aprende para usar e para ver se percebeu e em quanto tempo; 2) que obriga o aluno a responsabilizar-se por uma tarefa, por mais simples que seja, 3) que é feito sozinho e 4) que está adaptado ao ritmo da escola.

 

Não me parece sensato que se mandem trabalhos para casa se a escola fecha às 19.00 e se muitos meninos ficam por lá até essa hora. Mas numa escola que termina as aulas às 16.30 e em que a maioria sai a essa hora, já me parece razoável que os professores peçam alguma coisa. Mas pedir o quê? Uma cópia à sexta-feira parece-me justo. Embora me estrague o fim de semana, nesta fase têm de praticar. É chato mas mais chato é desaprenderem em dois dias o que lhe levou uma semana a saber. Mas fichas exigentes durante a semana? Não vejo a utilidade. Já tarefas de responsabilidade como encontrarem palavras que estejam a trabalhar, obrigá-los a pesquisar o que estudam já me interessaria mais. Tal como serem ensinados a ler este ou aquele texto. Mas, ok, posso mesmo ter uma visão cor de rosa do assunto. E é um assunto que me preocupa.

 

Faço as contas e acho que ela tem apenas 45 minutos, uma hora no máximo, por dia, para os fazer. É muito? É pouco? Gostava que os pais recebessem orientações dos profes com o tempo que os alunos, por norma, devem dedicar a um exercício. Se tem 20 minutos para fazer um problema, mas só o consegue resolver em 60, tem de praticar mais. Já agora, gostava que essa fosse a única ajuda a dar às crianças.

 

A diretora pedagógica da escola pediu aos pais para se possível não ajudarem as crianças a fazerem os trabalhos de casa. Ela tem razão. "Temos de ver se eles perceberam". Parece-me que tem toda a lógica e acho mesmo que devia ser sempre assim. Mas será? Ou na hora h vou ajudar a Madalena e nem pio?

 

 

PS: Maldita insónia e malditas "Criminal Minds" que me ponho a ver de madrugada e me deixam em sobressalto. Podia mudar de canal? Podia, mas quem é que se consegue separar de um bom doido varrido.

Podes contar a história do "Reino do Gelo"?

 

Há uns tempos pusémos a sala escura e alugámos o "Frozen" para as miúdas. Acho que foi um grande programa de família, naquela lógica do "as coisas melhores podem estar debaixo do nosso nariz" e elas adoraram o filme. Durante algum tempo, só cantavam.

A Madalena: leti có, leti có...

A Teté: menigô, menigô...

Agora todas as noites temos de cantar e contar a história com todos os pormenores possívels e imaginários. [Adoro]

 

PS: Como a Demi Lovato canta.

Festas de anos de meninas com apenas um ano podem ser muito perigosas

A Madalena passou a tarde a brincar com a yorkshire de uma das convidadas da festa de anos da Alice (um ano já, by the way). A parte preferida era puxar a trela da cadelinha. Depois desta conversa, porque sei que esta ideia já lhe anda na cabeça há uns tempos e porque conheço a nossa filha, já sabia o que ia acontecer: mais tarde ou mais cedo, ia pedir-me um cachorro. Pois nem foi preciso sair do jardim para me chamasse para um segredinho. "Mãe, eu quero ter um cão". Dito assim baixinho como quem sabe que está a pedir um Porshe. "A nossa casa é pequena e não temos jardim", dissemos nós. "Arranjamos uma maior", respondeu ela. Antevejo-lhe futuro como dirigente do BE. Do BE ou do BES, não sei bem. Ou no Direito. Porque argumentos não lhe faltam. "Podemos levar para casa da avó e depois fico com ele ao fim de semana" e a derradeira cartada: "Sabem porque é que tenho um cão imaginário? Para vocês verem como trato bem dele."

Pelos vistos ela é mais responsável do que a própria mãe

A Madalena é uma pessoa muito mais responsável do que eu esperava, para alguém que parece ter a capacidade de concentração da Dori do Nemo. Sim, ela não é daquele género menina-sossegadinha-que-apanha-tudo-no-ar. Quer brincar. No entanto, e isto é que me surpreende, quando tem trabalhos de casa, chega a casa e vai logo fazê-los. Não sei se ela o faz poque a professora lhes anda a fazer uma lavagem cerebral rumo ao 1.º ano, se é ela que é assim. Estou com muita esperança que seja o segundo caso. Se for só dela é muito bom. Menos uma coisa para me tirar o sono. E há sempre aquela ínfima possibilidade de ser, na verdade, uma coisa que os pais, com a educação esmerada que lhe dão, lhe tenham transmitido. Tenho dúvidas, no entanto. A julgar pelo que aconteceu na sexta-feira.

 

Tinha trabalhos de casa e não os fez logo porque tinha recado que era para despachar. No sábado não os fez porque não tinha a pasta, no domingo porque chegámos tardíssimo a casa. Resultado: só fez ontem. Mas com grande empenho. O que é totalmente fascinante.

 

Sobre os trabalhos de casa. Pois que os traz, sim. Começou a trazer uma vez por semana no segundo período, estamos a aumentar a frequência agora. Não são coisas propriamente complexas. É como se, na verdade, estivessem a ser ensinados a trazer TPC para casa. Devo dizer que acho uma certa piada. Tão crescida. Tão crescida que até diz: "Mãe, o 1.º ano é uma responsabilidade".

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