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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Duas notas muito importantes sobre o dia de hoje (numa delas uma mãe faz má figura)

1. Pessoas que se cruzam com a minha filha Quica no caminho da escola, isto é para vocês: parem de lhe dizer bom dia, rir-se, dizer piadas ou dar os parabéns aos pais por terem uma menina tão gira-benza'deus. Como boa futura rainha de Inglaterra que será um dia, a pobre está convencida que é mesmo assim e agora diz olá, bom dia e boa tarde a todo o transeunte que com ela se cruza. É bastante aflitivo.

2. Deve ser um dos espectáculos mais patéticos e tristes mas acontece (aconteceu hoje): chegar à escola com os bofes à boca e carregar as minhas coisas (de repente, aquele baton do cieiro que está na carteira pesa toneladas) mais duas mochilas, uma chucha, um ó-ó, dois termos e três guarda-chuvas pequenos. Porque, claro, se a Madalena leva, a Teresa tem de levar e a Quica não é menos que as irmãs e também de ir com o seu. Só mesmo a mãe é que anda sempre à chuva!

 

 

 

Faz a gargalhada assustadora...



Vocês não se vão lembrar, é preciso que vos conte que há uns tempos, na brincadeira, vos disse, Madalena e Teresa, que era capaz de fazer uma gargalhada assustadora. Vocês agarraram-se a mim no quarto, luzes apagadas, enquanto fazia um ah ah ah cavernoso. Vocês têm medo, mas é um riso nervoso e cómico. Agora fazemos com as luzes acesas e onde calha. Ontem à noite, quando estávamos a brincar à "gargalhada assustadora", a Quica imitou a mãe. E hoje repetiu. Para o vídeo.

No dia em que a Alemanha deu 7 ao Brasil

David Luiz.jpeg

A Teresa e a Francisca estavam a dançar no meio da sala, junto à mesinha. Rodopiaram. A Francisca caiu e bateu com a testa na esquina. Mais um lenho. Eram 21.01, o jogo entre o Brasil e a Alemanha, meias finais da Copa do Mundo, tinha acabado de começar. A Francisca chorava porque lhe doía, tinha a cara cheia de sangue. A Madalena chorava assustada. A Teresa chorava assustada. Acho que se sentia culpada. Foi uma meia hora penosa e não estou a falar do que sentiram os jogadores do Brasil. Ligámos ao pai. Ligámos ao Inem. Parece que demoraram muito mas não devem ter sido mais de 10 minutos. Meia hora depois já estávamos no S. Francisco Xavier. O segurança, incrédulo, contou aos técnicos do INEM que a Alemanha já tinha marcado 5 à seleção do Brasil. Os médicos usaram cola na testa da Chica. Ela chorou-chorou-chorou. Quando chegámos a casa, a segunda parte estava a começar. A Quica, cansada, bebeu leite e dormiu. Ainda vi a Alemanha marcar mais dois golos e o David Luiz chorar. Tenho pena. Acho que lhes está a doer mais a eles a derrota do que a cabeça à minha filha.

 

PS: As capas dos jornais brasileiros.

PS2: David Luiz pede desculpas.

Eu!

Pequeno-almoço de hoje, as três sentadas à mesa:

Mãe - Quem quer pão com marmelada?

Madalena - ...

Teresa - ...

Francisca - Eu!

 

[Depois de três ou quatro dias de bandalheira, em que a 'patroa pequena' ia voltando aos maus hábitos alimentares. Com mão de ferro e paciência, estamos de volta aos treinos.]

 

 

 

Tenho boas notícias

Estas palavras ainda não tinham arrefecido nos servidores do Sapo e a Francisca já estava a jantar. Hoje, terceiro dia da aplicação do método Estivill, comeu um pouco de sopa, comeu um pouco de massa e comeu lindamente a fruta (mas esta parte não é novidade). Estou num desses dias que me acho a melhor condutora do mundo. Porque além do mais há este amor pelo meu trabalho e, na reunião da escola, disseram-me coisas lindas sobre a Teresa, a rainha dos porquês, aquela que não fica contente enquanto não lhe dão uma explicação.

Mais um dia que foi para a cama sem comer

Não o digo com alegria, digo até com preocupação. Quanto tempo vamos aguentar nisto? Ontem comeu uma colher de sopa. E quando digo uma, é mesmo só uma. Entre as tentativas quis comer a pêra das irmãs. Recusei. Chorou. Voltei a apresentar a sopa e o prato. Nada. Digo eu: muita fome não deve ter, se tivesse comia... E, vamos lá ver, o ponto é este: a rapariga come. E até come sozinha. Desde que seja leite, fruta, bolacha Maria, pão de vez em quando. Portanto, se tem fome para estas coisas, tem de ter para outras.

 

Sei que o método estivill é polémico, e entendo. Para já, há essa coisa de se chamar método. Eriça logo os pelos. A mim pelo menos. Depois, há a questão dos minutos. Para quem não sabe, a ideia é fazer tentativas separadas por vários minutos - três de tentativa e três de pausa, quatro de tentativa e quatro de pausa, cinco de tentativa e cinco de pausa (como é óbvio, se a criança começar a comer não se para). Esta ideia parece pateta, para usar a expressão da MAB em comentário ao post anterior, mas aí é onde tenho de defender realmente o Estivill. Os minutos são aquilo que permite aos pais entenderem realmente que podem continuar e não estão a magoar os filhos. O que é que ele diz? Durante três minutos, a pessoa que está a dar o jantar acalma-se, conversa, fala sobre a boa comida que ali está. Três minutos é pouco tempo dito assim. Pensava eu que era impossível ficar tão à beira de um ataque de nervos em tão pouco tempo. Mas fica-se. E o bom deste método, não sei se as outras pessoas acham o mesmo, é que a certa altura eu só pensava 'não é preciso ficar chateada, daqui a um minuto isto passa' e 'consigo ficar calma por três minutos'. E fica-se. A Francisca chorava e eu calma. Desistiu de berrar em pouco tempo. Não comeu mas não se zangou. E quando o fez percebeu logo que era inútil.

 

O que me parece é que o método é para os pais e não tanto para os filhos. Trata-se de ensinar os pais a darem comida aos filhos. Uma vez admitido o problema - sim, eu não sei dar de comer às minhas filhas - passa-se à solução. E quem precisa das tais regras são, no fundo, os pais. Precisam de ter a certeza que estão a fazer bem. Se o método estivill vai funcionar não sei. Mas tenho fé. E, defendendo-o mais uma vez, creio que de maneira instintiva apliquei esta ideia do tempo quando a Teresa era pequena. Deitava-a na cama e contava os minutos no relógio. Se chorasse ao fim de dois minutos dava-lhe colo. Poucas vezes foi necessário. Lá está, contar os minutos era aquela coisa que me dizia que era pouco tempo, apesar de aos ouvidos dos pais dois segundos de choro serem uma calamidade. Quanto a este método, quero que funcione. Quero mesmo. Enquanto não ultrapassarmos isto, não descanso.

 

PS: O meu pai ligou-me indignado porque mandei a minha filha para a cama com fome.

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