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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Fomos ao oceanário com o pai

Fomos no sábado ao Oceanário com o pai. A mãe foi ao jornal para trabalhar. Vimos imensos tubarães e muitos peixinhos coloridos e dois sapos, um peixe-balão, pinguins. Não vimos tartarugas, porque estavam a dormir nas suas casinhas.
O segundo sapo tinha manchinhas pretas e o corpo amarelo.
Eu, o pai, a Teté e a Quica, quando fomos ao Oceanário, vimos que os tubarões tinham dentes afiados. E os dentes bicudos. Não é como os das pessoas que são assim lisinhos. É mesmo afiadinhos como um lápis.
Também vimos a casa do Vasco, o mergulhador do Oceanário.
Foi uma visita longa, e vimos o Vasco a nadar. Nós não vimos a cara do Vasco porque ela estava de costas.
Quis tirar uma foto com o Vasco mas o pai não deixou porque estávamos muito atrasados para ir para casa.

Assinado por Madalena*

 

Lá havia tubarões e pinguins.

Assinado por Teresa (um contributo precioso mas a que não vou chamar ainda "o primeiro post da Teresa")

 

*Desta vez tentei compor mais o texto, houve um longo debate sobre o sentido da segunda frase. Expliquei algumas coisas sobre a repetição de ideias e do uso da palavra "quando". A certa altura achei que se estava a perder a espontaneidade e desisti. Uma das minhas partes preferidas é dos dentes das pessoas serem lisinhos e os dos tubarões afiadinhos como lápis, que ela, justamente, achava que não era para escrever. 

 

11 anos

A partir de hoje tenho, oficialmente, dois afilhados com 11 anos. O-N-Z-E. Txiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Lembro-me como se fosse hoje.

O Rafael nasceu no dia 13 de março e o Ricardo juntou-se-lhe cinco dias depois. Estava em Barcelona quandoa notícia me chegou. E nunca me vou esquecer da voz do pai do Ricardo, embargada, a falar comigo. Pensei: "Isto de ser pai/mãe deve ser mesmo do outro mundo". Os meus maravilhosos afilhados, filhos das minhas maravilhosas primas, já têm 11 anos. Maravilha!

O pior das férias...

Apesar do que possa parecer o último post, e de até achar que a Francisca pode ter sentido a nossa falta durante a última semana, tenho 99,9% de certeza que fizémos bem em não a levar. Admiro imenso as pessoas que levam os filhos para todo o lado -- sol, neve, caminhadas intensas e o diabo a sete -- mas isso não é para nós. Sentimos muito a falta dela, claro, e não a ter por perto foi o pior, mas não vou estar aqui a chorar e a fazer de conta que isso me 'cortou o barato' ou que passei noites em branco por causa disso porque não é verdade. Houve saudades, sim, e ficava nostálgica quando tirávamos fotos a quatro, mas isso é natural. Dentro das circunstâncias, acho que até estivémos bem calmos. Porque a Quica estampou-se e partiu a cabeça.

 

Na sexta-feira, isto é, dois dias antes da partida, quando chegávamos da pediatra, houve encontro imediato de primeiro grau entre a nossa bebé e uma esquina na garagem da nossa casa. Um acidente estúpido como todos os acidentes.

 

A Teresa deu-lhe um toque e ela caiu. Teve o azar de ter a esquina à frente. Quando a levantei, havia sangue por todo o lado. E um corte tão grande que nem conseguia olhar. Subi o elevador com ela, pus-lhe uma toalha, chamei o INEM com a ajuda a M., enquanto ouvia a Teresa chorar, aos guinchos, na garagem, e a própria Chiquinha chorava de dor e de susto.

 

Por mim tinha desatado a chorar e berrar também, mas uma coisa que tenho percebido quando há acidentes é que é fundamental manter a calma.  Devo ter parecido tão tranquila que o INEM passou a mensagem errada à ambulância. Disse que se tratava de uma pessoa de 16 anos! A espera pareceu-me uma eternidade e o sangue parou de correr entretanto, o que só me deixou ver melhor o tamanho da ferida. Horroroso...

 

No S. Francisco Xavier fomos atendidos pelos profissionais mais jovens que já tinha visto. Tinham pouca experiência, era evidente, mas também eles pareciam calmíssimos com o assunto. Puseram cola, deram indicações básicas e aí, sim, começámos a fazer perguntas: E agora? Como é que era? Nós com uma viagem marcada e a nossa filha mais pequena, a que não ia, com a cabeça partida. "Têm três filhas e ainda ficam assim?", perguntou o médico. Passou-me pela cabeça ficar, passou-me pela cabeça levá-la. Nada mudou. Quando tudo acalmou percebemos que não havia grande coisa a fazer. E com os cuidados da sua avó, que lhe pôs betadine três vezes por dia e a levou ao centro de saúde para 'fazer o penso' (bonita expressão), a Quica tem a ferida quase boa [suspiro de alívio].

 

A ferida mais difícil de sarar é a da Teresa. Ontem, quando entrámos no elevador da garagem, perguntei-lhe a fazer conversa: "Teresinha, lembras-te do qeu aconteceu à Quica aqui?". Foi como se tivesse voltado ao dia 7. "Eu já lhe pedi desculpa, eu já lhe pedi desculpa", dizia ela, a soluçar. E tudo por causa de um parvo acidente...

 

PS: A partir de agora só falo de comida boa e paisagens idílicas.

Para a semana cai o governo, é o que quiserem apostar

É o que quiserem apostar em como na próxima semana

1) se vai demitir todo o corpinho diretivo de alguma instituição da cultura

2) vai morrer o Mandela (figura de estilo, claro, que eu não desejo uma coisa dessas nem muito menos a espero)

3) o governo cai

4) se descobrem vídeos porno e/ou de corrupção de um candidato às autárquicas

5) o Obama vai mandar torpedos para a Síria.

 

Como é que sei?

Não temos empregada à tarde.

2 coisas adoráveis do pré-início do ano letivo

1. A cara dos pais quando se lhes pergunta quando começa a escola. Se a resposta vier acompanhada da palavra "só" já se sabe que estas estão a ser as piores semanas do ano.

2. Ainda não ter nada pronto.

 

Já tenho tudo? Não

Roupa marcada? Não.

Termos marcados? Não.

Sacos com mudas e roupa de sesta? Não.

 

Mas, só para não parecer um incompetente completa: há mochilas e a roupa que serve do ano passado está lavada, passada e arrumada. 

 

Nem quero imaginar como será quando houver uma lista de página A4...

 

 

 

 

 

Terapia alternativa na Farmácia de Serviço - versão completa

Já não há pachorra para bebés. As três filhas que tive nos últimos cinco anos habilitam-me a dizê-lo com propriedade. Não é pelas crianças (descanse a segurança social). É por causa da filosofia de loja de chineses que uma pessoa tem de aturar. Das pessoas que não têm filhos e acham que podem opinar (comigo escusam de tentar), dos que acham que só os filhos deles é que fazem birras que não incomodam (ah, ah, ah), dos pró-amamentação, dos anti-amamentação, dos que querem educar na felicidade, dos que querem firmeza e regras, e - a última moda - dos defensores da teoria 'mãe feliz, bebé feliz'. Esta então... Estou capaz de sentir os enjoos que as minhas crias nunca me deram (ai, parece que não é fino dizer crias).

O que se supõe que quer dizer 'mãe feliz, bebé feliz? Há alguma relação em que suponha que a minha infelicidade é fonte de alegria para outra pessoa? Isso sim, seria novidade! Outra pergunta: papá feliz não dá bebé feliz? Avó feliz não é sinónimo de bebé feliz? Se calhar, não. Só funciona para a mãe.

Ou, então, espera, queres ver que esta é mais uma daquelas cenas inventadas pelas mulheres da geração de 70 para chamarem a atenção? Já não basta o dia do casamento, agora também estão à frente de bebés indefesos. Está certo que também não vamos agora voltar ao modelo da mãe mártir que se mata em trabalhos pelos (ingratos) filhos, mas será mesmo necessário querer fazer da maternidade uma história de passeios bucólicos em carrinhos de design, roupas em tons suaves e fotos queimadas no instagram (uma amiga chamou-me a atenção para isto) e todos muito comportadinhos? A que pouco se podem reduzir direitos tão suados.

Qual o significado de tudo isto? É egoísmo ou pura chantagem (se não me sinto bem, não me sinto feliz, se não me sinto feliz, não cuido bem do meu bebé, se não cuido bem do meu bebé podem acontecer coisas, logo, pequena criatura e família, o melhor é não aborrecerem muito)? Futilidade é de certeza. Há tanta, tanta superficialidade na maneira como se criam as crianças. Mesmo quando está travestida de waldorf, movimento moderno, vegan, religião. Não interessa a seita. O que une os pais de hoje é esta estranha mania de que até a parentalidade precisa de narrativa. Um miúdo não pode apenas SER. Tem de haver um projeto, uma ideia, um propósito. Parece que se está num concurso para saber quem deu à luz o próximo Einstein ou o próximo milionário. E, de preferência, que pareçamos todos hiperfelizes e saídos das páginas da Vanity Fair. Quando acaba a fase egocêntrica das mães começa a etapa "abram alas, dei à luz o Messias". Que, no fundo, também não passa de egoísmo dos pais ("vejam bem o ser humano que criei!").

Não queria agora vir para aqui citar os Resistência, mas às vezes, tantas vezes, só era preciso lembrarem-nos, lembrarmos, que as crianças não são nossas, nem projeções do que nós gostaríamos que fossem ou do que queríamos ter sido, mas seres humanos únicos e livres e independentes que vão crescer com ou sem ajuda. Nós podemos dar um empurrão, sim, mas o mérito é delas.

A infância numa bolha

"O Rapaz na Bolha", Keelan O'Rourke

 

Dizem que quando temos filhos revivemos a nossa infância e recuperamos memórias ou o que achamos serem memórias. Não sei se isto é mesmo assim, mas a mim acontece-me lembrar-me de coisas que estavam guardadas cá muito atrás e regressam à medida que as miúdas crescem. Uma que guardo na categoria de "muito boa" é a minha mãe levar-nos ao cinema à Ericeira, ao domingo de manhã, depois da missa, para ver filmes infantis (tipo "Herbie"), antes de irmos para a praia. Não me apetece sequer imaginar o esforço que suporia tal coisa porque levávamos farnel e tudo mas ainda bem que ela o fez porque, a sério, acho que aquilo eram dias mesmo bem passados. Fomos poucas vezes, acho, mas gostei tanto que sonho emular a cena com as miúdas. Dispenso o "Herbie" mas, felizmente, temos muito mais opções. Algumas para lá de bonitas, como a que está a organizar a Zero em Comportamento, no cinema City Alvalade. Basicamente, um mês inteiro, junho, só com o melhor da animação (a imagem é de um dos filmes que vão passar). Faltarão os queques da Casa Gama (são a minha "bola de berlim" estival) e é duvidoso que vamos à praia a seguir, mas algo se há-de arranjar para entreter as miúdas e entrar no calor em grande. E o meu sonho era que reabrissem o cinema da Ericeira. Por pedir... 

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