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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

E a maior praga da educação é...

A palavra estimular.

A criatividade, a curiosidade, a atenção, o raciocínio, a lógica...

Vai ser triste sermos pais destes futuros adultos absolutamente normais, com vidas duras, felizes e infelizes, sujeitos aos mesmos desafios de sempre mas tão estimulados para serem perfeitos.

 

Ah, mas a pobre e velha mãe não é uma frouxa...

Eu grito (grito mesmo muito) e ameaço e ponho de castigo e já a mandei para a cama sem comer. Mas a Teresa é teimosa. É mesmo teimosa. É dessas pessoas que nunca se decide mas que quando o faz, acabou-se. Não há quem a faça mudar de ideias. E, depois, um dos maiores problemas desta 'brincadeira' é este: quando a Teresa está a jantar estamos a dar a comida à Quica e depois não conseguimos estar a chatangear a Teté com tanta eficácia. É uma confusão! E ralhar também já se percebeu que não é opção porque fica um mau ambiente que não se aguenta. Os desenhos animados sugeridos? Boa ideia! Mas já faço. Foi o isco com a número 1. Geralmente, funciona ao contrário. "Não comes? Vou tirar a Dra. Brinquedos". Às vezes, tiro-os completamente. É bom para a minha cabeça porque tiramos um ruído mas as discussões são exatamente as mesmas. Só com uma variante: "Põe os desenhos! Põe os desenhos!". Existe uma maneira de isto acabar, claro. Eu decidir que não é importante a Teresa comer sopa ao jantar ou não me ralar que a Quica não queira o prato principal. Se eu deixar de me ralar com estes assuntos, eles deixam de ser importantes, volta a paz. Acontece, porém, que eu QUERO que elas comam a sopa, que a apreciem e comam sozinha. Esquisitice minha...

Bom dia, vinha cá pressionar-vos com o certo e o errado na infância

Qual é a idade certa que para deixar a chucha? Neste post fala-se sobre as vantagens e inconvenientes da melhor amiga das nossas crianças e dão-se achegas úteis aos pais. A mim descansaram-me. Vou mais que a tempo de tirar chupeta à Teresa, que já tem quase três anos e meio (tem sido uma decisão adiada por causa da operação e outros pequenos eventos que se aproximam.

Porém, eu nem queria falar sobre chuchas. Era sobre esta necessidade que temos, nós, pais, de estabelecer limites e datas para traumatizar os nossos filhos. Quanto mais tempo passa mais acho que é muito importante respeitarmos o ritmo dos nossos filhos. Às vezes, eles simplesmente QUEREM fazer as coisas mais tarde. Reconheço as inúmeras vantagens de forçarmos a pequenada a algumas atividades -- o que seria se não lhs disséssemos para lavarem os dentes ou comerem com talheres? -- mas, como em tudo, a moderação e equilíbrio são essenciais. E não stressar demasiado se as crianças passam um bocadinho do tempo regulamentar.

No caso da chucha, em concreto, se, como diz a Teresa Mendonça, a idade ideal é entre os 4 e os 5 anos, se o fizerem às 5 e meio haverá drama? Lembro-me muito bem de adorar a minha chucha e de como foi triste separar-me dela. Da minha experiência diria que o mais importante é mesmo falarmos com os miúdos, ensinar-lhes mesmo que a chucha é um objeto sem o qual podem passar. E compensá-los. Perder algo de que se gosta muito merece muita atenção e, às vezes, realmente somos brutos a lidar com estas perdas que só são insignificantes para nós adultos. [só começarei a fazer moralização anti-chucha em meados de fevereiro]

Presentes de fim de ano. Sim ou não?

A Vanda está com dúvidas sobre este assunto. Eu, que opino sobre tudo e um par de botas, penso que se ambos conseguem cumprir o objetivo "passar de ano" devem receber igual. Mas se queres premiar a competência com que o fizeram a pessoa que seguiu à risca as listas e se empenhou mais deve ser compensada. Na verdade, digo eu, são duas coisas completamente diferentes.

 

De vez em quando penso neste assunto. Compensar as crianças com coisas de que gostam -- brinquedos, idas a sítios que gostam, a tardes de brincadeiras com amigos que só veem na escola -- parece-me justo. Todos gostamos de ver reconhecido o nosso esforço. Mas não tenho a certeza que seja boa política oferecer presentes porque passam de ano. Afinal de contas, esse É o trabalho das crianças. Tinha pensado que talvez fosse interessante fazer como nas grandes empresas. Oferecer presentes quando cumprem determinados objetivos. Por exemplo, conseguir várias notas excecionais equivaler a uma prenda. Isto faz sentido?

Sobre a procrastinação

Há uma pessoa nesta casa, adulta, que anda a gozar comigo porque de manhã me ouve a dizer à Madalena "não estejas a procrastinar" ou "não sejas uma procrastinadora" ou outra coisa qualquer a envolver o verbo procrastinar. É verdade que a miúda tem uma certa dificuldade em dizer a palavra e que não é coisa que se diga assim sem cerimónia mas não vou agora deixar de a usar porque é uma "palavra difícil". Difícil para os adultos! Para as criança todas as palavras novas são difíceis. É uma teoria que tenho. Para os miúdos não existe simples ou complexo. Quando não conhecem qualquer coisa, tudo é complexo. Portanto, para quê nivelar por baixo? (Atenção, estou a falar apenas de palavras e partindo do princípio que a criança em causa é capaz de pronunciar vocábulos com três ou mais sílabas).

Rapazes, continuem assim que vão no bom caminho

Se não houvesse mais razões, que há, eu gostava de agradecer a todas as feministas atrás de mim que permitiram que hoje uma menina possa tranquilamente pedir carrinhos, ver wrestling, conduzir pequenos carros eléctricos, jogar à bola, em suma, fazer tudo o que se poderia associar a um rapaz enquanto os meninos continuam presos a coisas parvas como não ser adequado ver as 'Winx', não poderem brincar às fadas ou pintar as unhas. (Sim, eu sei que isto não é assim tão simples).


 

Histórias infantis = terror sobre terror

Conforme já expliquei aqui, a hora de deitar tem um ritual próprio que termina com uma história na cama dos pais. Pode ser um conto, pode ser uma canção, pode ser inventada ou pode ser um resumo do caso "Face Oculta", como aconteceu hoje, noite em que foi o pai da Manena a deitá-la. Um senhor importante, uns senhores polícias, uns telefones mágicos... enfim... acho que ficou muito bem e que não ofende. Sobretudo, se comparado com o teor das histórias infantis que estão à disposição nas livrarias. (Bem sei que já falei sobre isto, mas, estou que nem posso, portanto façam de conta que isto é a revista Pais & Filhos, sempre a mesma coisa mas a gente finge que não e gosta sempre!)


Comecemos por uma pergunta que parecendo estúpida não é: os editores de livros infantis lerão o que mandam para a gráfica?


Erros ortográficos grosseiros ainda não apanhei, já textinhos mal traduzidos é à fartazana (permitam-me a liberdade estilística). Mas, enfim, isso é questão de não sair da livrarias sem os ter lido de fio a pavio. O que revolve mesmo as tripas é o conteúdo.


Ofereceram um livro do Patinho Feio à Madalena. O gesto é maravilhoso, o que não esperava é que lá dentro a história fosse a um do Patinho que nasce diferente dos outros e a quem a mãe diz: "És diferente, mas eu gosto de ti na mesma". Primeiro grande erro. Se é o mesmo, para quê dizer isso? Enunciar a igualdade é uma forma de discriminação. Depois, mais para a frente na história, fica a saber-se que o Patinho, por ser feio, era escorraçado de todos os sítos onde andava. No entanto, depois de se transformar no bonito cisne que conhecemos, arranja logo dois amigos que queriam muito brincar com ele.  Não acho normal! E, quanto mais não seja cá em casa, a história não se conta assim. E é tudo nesta linha.


 


As histórias infantis são filmes de terror para menores de 4:


- A Capuchinho Vermelha quase morre por ser curiosa e crítica - quer ver o atalho e desobedece à mãe;


- Nos Três Porquinhos, ser folgazão e devertido é sinal de que ainda se acaba sem tecto.



E depois também há casos claros em que a história foi rescrita, como acontece com o livro da Cinderela que trouxe do Brasil. Segundo o livro, naquele momento crucial em que o guarda do palácio anda de casa em casa a experimentar o sapatinho de cristal, é a própria da Gata Borralheira que se oferece para experimentar o modelo. Bem sei que se diz que as brasileiras são mais abertas que as portuguesas, mais extrovertidas, mais desinibidas e com menos pudores, mas isto já é abuso.

Qual é a escola certa? #2

Em primeiro lugar, obrigada a todas as meninas que tiveram a amabilidade de perder algum do seu tempo a comentar o post anterior.


 


E agora abro aqui um parêntesis, em nome da etiqueta e da saudável convivência blogosférica, para dizer à Mil Sorrisos que, apesar das minhas dúvidas e críticas, tenho imensa admiração pelos professores e pela função social que desempenham. Não é minha intenção ofendê-los. Mas é precisamente por achar que são fundamentais (e tão pouco apreciados pelos governos em geral) que opino com tanta 'violência'. Não confundo o todo com as partes e, apesar de nunca ter estado na tua sala de aula, sou testemunha do teu empenho quando te lançaram o desafio de dares uma disciplina nova. Pediste ajuda, quiseste saber e acho isso louvável e correcto. Também tenho uma prima professora de uma escola secundária pública que se dedica com afinco à sua profissão e aos seus meninos, apesar das adversidades, pelo que não pretendo fundamentar as minhas decisões apenas num mau exemplo que uma professora primária me dá. E estamos de acordo: maus profissionais ou, no mínimo, gente com cujos métodos não concordamos, existem em todos os ofícios.


 


Acontece que guardo recordações maravilhosas da escola infantil e da primária - o tal CSPSJL de que a Dulce fala. Parte das minhas angústias resumem-se, aliás, ao facto de desejar que a minha filha seja tão feliz nas escolas por onde vai passar como eu fui naquela. Era o que hoje se chama de IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social), dirigida por freiras. Para a época em que comecei a frequentar o ensino primário, 1982, estava uns furos acima da média. Além de catequese (e eu não tenho nada contra escolas católicas, só contra as fundamentalistas), tínhamos ginástica, fazíamos um mês de praia no Verão e a mesma professora acompanhava as turmas da primeira à quarta classe.


 


Gosto imenso da Fernanda, a professora que me ensinou as primeiras letras e os primeiros contas e que incentivou, como nenhuma outra depois disso, o gosto pela leitura. Conhecia-nos quase tão bem como os nossos pais. Interessava-se. Por nós e pelo que se passava à nossa volta. Obrigava-me a fazer contas e problemas até à exaustão. Odiava. Mas era preciso. Era a minha fraqueza e ela sabia.


 


O resto da escolaridade fi-la em escolas públicas. Também guardo excelentes memórias desses tempos. Tive professoras óptimas. Que faziam de tudo para dar (bem) toda a matéria e que eram exigentes até ao último dia do terceiro período. Os que mais gostei são precisamente os mesmos que associo a grandes ralhetes. É mesmo assim. Só os tinham alguma expectativa e conheciam as nossas capacidades se zangavam com as nossas falhas. Deve ser a isto que chamam de tough love.


 


Mas na escola pública também fui confrontada com faltas de professores continuadas, com escolas em instalações precárias ou inexistentes. Frequentei três diferentes. A primeira era nova, tinha até uma pista de salto em comprimento, mas não havia um tecto para fazer ginástica. Os anos lectivos começavam e não tínhamos profes. Outra ficava num palacete lindo que foi adaptado a escola, o que nem sempre resulta bem. Acho que foi a segunda escola de que mais gostei, talvez por ser pequena, talvez por ter professores bons, que faziam das tripas coração para não notarmos que estávamos numa edifício a cair de podre. A terceira tinha tudo o que era preciso, até mais mais alunos do que devia. Tínhamos aulas nuns pré-fabricados a que chamávamos galinheiros, provisórios há 30 anos naquela altura.


 


De professores maus prefiro não falar (os piores mesmo encontrei na faculdade). É injusto comparar um período em que temos apenas um professor com outro em que temos dez. Mas concluo, com desgosto, que a distância dos gabinetes do ministério da Educação para as salas de aula é maior do que eu gostaria. Como se fosse possível um bom profissional trabalhar tão bem numa escola sem condições como em outra que tem tudo - como a Mil Sorrisos diz. 





Deve ser por isso que quando olho para trás, não tenho dúvidas que a primária foi mais importante para o meu crescimento e que foi a mais completa. Talvez fossemos demasiado "queques" para uma escola grande, precisamente sermos tão treinados para ser tão bonzinhos, mas no geral era a melhor. Atribuo isso à professora, mas não só Poderia ter tido uma igualmente boa, ou melhor, no sector público (ela, aliás, foi trabalhar para o sector público anos depois). Tem a ver com o contexto geral, que era melhor na primária.


 


E como não posso prometer evitar pensar neste assunto sem me lembrar da minha própria experiência só posso prometer que serei cuidadosa na escolha. Vou basear a escolha na análise minuciosa do currículo dos professores, claro. Mas não só. E é este "não só" que há-de fazer a diferença.

Casinhas com arroz e ervilhas? Jamé

Porque sou uma mamã preocupada com o que dá a comer à sua cria, comprei este livro:


Tudo muito giro, tudo muito útil, até à parte em que sugerem que se  façam coisas como casinhas de arroz, debruadas com ervilhas, janelas de feijões verdes e árvores que são brócolos só para tornar a hora da refeição mais aprazível para a criança. Se algum dia me virem a fazer isto, por favor, internem.me. Em todo o caso não chamem a Segurança Social (conhecendo o fervor normativo desta gente são capazes de achar isto bem).


 


Acho inacreditável esta mania de que tudo o que tem a ver com crianças tem de ser divertido e super-mega-fixe. Uma coisa é achar, como acho, que devemos retirar prazer em tudo o que fazemos, mas isso não tem a ver com a coisa em si. Tem a ver com cada um de nós. Nós é que temos de encontrar o lado bom de tudo na vida. O que é vocês acham, mães, pais, pessoas deste mundo?

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