Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Sampa

14963180_10210336111934705_4132524089760391163_n-1

 

Sempre fui uma dessas estranhas pessoas que tem um blogue para não contar tudo. Por exemplo, em 2009, passei seis dias em São Paulo e não escrevi uma linha sobre esse assunto. Referi que tinha estado numa viagem e segui em frente. Mas os tempos, já dizia Bob Dylan, estão a mudar. Estou de volta a Sampa, acompanhando a digressão da Orquestra Gulbenkian, como podem ler no DN, e já confirmei que não era ilusão de ótica: São Paulo é mesmo uma das cidades mais espetaculares onde já tive o prazer de ter estado. Falta-me Los Angeles. Falta-me Buenos Aires. Falta-me Caracas. Falta-me Copenhaga. Falta-me Praga. Tudo cidades onde iria de caretas já no fim de semana, mas São Paulo, garanto, é incrivel.

É feia. Cheia de prédios. É cinzenta. Chove de maneira esquisita e as pessoas estão sempre apressadas. Há muita pobreza e não aquele tipo de pobreza alegre e colorida que a gente vê no Rio de Janeiro e que até passa nos filmes. São Paulo é dura. Debaixo do viaduto, uma família mobilou uma assoalhada. O piso 0 do MASP (Museu de Arte de São Paulo) é um vão que congrega todo o tipo de misérias -- pobres, doentes, gente em busca de qualquer coisa. Está sujo. Andamos uns passos mais e o arranha-céus seguinte tem heliporto. São Paulo, a cidade com mais tráfico de helicópteros do mundo. Tinha 500 mil habitantes em 1912. A zona metropolitana da cidade tem hoje 20 milhões. Duas vezes Portugal, nem é preciso dizer.

Na Avenida Paulista já sobra pouco desse tempo que a rua eram palacetes de magnatas das plantações. Sobram poucos, dois deles em muito mau estado. Os prédios tomaram conta da cidade, o que não é mau nem bom, é o que é. A cidade mudou.

E, ao mesmo tempo, tem restaurantes magníficas, montras de fazer inveja ao que se vê na Oxford Street, em Londres. Tem mulheres altas, bonitas, louras, bem vestidas que caminham sem esforço de saltos altos com as malas caras apoiadas no pulso. Tem patricinhas, tem o Morumbi das novelas de antes, a Vila Madalena das de agora. Tem casinhas que deviam ser de gente e agora são lojas ou lanchonetes. "Moça, deixa eu preparar seu lanche". Tem muita gente com cães, muitas lojas para eles. Fala-se muito de reciclagem. Há um programa na TV que se chama "Verdejando" e grafitis por todo o lado. Judeus. E japoneses. É a cidade do mundo com mais japoneses depois de Tóquio. E arménios: existem 50 mil, construíram três igrejas e uma escola. São Paulo é exatamente como cantava Rita Lee: "há um jeito americanês de sobreviver". Nova Iorque na América do Sul. 

 

 

 

 

 

Atrás das teclas

foto do autor

Instagram

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D