Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Quem sai aos seus

Um blogue para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

O Supernanny é uma seca

Já não estou às escuras, vi um bocado do programa no domingo à noite. É por isso que estou em condições de dizer que esta controvérsia é uma seca. Argumento contra: expõe a intimidade das crianças. Argumento a favor (que só ouvi à SIC, ontem à noite, num debate): ajuda os pais, hoje a ideia de exposição é totalmente diferente. E, pronto, tudo se resume a isto. 

Ana Sousa Dias escreveu uma boa crónica sobre o assunto, onde se diz quase tudo. Revejo-me nela quando fala das suas próprias limitações como mãe. Não nos sentimos todos nós assim? Frustrados/ culpados por não sermos esses pais perfeitos que íamos ser quando os miúdos não existiam? Talvez eu seja demasiado permissiva ou pouco poética, mas o facto é que mais daqui ou dali as crianças são todas bastante parecidas. Anjos quando dormem, de levar os adultos à exaustão quando estão acordadas. Talvez ajude serem acompanhadas, mas fazer birras é normal aos 5 anos. Pois se conhecemos tantos adultos que o fazem, como havemos de pensar que crianças podem controlar-se. Ou mesmo que DEVEM controlar-se... 

E, por outro lado, quem é o pai ou mãe que querendo despachar as coisas ao fim do dia, a cabeça como um bombo de trabalhar, não perde a paciência com os filhos, eles próprios cansados de um dia na escola (mais atividades e o diabo a sete). Eu sei quem é esse pai. Chama-se Cristiano Ronaldo e tem milhões para despender em nannys, super ou não. Ter dinheiro para descansar é a maior ferramenta de educação. 

Portanto, nada há de excecional naquela família que vi ontem. São apenas um marido e mulher com dois filhos, precisam de trabalhar e de repartir com os filhos as tarefas diárias, não para que eles aprendam, porque lhes vai ser útil, mas porque é necessário (grande diferença!). 

Estou apenas a falar do segundo episódio, mas o grande problema da educação em Portugal é todos os elementos da família terem de trabalhar, passarem pouco tempo a descansar e uns com os outros. 

Quanto ao programa propriamente dito, além de ser muito pobrezinho nas imagens, na construção da narrativa, claro que expõe as crianças e, pior, expõe a partir da falsa ideia de que estes miúdos são diferentes dos outros miúdos daquela idade. Era aqui que queria chegar: não são. E mostrá-los no seu pior momento (real ou encenado) é mau precisamente na era das redes em que só se partilha o bom e bonito. Se há um lugar onde podemos mostrar apenas o nosso melhor lado, para quê deixar nas mãos de outros o lado mais feio? 

2 comentários

Comentar post

Atrás das teclas

foto do autor

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D