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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Estamos em fevereiro e já fiz a entrevista do ano

Bem sei que a maioria das pessoas está-se borrifando para os artistas que entrevisto. Eu também era assim até que estas pessoas se impuseram no meu caminho. Hei de ser a única jornalista do planeta que começou a escrever sobre Artes ligeiramente contrariada e a sentir-se culpada. Como podia desperdiçar a sorte que me batia à porta? Acho que fiz bem em abraçar a tal sorte, porque as coisas bonitas nunca fizeram mal a ninguém. A bem da verdade, as coisas bonitas até me salvaram de muitas coisas feias, e, como tenho vindo a perceber, quanto mais coisas interessantes vejo menos me interessam (realmente) as feias. Confuso? É capaz! Mas na minha cabeça é claríssimo.

Isto tudo para dizer que esta semana conheci uma pessoa incrível: Marco Castillo, um dos dois Los Carpinteros. E quem são Los Carpinteros? São um coletivo artístico nascido em Havana em 1992 que tem uma instalação instalada (pleonasmo consciente) nas Carpintarias de São Lázaro, um cento cultural que está a nascer junto ao Martim Moniz.

Esta semana, enquanto Marco Castillo estava a montar a peça fui ter com ele. Estacionei o carro ao pé do hospital de São José e comeceu a descer a rua de São Lázaro. Pelo caminho passei pela pastelaria Copélia e disse a mim própria "olha que engraçado, Lina Santos [eu falo sempre assim comigo], vais entrevistar um cubano e passas pela Copélia". Isto tem piada, porque, fyi, no "Buena Vista Social Club" umas quantas cenas são filmadas nas longas filas da geladaria Coppelia, em Havana. Continuemos...

Eu queria uma entrevista com Marco Castillo, claro. Tanto mais que, sem saber nem imaginar, até já tinha visto a instalação deles no V&A (V&A é como as pessoas "cromas" se referem ao Victoria & Albert, em Londres) e tinha gostado. Mas, continuemos...

Parto sempre para estas coisas com o desejo de escrever a biografia autorizada da pessoa. Se depois correr tudo mal e só tiver duas frases, logo vejo. Acontece que Marco Castillo é um conversador e, por acaso, estava cheio de fome. Então, saímos das carpintarias de São Lázaro (vão lá: rua de São Lázaro, 72) e subimos a rua à procura de uma pastelaria. Onde ficámos? Bingo! Na Copélia. É uma coincidência parva, eu sei, mas vamos acreditar que é cósmica, ok?

Bem, Marco Castillo é absolutamente incrível e não é porque adora café con leche. É porque tem uma cabeça super bem mobilada, que é uma expressão que fica a matar quando se fala de um carpintero. Ele falou sobre a vida dura em Cuba quando o Muro de Berlim caiu, ele falou sobre arte, sobre a nova aproximação a Cuba, mas também de como ninguém algum dia vai dizer que não quer educação para todos. É preciso recuo e maturidade para dizer: nem tudo foi bom, nem tudo é mau. Também falámos de como é preciso ser maduro para manter com vigor uma parceria artística de 27 anos. Essa parte acabou por ficar fora da entrevista, por falta de espaço. Uma hora de conversa não se resume em duas páginas por mais talento e boa vontade que o jornalista tenha. O  que me parecia mais importante nesta altura do campeonato, pode ser lido no sítio do costume, o site do DN: "Se vê significado político no nosso trabalho é porque você é um perverso".

Como se não bastasse, a obra que trouxeram a Lisboa (escolhida pela curadora das Carpintarias, Verónica de Mello) é impecável. Vou tentar resumir: um showroom do Ikea que sofre um impacto brutal. Um impacto tão forte que não sabemos se é natural, uma bomba ou, acrescento eu, uma pessoa que chega a casa enfurecida. A mim parece-me impecável que surja aqui e nos lembre essa segurança cínica que temos no mundo dito Ocidental que se tem revelado tantas vezes (quase sempre) o nosso veneno. Mas, garanto, não é preciso entrar por estes caminhos para desfrutar da instalação. Basta lá estar e deixar-se levar pelas sensações. O que for que pensemos está correto.

Los Carpinteros.jpg

 

 

 

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