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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Bom fim de semana eleitoral

Domingo, o plano é meter as crianças na cama cedo, nem que seja à base de Disney Chanel e YouTube e papar tudo o que puder das eleições. Ver os quadros, relacionar os números, abrir janelas comparativas - Como foram os resultados há quatro anos? E agora - estar atenta a todas as mil deliciosas coisinhas que acontecem nas sedes de campanha, às intervenções do vencedores, às punhaladas...

As noites eleitorais são das minhas preferidas.

Que bom é ser jornalista e trabalhar nessa noite.

Duas queixas a fazer... não sei se ainda é legal!

A primeira queixa acontece à boleia da entrevista ao DN de um rapaz que saiu de Oliveira de Azeméis com 18 anos para ir licenciar-se nos EUA e que acha que em Portugal as pessoas "têm de se queixar menos e fazer mais". É aquele tipo de conversa que se pode resumir assim: estou a queixar-me das pessoas que se queixam. Ora, eu quero queixar-me das pessoas que se queixam das pessoas que se queixam. É entediante, para dizer o mínimo. E um egoísmo total, para dizer o máximo. Aqui estamos nós, a sentirmo-nos felizes e depois vêm as outras pessoas, que por alguma razão, não interessa agora qual, se sentem insatisfeitas ou infelizes e, para não nos chatearem, a nós, pessoas felizes, têm mais é que estar caladas. Como se, ainda por cima, fosse incompatível a pessoa "queixar-se de alguma coisa" e "fazer alguma coisa". Aborrece-me isto. E, claro, a mim também me cansam as pessoas que se queixam muito, mas, sejamos completamente honestos, é isso que impede o mundo de avançar? Não sei, haverá um inventor de coisas que seja uma pessoa conformada? Alguma mudança positiva no mundo terá acontecido porque alguém achou que estava "tudo bem"?

Segunda coisa, e não é bem uma queixa, é uma constatação. Constato que já estou cansada das pessoas que "gostam do papel", começando na apresentadora Cristina Ferreira que agora edita uma propaganda com artigos jornalísticos lá dentro e acha que é a salvadora da imprensa nacional (um negócio tão bom que já mudou de mãos não sei quantas vezes), como se percebeu no discurso trumpista (demagogia, clichés, soundbytes e fleuma) que fez à nação na entrega dos prémios Meios & Publicidade na terça-feira à noite. Sorte a nossa, não passou em direto nas televisões! Nunca tinha percebido que existiam tantos papelófilos. Aliás, até me recordo bastante bem que eram muito poucos aqueles que na universidade compravam jornais diariamente (e eu também não estava entre eles, note-se!), mas, de repente, sempre que mais uma revista morre, lamentamos. E eu também lamento, claro, sempre que isso quer dizer que mais pessoas perdem o trabalho. Mas, sinceramente, o me chateia mais não é perder títulos em papel, é que isso venha com perda desses títulos para sempre e com a perda do jornalismo que se faz. A verdade é esta: se as histórias que contamos forem boas, haverá sempre alguém com tempo para elas. Em papel ou digital. Como parece que há tempo para lixo jornalístico. E quando digo lixo jornalístico, percebam-me bem: sobre tudo se pode escrever, só depende como. Se é para escrevermos três parágrafos mais enjorcados para dizer que um assunto é a "polémica do dia na Internet", então, mais vale estarmos quietos. Se é para explicarmos e ouvirmos a partes envolvidas e expormos factos, então, ok. Contem comigo. Todos os dias mais.

Mais uma notícia chocante: transgénero tem família e amigos

Nem sei bem se a proposta do Bloco de Esquerda para as pessoas que querem mudar de género é boa ou má e não me quero meter nisso porque não percebo do assunto. Só cá vim para dizer uma coisa: estou nos antípodas daqueles que frivolizam este assunto ao ponto de comparar qualquer qualquer mudança na legislação a favor das pessoas transgénero com poder conduzir ou votar. Um pouco de humanidade, por favor. Um pouco de empatia, um pouco de qualquer coisa que se assemelhe a termos pensado cinco segundos no que é não ser parte da maioria. Às vezes, parece que as pessoas acham que estas outras PESSOAS nasceram de geração espontânea, que não têm pais, família ou amigos que vivem a vida transgénero e as suas dificuldades. Não conseguem imaginar o sofrimento dos pais pensando no tipo de pessoas sem freio na língua que podem magoar os seus filhos quando não estão presentes? Nem que fosse só por isso, que é tão pouco, já devíamos todos pôr a mão na consciência e não dizer certas coisas. Enfim... (E outra coisa: não me venham com a parvoíce de que estou a ser politicamente correta, porque também se está a tornar politicamente correto ser contra o politicamente correto e, realmente, o que há é o CORRETO e o INCORRETO).

Nossa Senhora da Nazaré

É hoje! É hoje! A Nosa Senhora da Nazaré chega à minha terra (se bem que eu agora tenho muitas "terras"). Esta Senhora e eu temos encontro marcado há 17 anos. Lembro-me bem de estar no círio em 2000 e pensar: como será a minha vida em 2017? Serei jornalista? Terei filhos? Ainda viveria em Barcelona? E a minha família? Estaremos cá todos? Perdemos o meu avô, a pessoa que mais gostava desta festa, mas, de resto, estamos cá todos (a minha avó quase a fazer 90 anos) e mais. Por isso, desta vez, a terceira que a vejo em casa, cedo, de bom grado, o meu lugar às minhas filhas, esperando deixar nelas a centelha de algo maior. O apreço pelo que passou e pelo que ainda vem. Amanhã, se tudo correr bem, ao cair da noite, lá estarei, preparada para celebrar o bom que a vida me deu, agradecer, imaginar a vida em 2034 (parece tão longe), a apreciar aquelas luzes da serra, à espera da minha família. 

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