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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

No regresso às aulas

Por mais que me tente lembrar, e tentei quando li este texto, tenho quase a certeza que nunca fiz parte do lote das pessoas para quem o primeiro dia das filhas na escola é um drama em três atos, nunca saí da escola com vontade de chorar, miserável. Elas, claro, choraram e espernearam, e fiquei com o coração apertado porque não quero que isso aconteça, mas não é suficiente para me perturbar ou pôr em causa alguma decisão. Por uma razão. Que as crianças sintam medo e tristeza quando as deixo num sítio desconhecido é o que espero delas. Só me passou pela cabeça que talvez devesse sentir uma dor imensa que não sentia ("Serei normal? O que é que me está a escapar?).

Imagino pais de primeira viagem a pesquisar no Google "como lidar com o primeiro dia de escola", preocupados, muitos deles angustiados por se sentirem calmos com a ideia dos filhos entrarem na escola e se imaginarem "anormais" por isso. Alguém lhes devia dizer que está tudo bem, que é normal terem um choque de 10 minutos quando virem que o Joaquinzinho é capaz de pontapear a professora como o Ronaldo chuta bolas, mas que não é por isso que vão pedir baixa médica. 

Não quer dizer que não tenha tido momentos maus. Que não tenha momentos maus. Dias que não correm bem e em que uma pessoa se interroga por que raios abdica dos filhos para trabalhar. Nesses, sim, chorei. Ou aqueles em que em MAIO as crianças choram porque não querem ficar e se agarram à nossa perna. Isso sim, preocupa-me. Enerva-me. Deixa-me sem saber o que fazer. 

Pensei nestas coisas todas nas vésperas de voltarmos à escola. 

Esta segunda-feira foi dia de soft opening, uma manhã na escola para que os mais novos e os que entram na primária tomem o pulso à situação, conheçam a sala e a professora, matem saudades dos amigos. É um dos dias mais engraçados do ano letivo, parece uma reunião de família em que vieram até os primos afastados. Aquele dia em que recordamos o passado, em que os alunos mais crescidos fazem peregrinação às salas dos manos para dar beijinhos às professora antigas, aquele dia em que as mães novas se sentem pior do que nunca. Bem me lembro desse dia. Um entusiasmo total com a escola e uma miaúfa de fazer tudo mal. 

Este ano, a Teresa, que é menos social do que antecipava, mas muito senhora do seu estilo e das suas escolhas, estreia-no 1.º ciclo (e vamos tentar não pôr demasiada tónica nisto de ter duas filhas que ainda ontem chegaram ao mundo na primária). Entrou na sala de cara fechada, receosa e tímida, como é de seu timbre, e saiu contentíssima. "Não trabalhámos nada", foi o que lhe arranquei no regresso a casa. Vinha descontraída, rua abaixo com a sua grande amiga.  

A Quica não queria sair do meu colo, cumprimentou a custo a nova professora e fez trombas à pobre auxiliar, ela própria uma estreante. Logo para começar a cair bem entre os professores! Isto às 09.00. Quando a fui buscar às 11.00, já não queria saber de mim. Deixei-a. Ao meio-dia já era "uma menina da infantil". 

Espero que esteja a ser um regresso em grande para todos. Calma com o trânsito e ânimo para quem, como eu, começa tudo a sério amanhã (ou ao longo desta semana). 

Desejo a todos um bom ano letivo. Tenho a certeza que desta vez é que vai ser: sem gritos, sem stress, sem adormecer de manhã, sem birras nem nervos.

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Sala de aula em 1961, Estúdio Horácio Novais

Não há nada que não aconteça à baía de Cascais

Primeiro, foram os Delfins. Agora, é uma invasão de coelhos. Que inferno, que martírio. Estou a gozar. Para mim, coelhos não são praga! Estou mortinha para os ver ali sentados ou estendidos ou lá como estejam. Esta quinta-feira começa o Lumina e estes quatro matulões, matulões mesmo porque têm 7 metros de altura cada um, vão estar na baía de Cascais à espera de visitas. São uma das 20 e tal atrações do festival. É preciso dizer isto com frontalidade: até ao ano passado, pensava que o Lumina era uma feira de candeeiros na FIL.

Tudo mudou no início deste ano quando fui a uma apresentação da programação cultural do município de Cascais e conheci a Carol Purnelle, uma das artistas de OCUBO (os do Terreiro do Paço, esses mesmos). Para me explicar o que era o Lumina, começou a folhear um dossier com os artistas cujo trabalho queriam muito trazer a Portugal e... tcharan... lá estavam eles -- os coelhos! Esta semana confirmou-se: os coelhos vinham mesmo. 

Mas, rapariga, que raio de fixação é essa com os coelhos? Explico tudo, não desistam já de mim. Antes desta apresentação, numa dessas noites de fecho no jornal, a editora executiva pediu-me que escrevesse uma fotolegenda a propósito de uma exposição que estava acontecer em Londres. Eram os coelhos e não foi preciso muito. Quando fechei a página já estava apaixonada pelos animais. Nada de especial: também adoro os patos XL do Florentjin Hoffmann. Um dia até tentei contactá-lo para a Holanda. Não tive sorte nenhuma.

Com a autora dos coelhos também está visto que vou ter sorte nenhuma. Já a imaginava sentada nas patas dos seus animais a posar para a câmara do DN, mas Amanda Parer não está em Portugal. É mais requisitada do que água em dia de ressaca. 

Tive de me contentar com o que fui lendo por aí. Por exemplo, eu achava que não era por acaso que uma australiana fazia uma instalação com coelhos. Lembrava-me de uma exposição em que havia uma cerca de coelhos destinada a contê-los, precisamente por serem uma praga de proporções épicas. Fui confirmar e bate certo: quando a Austrália foi colonizada, um fazendeiro amante de caça importante 24 coelhos que, sem surpresa, se reproduziram como coelhos e viveram longo tempo (em vida de coelho), graças ao facto de não existirem animais que os caçassem. É, mais ou menos, o que diz a artistas. Coelhos são o máximo da fofura, mas também podem ser sinal de destruição. É o que digo: mortinha por vê-los.

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Nós, portugueses de Leste

Por mais anos que passem, nunca na vida vou achar normal que pais e filhos sejam separados por culpa de uns terem de ir trabalhar para um país enqunato os outros, crianças, ficam a cargo avós, tias e outras familiares. Sei que é por motivos de força maior, sei que quando se toma essa decisão é porque é a única possível, mas nunca me habituarei a isto. 

Há 12 anos, ou coisa que o valha, cruzei-me com uma história assim. Os pais, ucranianos, queriam trazer para junto deles a filha. Ela tinha 7 anos quando chegou, depois dos pais batalharem imenso. Aprendeu português num ápice, é uma cabeça privilegiada (apesar de ser do Sporting) e, além de se ter tornado numa senhorinha muito bonita, já chegou à universidade, o que me enche de orgulho. Orgulho genuíno, de ver que todo o esforço, o dela e o dos pais, está a ser compensado. 

Foi a pensar nela, e em como este país está a mudar, que propus um trabalho com estes imigrantes de segunda geração que nos dão alegrinas no desporto, na ciência, no DIreito, na Medicina, em tudo e mais alguma coisa e com perpetivas de ser ainda melhor no futuro. Chama-se Nós, Portugueses de Leste e sai este sábado no jornal. Se puderem passem-lhe os olhos. Se não é o melhor que já fiz, é dos que mais me tocou. 

Entretanto, no mundo real...

Hoje, o Diário de Notícas começa uma nova etapa com o Paula Baldaia como diretor. E para começo de conversa, ele fala assim: "Este é um jornal feito diariamente por uma redação rejuvenescida, em que se cruzam diferentes gerações dos melhores jornalistas. Trabalharemos para estarmos mais focados naquilo que verdadeiramente importa à vida dos portugueses, procurando ter um melhor planeamento e uma melhor organização para manter o DN como uma referência do jornalismo e aumentar a relevância que temos junto dos leitores."

 

1 de setembro. E aquele discurso galvanizador que interessa

Tudo pronto? Tudo em cima? Estão a regressar hoje ao trabalho? Calma! Tudo se compõe, não pensem no trânsito. Lembrem-se, no dia 12, quando aos professores se juntarem os pais a levar os meninos à escola vai ser ainda pior. Portanto, vamos guardar algum desse ressentimento "porque é que eu tenho de trabalhar e a Kim Kardashian não" para esse momento. Uma semana. Uma semana é o prazo que temos para manter as agendas limpas, tudo organizadinho, cheios de fé e confiança de que "este ano é que é". Em outubro já podemos começar a suspirar por agosto de novo. E 5 de outubro é feriado. Só é pena calhar no meio da semana, mas, olhem, estamos cá e estamos vivos, é o que importa. 

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 Alfred T. Palmer, via Bored Panda

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