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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Fechei os olhos e passaram-se 30 anos

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Há 30 anos, parece que foi ontem, chaguei os meus pais para irmos às Amoreiras. Uma catedral do consumo? Onde? Queria ver isso! Um quinto domingo desse 1986 (não deve ser difícil descobrir qual o dia) lá fomos em família. O carro mal cabia no estacionamento (sinal número 1 da modernidade), estava tanta gente que me senti tonta, achei tudo tão grande que na minha cabeça tinha tantos andares como os que se viam de fora, as montras eram lindas e havia a Cenoura. Todas as miúdas giras usavam roupa da Cenoura. Nessa altura, as Amoreiras, que hoje fazem 30 anos, não eram as Amoreiras. As pessoas chiques diziam "o Amoreiras".

Mas, então, em 1991 abriu o Cascaishopping, abriu o McDonalds, e, caso já ninguém se lembre, houve uma coisa chamada "o boom da imprensa" que fez nascer, entre outros, o "O Independente" e a "Semana Ilustrada", uma revista que deve ter durado precisamente uma semana e saiu para as bancas a dizer qualquer coisa como "censurada". Segundo me lembro, ia sair com imagens que provavam que o arquiteto das torres, Tomás Taveira, era um ramboieiro de primeira. Acho até que foi interposta uma providência cautelar (o curioso é que o Google diz que a revista chegou mesmo a sair). Não íamos só falar das cenas cutchi cutchi dos 30 anos as Amoreiras, não é? Os anos 90 foram difíceis e, agora que penso nisso, Portugal nos anos 80 ainda gostava muito de se meter na vida alheia.

Bom, mas como dizia, fechei os olhos e acordei em 2003 ao lado do António, nas Amoreiras. E as "Amoras", como dizem os miúdos dos Salesianos que apanham o 74 para lá ir almoçar, já não são cúmulo do chique, são mais uma rua do bairro. Onde se fazem compras de última hora, onde se encontra sempre alguém conhecido, onde se vai ao único Sushi que interessa, onde como o meu adorado Mrs. Rumpsteak, onde está a Rose, uma das melhores manicures de Lisboa, onde as miúdas gritam porque querem ir para os escorregas do Jumbo, onde namoram os jogos da Science4u, onde tiram fotos com o Pai Natal, onde a Teresa é conhecida como "aquela menina que cá vem e se vê ao espelho", onde já fizemos a escritura de uma casa, e onde vou ao dentista. Foi lá que tirei esta foto. É o meu passatempo favorito quando estou sentadinha na cadeira da Ana: esperar pelo avião que passa mais perto da torre. Ela já sabe, a assistente já sabe, toda a gente sabe. Quando o avião surge ao longe paramos tudo e eu tento tirar a melhor foto. É impressionante.

 

Portanto, parabéns, Amoreiras. Estás uma mulher e do alto dos teus 30 anos podes dizer sem vergonha: estás melhor que nunca.

Está bonito isto (e só faço 40 anos em 2016)

Todas as pessoas que, até agora, se manifestaram a propósito da lista de convidados para os 40 anos, estão na minha lista. Achei piada.

 

Bom, a propósito: estou a perder investir tempo neste assunto porque do número de pessoas que quero convidar, dependerá a festa. Quero ter crianças ou apenas adultos? Quero que seja de dia ou de noite? Um jantar ou um lanche? Isto é tudo muito complicado!

 

 

A análise política que nenhum comentador fará: António Costa vai atrás nas sondagens porque parece má pessoa

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Os comentadores políticos, o meu marido incluído, fundamentam as suas teses sobre este empate técnico entre o PS e a Colifação PàF recorrendo a números, à história, à memória que guardam do que foi dito. As ilações que tiram são poderosas e baseadas em factos, mas às vezes temos de confiar em outra variável política: a a intuição. E o que a intuição nos leva a crer é que António Costa parece má pessoa. E é essa a verdadeira razão por que não descola nas sondagens.

Claro que eu não sei se ele é ou não má pessoa, nem ele nem nenhum dos políticos que se candidata às eleições. Mas uma coisa sei. Da mesma maneira que se empatiza com Jerónimo de Sousa, antipatiza-se com Costa. Como é óbvio, tenho noção de como é injusta esta observação. Uma pessoa não pode ser avaliada desta maneira, à laia do que acontece num jogo de ténis (está provado que as pessoas apoiam quase sempre a pessoa que acham mais giro). As medidas são mais importantes, e é preciso manter isto em mente. No entanto...

O que estou a dizer é que há uma parte da opinião que formamos sobre as pessoas baseada na maneira como as vemos reagir às coisas. E, basicamente, por mais bondosas que sejam as medidas propostas por António Costa, esbarram muitas vezes numa ira desproporcionada (o sms para um jornalista do "Expresso"), naquela maneira de falar em que parece que estão sempre a contrariar o menino (quando se queixou da jornalista "que aparecia atrás do carro" e a impaciência que antecipou uma apresentação -- patética, I must had -- do programa através do Skype), uns modos de "porque é que me está a importunar?" ("vídeo da entrevista ao semanário "Sol"). Até no debate em que arrasou com Pedro Passos Coelho, a maneira como lhe diz para ir visitar Sócrates é dita de forma completamente desadequada. Só passou por entre chuva, porque ele estava a merecer.

Para o caso, não vamos sequer avaliar a atuação no programa "Isso é Tudo Muito Bonito, Mas". Costa parecia algo divertido e totalmente falso. Nesse aspeto, igualzinho a todos os outros políticos que passaram pelo programa.

 

 

 

Até quando vamos alimentar a ideia de que as mulheres nasceram para futilidades?

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Podemos dizer às nossas filhas mil vezes que é indiferente do que gostam, podem gostar de tudo, calças e cor de rosa, ballet e futebol, podemos querer convencê-las que o mais importante é o que pensam, os valores, fazerem bem as coisas, serem educadas e corretas, podemos dizer-lhes que não podem deixar que as diminuam por serem meninas. Podemos fazer isso a toda a hora. Podemos acreditar que está tudo melhor, até. Mas então uma terça-feira à tarde como outra qualquer vais ao Continente e és atropelada pela realidade: um chamativo volume cor de rosa chamado "Sou uma Princesa - O Meu Livro de Segredos" (Booksmile). Abre-se e uma das ideias é apontar-se o que se levou vestido a uma festa e dar uma nota. Já tenho idade para não ligar o indignómetro com facilidade mas tirou-me do sério. Já nem consigo classificar isto de machismo, é pura parvoíce. É um convite a criar tolas. Pessoas que numa festa, e para memória futura, querem recordar que levaram um vestido às bolinhas e a festa foi um 10. Ou será um "não satisfaz". Que aconteceu ao bom e velho: o que fizemos? Quem estava? Quem não estava e eu teria gostado que tivesse ido? Se essa pergunta singularmente estúpida que "o que levava vestido" fosse uma entre várias, se à princesa em causa fosse dada a oportunidade de escrever sobre a festa e também o que tinha vestido, nem notaria. Claro que o levamos vestido pode ser marcante e importante. Mas não é SEMPRE o mais importante, e nunca é o MAIS importante. Suponho que quem inventou isto nem se tenha dado conta que nesse simples quadrado se condensa a história de uma civilização (e não propriamente o seu melhor lado), o que me espanta é que passe por várias outras mãos e ninguém dê por nada. Porque a verdade é que embora persistam estes livros, esta mania de atribuir o rosa às raparigas, quando até as princesas Disney já são tudo menos pink, embora se alimente o gosto das miúdas por roupas, ninguém espera que hoje, 2015, as miúdas sirvam de floreiro num casamento, de preferência dando muitos filhinhos. Espera-se que tenham uma profissão. Pelo menos, eu espero. E espero que tenham uma profissão decente e qualificada. O que vejo como um caminho de pedras, pois parece que o mundo continua a dizer que os rapazes devem fazer construções e as meninas devem escrever o que levam vestido a festas. Talvez isto não seja assim tão importante, mas compreendam-me. São três filhas e pouco mais de uma década para que entrem no mercado de trabalho. Não posso permitir que as mulheres continuem a ganhar menos do que os homens. Não posso permitir que bons cérebros gastem energia com este tipo de coisinhas que só servem para perpetuar a mesquinhez, e uma certa mesquinhez que se gosta muito de associar ao género femimino.

Oh, valha-me Deus

Um dos passatempos preferidos da Madalena é ler o cabeçalho do blogue. Ela adora tudo, adora até a sua imagem, mas o facto de lá estar escrito que não gosta de ballet anda a deixá-la louca. "Não quero que ninguém saiba que não gosto", disse-me ela no outro dia. E, pronto, é isso. Chegou a hora de respeitar a opinião da pessoa que ela é. Não consigo compreendê-la mas, bom, aí está uma coisa que não é para perceber, é para respeitar. Vamos lá tratar disto...

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