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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Fã número 1 da Lena Dunham. E dos seus conselhos

Lena Dunham. Nunca tinha ouvido falar dela e agora parece que até na sopa a encontro e ainda bem. Às vezes estou aqui atrás do ecrã a pensar no sentido da vida, e na razão de ser de vos escrever tanto e tantas parvoíces, sempre a dizer a mim mesma "leiam a mãe, leiam a mãe, entendam que é por amor e sigam os meus conselhos", posso já não estar cá quando for necessário. Imagino que é tempo perdido mas depois encontro coisas que me renovam a esperança. Não é preciso serem como mãe, podem inspirar-se em pessoas como a Lena Dunham.
 
A Lena tem muitas qualidades. A primeira é que o nome se lê Lina. Gigantesca vantagem competitiva! Não é gira como é suposto ser gira na televisão mas está a encontrar o seu lugar em Hollywood, o que é de valor e me faz querer recomendá-la. É possível mudar ideias pré-concebidas. É uma desbocada e uma talentosa escritora e atriz. Basta ver a série "Girls" para saber. A Lena está a fazer a revolução com o seu jeito meio desengonçado e gosto muito disso.
 
Não sabia que ela existia até aos emmy, cerimónia em que me aparece com um vestido giambatista valli rosa néon mas corte pouco favorecedor que a fazia parecer um cupcake murcho e o cabelo louro oxigenado, mas nunca se desmanchou. Acho que sentia bonita e poderosa e contra isso não há críticas que resistam.

 

Acho que lhe tirei as medidas certas a julgar pelos vídeos cheios de conselhos para miúdas que tem feito, a propósito do lançamento do sue livro "Not that Kind os Girl", à venda a partir deste 30 de setembro (nos EUA, pelo menos). Meninas e meninas, #ask Lena.

 

É altura de fechar a boca...

Conheci uma pessoa nova nos últimos dias. É uma pessoa inteligente e culta, apetecia-me falar com esta rapariga sobre livros e designers, arquitetos, pintores, sobre o PS e o Passos Coelho. Sobre os caminhos do jornalismo, da Síria, da Ucrânia. Do Benfica. Tudo. Qualquer coisa. Menos a conversa que tivémos. Sobre filhos. Não me levem a mal mas estou farta desse assunto e chegou a hora de pôr um ponto final nesta rebaldaria.

 

Passo os dias com calendários e horários e tarefas e fogos e TPC e termos e lanches e crises existenciais infantis. É uma coisa de tal forma absorvente que até quando estou a fazer outras coisas aparece. Portanto, a última coisa que me apetece é que me falem sobre crianças. Mesmo que pareça que quero, NÃO QUERO. A sério, NÃO QUERO.

 

Talvez até soe estranho dizer isto tendo em conta que escrevo bastante sobre elas no blogue e no Facebook, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Partilho as gracinhas para deixar registado, para nos lembrarmos e rirmos quando forem adultas, para refletir sobre o que acontece e crescer com isso, mas a verdade é que fora destas quatro paredes da minha sala, das conversas com o meu marido e amigos chegados, não tenho nada a dizer sobre o assunto. E, no entanto, estou sempre a falar com estranhos sobre isso.

 

Ao princípio achava normal. É muito grande ter um filho e era novidade. Depois tornou-se como falar do tempo ou do trânsito. Como os adolescentes que falam de sexo, as mulheres solteiras falam "dos homens" ou os gajos sobre bola. É uma muleta. Como quando eu tinha 20 anos e usava a televisão para me safar nos momentos de timidez ou por aborrecimento ou falta de interesse. Sim, é verdade, isto acontece.

 

O problema é que quando uma mulher fala de filhos nunca parece que está a deitar conversa fora. Parece uma mãezinha. E ser uma mãezinha, nos padrões de 2014, é uma coisa muito má. As outras pessoas, até mesmo outras mães, acham que se falamos sobre filhos é porque só queremos saber de fraldas, papinhas, gugudadá e palestras com o Eduardo Sá.

 

Chegamos a este incrível dilema: pessoas que não querem falar sobre filhos mas que o fazem por vício e deformação a responderem com o tema crianças a pessoas que não querem saber desse assunto e que, para mais, concluem coisas erradas a teu respeito. Por exemplo, que não estás disponível para outros assuntos, para certos trabalhos, para certas maneiras de te divertires, para certas ideias.

 

Já tentei arrepiar caminho com várias pessoas, deliberadamente, mas é um bocado difícil. Como é que se muda a agulha? Toco na mãozinha e digo "podemos falar do tempo?". Vou parecer uma cabra insensível. E não é nada disso. Nem é, pela vossa saúde, querer sentir-me eu ou qualquer coisa pseudo-new age deste género. É só querer desanuviar.

A sério, pessoas, ESTOU DISPONÍVEL PARA OUTROS ASSUNTOS. Talvez não para toooooodos os assuntos mas para coisas diferentes. Tenham isto em consideração na próxima vez que nos encontrarmos, se faz favor. Eu farei a minha parte. Obrigada. 

 

Fomos ao oceanário com o pai

Fomos no sábado ao Oceanário com o pai. A mãe foi ao jornal para trabalhar. Vimos imensos tubarães e muitos peixinhos coloridos e dois sapos, um peixe-balão, pinguins. Não vimos tartarugas, porque estavam a dormir nas suas casinhas.
O segundo sapo tinha manchinhas pretas e o corpo amarelo.
Eu, o pai, a Teté e a Quica, quando fomos ao Oceanário, vimos que os tubarões tinham dentes afiados. E os dentes bicudos. Não é como os das pessoas que são assim lisinhos. É mesmo afiadinhos como um lápis.
Também vimos a casa do Vasco, o mergulhador do Oceanário.
Foi uma visita longa, e vimos o Vasco a nadar. Nós não vimos a cara do Vasco porque ela estava de costas.
Quis tirar uma foto com o Vasco mas o pai não deixou porque estávamos muito atrasados para ir para casa.

Assinado por Madalena*

 

Lá havia tubarões e pinguins.

Assinado por Teresa (um contributo precioso mas a que não vou chamar ainda "o primeiro post da Teresa")

 

*Desta vez tentei compor mais o texto, houve um longo debate sobre o sentido da segunda frase. Expliquei algumas coisas sobre a repetição de ideias e do uso da palavra "quando". A certa altura achei que se estava a perder a espontaneidade e desisti. Uma das minhas partes preferidas é dos dentes das pessoas serem lisinhos e os dos tubarões afiadinhos como lápis, que ela, justamente, achava que não era para escrever. 

 

Enquanto dormia...

[Hoje o título é gamado ao mail que o David Dinis envia todos os dias de manhã, 360º]

 

... Punha notícias no site do costume. Cheguei a casa a desoras e na segunda-feira, às 09.00, já estava com as mais novas na escola. Andei por aí a fazer recados em vez de dormir (note to self: não voltar a marcar "coisas" para as folgas) e a dar tempo às crianças. Eram 18.45 quando parei o carro no ténis. Faltavam 15 minutos para terminar a aula da Madalena. Pus o banco do carro para trás e pensei "vou dormir só um bocadinho". Acordei sobressalta às 19.15. A minha filha, a minha filha. A aula já tinha terminado... Estava muito necessitadinha de uma soneca... Faltava pouco, muito pouco para poder dormir uma noite inteira de sono, pensei eu.

À 01.00 da matina ouvimos o som de um cão a ladrão vindo do quarto da Teresa e da Quica. A Té estava com laringite (já conheço a léguas, consigo fazer o diagnóstico na boa). Não conseguia respirar, piava. Abrimos o frigorífico e a porta da cozinha. Ela apanhou o fresco da noite ao colo do pai enquanto a mãe falava com a Saúde 24. Aconselharam-nos uma ida ao hospital da Estefânea. "Se quiser informamos que está a caminho". E, pronto, lá fomos. Ela, entusiasmada com a ideia de ir ao médico, e eu, mais ou menos tranquila porque se tinham avisado havia de ser rápido.

 

Ainda não eram 02.00 e já tínhamos feito a triagem. A pulseira verde dizia que não éramos urgência mas não havia problema. Deviam estar uns três meninos para serem atendidos. Fomos para a sala de espera e ficámos perto da porta para a Teresa ir apanhando ar. Desistimos nem cinco minutos depois. Três pessoas de bata branca foram para a entrada fumar e dizer mal do trabalho embalados pelo som de uma Ford Transit que ficou a obstruir o caminho ligada, deixando um cheiro pestilento no ar. A Teresa foi para a outra sala e esta-aqui começou a reparar nos pormenores. Nenhuma das duas salas de espera estava particularmente limpa. Ninguém era chamado para os gabinetes. Os pais, todos a caírem de sono, começaram a impacientar-se. Primeiro implicámos com as crianças, depois uns com os outros, finalmente fomos ao guichet. Faltavam três pessoas. Um urgente e dois meninos com pulseira verde. Continuavam sem chamar ninguém, exceto para a triagem.

 

[Um casal começou a discutir enquanto lá estávamos. Ela dizia que tinha ido para o hospital porque a mãe dele tinha insistido que deviam ir e que ela achava que não valia a pena e que queria que a filha dormisse. Era o caso urgente. Discutiram. Ela virou-lhe as costas e foi ao carro. Voltou. Tornou a ir. Regressou. Repetiram os mesmos argumentos. Ele irritou-se, ela também. A criança estava efetivamente com sono e incomodada. Andou de colo em colo. Nunca se largaram, apesar de estarem chateados. A bebé quis comer, a mãe deu-lhe maminha. Devia ter pouco mais de um ano. Foram os primeiros a serem chamados. Eram 02.40, talvez um pouco mais. Primeiro foi o pai, depois entrou a mãe. Pareceu-me que ela o queria castigar por estarem ali naquela altura].

 

Uma mãe foi perguntar a que horas ia ser atendida. Estava à espera há mais tempo do que eu. Disseram que nos iam chamar. Pedi o livro de reclamações e escrevi ponto por ponto o que estava errado.

 

Às 03.00 começaram a chamar. Às 03.20 tinham atendido todas as crianças, incluindo a Teresa que, segundo a médica, "ficou bem entretanto". Fez um corticóide, disse-me que não ia dar adrenalina para não estarmos ali mais tempo e mandou para casa com a indicação de voltarmos se piorasse (uau! quatro anos de medicina para me dizer que se os sintomas me parecerem incontroláveis devo procurar profissionais). Completei a reclamação observando que tínhamos esperado tanto para depois todos serem atendidos de sopetão.

 

Compreendo que seja muito duro ser profissional de saúde hoje em dia mas o que se passou não tem a ver com dinheiro ou a crise ou as más condições de médicos e enfermeiros. É desleixo e pouco empenho. Podiam ter atendido todas as crianças uma hora antes, mas não. Deixaram-nos a secar sem nos oferecerem explicação. Tinha o hospital em melhor conta. Mas se calhar sou muito exigente e os médicos do Serviço Nacional de Saúde querem fazer o favor ao PSD e dizer que a saúde pública é só para quem não pode mesmo ter seguro...

 

Olá, outono

Estamos naquela fase do ano em que pensamos na chuva, vento e frio e quase nos parece agradável. Olá, outono!

 

Encontrado no Pinterest

 

Nem me tinha apercebido mas as próximas semanas vão ser em grande: aniversários das gémeas, da Francisca grande, da nossa Chiquinha, os Buraka a porem música no Lux, os anos dela (estou a fazer-me à noitada) e no fim do mês a celebração de uma pessoa muito fixe. Mal posso esperar e até já ando a pensar no que hei-de vestir.

 

O senhor dos gelados do Marquês vai arrumar o carrinho e trazer as brasas das castanhas (yes!), há abóboras, nozes e marmelos (nhami) e muita comida que leva erva doce (duas vezes nhami). E cogumelos, sim, também.

 

Podemos começar a pensar no dia das bruxas e, claro, como não, no Pão por Deus, o meu feriado preferido! Este ano já com a Quica pela mão. Estão a vir-me as lágrimas aos olhos e tenho de começar a pensar nas roupas 2014-2015. Até ao Natal vai ser um instante.

 

Não sei as outras pessoas mas a mim até me dá para querer ficar em casa a cozinhar e fazer bricolage. Não se preocupem. É só teórico. Bem, umas bolachinhas e bolos ainda podia fazer... Mas não prometo nada. Até porque há outras coisas para pôr em dia. Como ler livros grandes e assim...

Chegou a hora de pensar em botas e gabardines.

O primeiro post da Madalena (a sério) - como tudo aconteceu

Muito simples: chamaste-me ao quarto para te "aconchegar", a mãe tinha o portátil na mão, viste a família playmobil, que adoras. Estivémos as duas a ler o que somos cada um de nós, depois a mamã perguntou se querias dizer alguma coisa e começaste a falar, a falar, a falar... A minha parte favorita é quanto dizes "muito mas muito muito muito mal", olhas para o ecrã e perguntas "porque é que estas letras estão repetidas?". E respondes a ti própria: "Ah, é a palavra muito!". A mami está que não se aguenta.

O primeiro post da Madalena (a sério) - versão em bruto

Gosto muito da família. Da minha. Gosto muito das minhas irmãs porque são divertidas e gostam de brincar comigo. E também gosto dos meus pais. E também gosto do meu pai. Também da minha mãe. Porque acho que trabalham muito mas brincam comigo também e ao sábado ficam os dois em casa. Por isso, tenho muito tempo para brincar com eles e também gosto deles porque são muito divertidos. Porque gosto da minha família porque é muito divertida e muito engraçada. Quando é de noite os pais dão-me um beijinho. Levam-me ao colo para a cama, só às vezes e quando eu preciso de ajuda, ajuda-me toda a família. A Teresa é muito engraçada para mim quando eu estou a brincar com ela. Às vezes brincamos aos pais e às mães, também com a Quica. Gosto dela, da Quica, porque ela brinca comigo. E quando está de noite despedimo-nos porque não estamos no mesmo quarto. A Teté dorme com a Quica e eu durmo sozinha. Quando os meus pais estão, do tipo, a trabalhar tenho de ficar com a M. mas quando a mãe chega, a M. vai embora e podemos ver um bocadinho de nada de televisão, lavamos os dentes, a cara, as mãos, fazemos chichi, vamos para a cama. No dia seguinte de manhã, eu preparo-me para ir para a escola. E quando chego lá digo bom dia à F., ponho a lancheira na bancada, a mochila em baixo da bancada da sala, o casaco e o bibe no cabide, sento-me no meu lugar, começamos a trabalhar. Quando é hora do recreio vamos brincar e comemos o lanche da manhã. Quando chega a hora de trabalhar, vamo-nos sentar nas cadeiras, arrumar as caixas e essas coisas e temos uns fogetões que são do comportamento. O azul do ótimo, o verde do mais ou menos e o cor de rosa do pior. E depois temos o espaço. Quando alguém vai para o espaço porta-se muito mas muito muito muito mal Aprendemos uma coisa sobre o "o" e o "a" na escola. Quando eu estou em casa com os pais, isto só acontece ao sábado, eles brincam comigo.
Eu, um dia, fui para o Algarve. E quando estávamos lá vimos imensas coisas. Um parque com baloiço de madeira pendurado num ramo, feito com corda e madeira. Antes de começar a escola, eu e a mãe comprámos uma mochila. Depois fomos comprar um porta-chaves para a minha mãe. Depois a minha mãe deu-me para eu pôr na minha mochila porque se houvesse um menino com a mochila igualzinha à minha eu não me baralhava porque a minha tinha um porta-chaves.
Quando eu e os meus pais, as minhas manas e os meus primos estamos num casamento a minha mãe vê sempre flores. E quando eu vejo lá a noiva e o noivo eu fico contente. E quando a mãe vê flores eu entusiasmo-me tanto que pego nas flores e cheiro-as.

 

Assinado: Madalena

 

PS: "Disse imensa coisa, não disse? Sou uma faladora!" (Ela ditou, a mãe escreveu)

Conclusão, em matéria de TPC cada um fala do que conhece

Só para se ver como isto dos TPC é subjetivo (e como estou obcecada com o assunto), perguntei à Madalena se vai trazer trabalhos amanhã e ela diz-me com o maior orgulho: "os trabalhos de casa são o nosso prémio se soubermos ler". E diz-me isto assim, com a maior naturalidade, como se esse momento fosse mais interessante do que um bilhete para o concerto da Violetta. Está certo!

Várias pessoas deixaram comentários sobre o assunto. Obrigada pelas opiniões. Concordando mais com uns do que com outros, acho que todos falamos do que conhecemos, a partir da nossa experiência e jeito, ou não, para estas coisas.

A Ana Maria dizia que para ela era um problema o onde e quando fazê-los (não ela, a filha). Se for uma carga muito forte a criança não consegue fazer mais nada. E concordo com ela. Da mesma forma que concordo que os TPC devem ser todos corrigidos na aula. Se não são, qual é o objetivo?

Outra pessoa, SerraBrava, falava nessa coisa do pedir ajuda. Quando falar em ajudar é sentar-me ao lado e estar ali a explicar todos os passos a par e passo. Sinceramente, qual é a utilidade disso? Há coisas na vida que são muito difíceis, algumas inevitáveis (vide, a carga de impostos), mas se pudermos poupar na fatura do sofrimento, agradece-se.

 

Deixo para último lugar uma frase da pessoa que assina Espalha Brasas: "Não vamos exigir nada aos meninos...nem uma cópia...nem uma leitura...nada...(ler com ironia sff). Pesquisar! Significa dar um tablet ou um PC?". Sou bem a favor dos miúdos trazerem pesquisas para fazer em casa, e acho realmente que o mau princípio é achar-se que as pesquisas são ir ao google e escreve uma palavra-chave naquele retângulo. Não são. É cruzar fontes de informação, analisar a sua credibilidade, tirar conclusões e procurar outras fontes, como livros ou a memória dos pais e outras pessoas.

 

Mas, pronto, nunca nos vamos pôr de acordo nestes assuntos e, com apenas quatro dias de 1.º ano, a conclusão a que chego é que a melhor política é respeitar as opções da professora e os seus métodos. Ela sabe o que está a fazer.

 

Nem de propósito, esta foto vinha acompanhada desta legenda

"Children should transcribe favourite passages. ––A certain sense of possession and delight may be added to this exercise if children are allowed to choose for transcription their favorite verse in one poem or another... But a book of their own, made up of their own chosen verses, should give them pleasure."
~ Charlotte Mason, Victorian Era Home Educator"

 

Está bem, falamos de trabalhos de casa

Fomos avisados na reunião da escola com a professora: a Madalena vai trazer trabalhos de casa às segundas, quartas e sextas. Chocante para dizer o mínimo e nem sou contra os trabalhos de casa nem me vão ver a assinar manifestos contra os TPC. Pelo menos para já. Falamos no Natal quando a carga aumentar para as quatro vezes por semana. Ou na Páscoa quando forem cinco vezes por semana. Vai acontecer. Ela disse-nos. Talvez venha mesmo a ser a mais radical das opositoras aos trabalhos de casa. Para já, como em tudo, só pedia um bocadinho de moderação, porque o assunto, como diz o João, é pertinente.

 

Qual BES, gostava de fazer a distinção entre os bons trabalhos de casa e os maus deveres.

Na minha visão, romântica possivelmente, o TPC útil é aquele que 1) põe o aluno a praticar o que aprende para usar e para ver se percebeu e em quanto tempo; 2) que obriga o aluno a responsabilizar-se por uma tarefa, por mais simples que seja, 3) que é feito sozinho e 4) que está adaptado ao ritmo da escola.

 

Não me parece sensato que se mandem trabalhos para casa se a escola fecha às 19.00 e se muitos meninos ficam por lá até essa hora. Mas numa escola que termina as aulas às 16.30 e em que a maioria sai a essa hora, já me parece razoável que os professores peçam alguma coisa. Mas pedir o quê? Uma cópia à sexta-feira parece-me justo. Embora me estrague o fim de semana, nesta fase têm de praticar. É chato mas mais chato é desaprenderem em dois dias o que lhe levou uma semana a saber. Mas fichas exigentes durante a semana? Não vejo a utilidade. Já tarefas de responsabilidade como encontrarem palavras que estejam a trabalhar, obrigá-los a pesquisar o que estudam já me interessaria mais. Tal como serem ensinados a ler este ou aquele texto. Mas, ok, posso mesmo ter uma visão cor de rosa do assunto. E é um assunto que me preocupa.

 

Faço as contas e acho que ela tem apenas 45 minutos, uma hora no máximo, por dia, para os fazer. É muito? É pouco? Gostava que os pais recebessem orientações dos profes com o tempo que os alunos, por norma, devem dedicar a um exercício. Se tem 20 minutos para fazer um problema, mas só o consegue resolver em 60, tem de praticar mais. Já agora, gostava que essa fosse a única ajuda a dar às crianças.

 

A diretora pedagógica da escola pediu aos pais para se possível não ajudarem as crianças a fazerem os trabalhos de casa. Ela tem razão. "Temos de ver se eles perceberam". Parece-me que tem toda a lógica e acho mesmo que devia ser sempre assim. Mas será? Ou na hora h vou ajudar a Madalena e nem pio?

 

 

PS: Maldita insónia e malditas "Criminal Minds" que me ponho a ver de madrugada e me deixam em sobressalto. Podia mudar de canal? Podia, mas quem é que se consegue separar de um bom doido varrido.

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