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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Orgulho III (e a lei de Murphy)

Lei de Murphy: se a tua filha dorme com fralda mas nunca a molha, será no dia em que a deixes ao fresco que ela vai sujar a cama. E acordar mal-disposta. E ter este diálogo com o papá:

 

Ela - Quero a minha chuchinha!

Papá - O papá dá. Onde é que está?

Ela - Está na primeira gaveta da cozinha.

 

(Impressionante esta capacidade dos miúdos de se lembrarem sempre onde deixam as coisas)

orgulho II

Teresa, a nossa dorminhoca,é rapariga para ficar deitada na cama um ror de tempo a fazer gã, mã, bã (pronto, uns sons). Depois olhamos para ela e ri-se, ri-se com as gengivas todas. Isto quando não mete a mão toda na boca. Para se babar nunca vi. São litros e litros todos os dias a todas as horas. Esta manhã, por exemplo, entreteve-se a roer o lençol. Sem chorar, sem se irritar com nada. Simplesmente, a roer o lençol. Se isto não são dentes nem quero imaginar quando forem...

Orgulho I

Chego a casa com os sacos do supermercado e a Madalena diz:

- Mamã, mamã, eu quero ajudar!

 

Peço-lhe para levar o champô e a pasta de dentes para a casa-de-banho e quando lá chego encontro o champô junto da banheira e a pasta de dentes junto ao lavatório.

Anti-despedimentos

(A propósito do Sócrates)
Quando eu mandar na minha própria empresa -- confio que um dia isso acontecerá --espero não ser contagiada pelo vírus Sócrates, que basicamente acha que despedimentos são a solução para tudo. Não sabemos como endireitar a economia? Despedimos gente. É a pior medida que algum gestor pode tomar, parece-me. No entanto, não param de falar nisso, como se fosse a solução para tudo.

 

Eu tenho tantas coisas contra o despedimentos que nem sei por onde começar. Ou se calhar sei: pelas 120 pessoas que foram despedidas há dois anos na empresa onde trabalho. A maioria até está hoje melhor do que estava nessa altura, mas nem vamos por aí (na altura ficaram bem pior). Concentremo-nos antes nos que ficaram. Já alguém quantificou os danos que provoca uma medida destas em quem fica? Há os que pura e simplesmente boicotam, há os que ficam tão apavorados que começam a fazer qualquer coisa com tal de não perderem o emprego, há quem diga tudo o que pensa e seja progressivamente afastada e, finalmente, há os que começam a trabalhar para sair. A desmotivação é geral: as pessoas acham que serão as próximas, passam o tempo a questionar o seu trabalho em vez de trabalharem realmente e sempre na ânsia de serem contratadas por outros. (Eu também senti/sinto assim).

 

Além disso, isto é uma falcatrua. Pronto, está bem, a palavra é forte, mas façamos contas:
eu produzo 100 com 100 empregados. Despeço 10 e continuo a produzir 100, ganhando os tais 10 pelo caminho. Mas, pergunta muito importante, conseguirei produzir o mesmo com menos pessoas? Se calhar não, pois para isso as contratei. Enfim... Abdicar de pessoas, parece-me sempre um mau negócio. Sempre.

 

Podem dizer-me assim: mas nos EUA as pessoas são despedidas com grande facilidade e isso não é problema. Exacto, mas porque eles são um país diferente. Porque nos EUA o ónus de um despedimento não é o mesmo que em Portugal. Uma pessoa ser despedida neste país é um drama, nos EUA "that's life". E na semana a seguir já se está noutra. Mas com uma cultura assim, é muito fácil ser flexível. Aqui não...

Bem prega frei Mário Crespo...

O artigo que se segue chama-se "Deve-me dinheiro" e foi escrito por Mário Crespo (não consegui perceber quando nem onde mas é recente):

 

José Sócrates em 2001 prometeu que não ia aumentar os impostos. E aumentou. Deve-me dinheiro. António Mexia da EDP comprou uma sinecura para Manuel Pinho em Nova Iorque. Deve-me o dinheiro da sinecura de Pinho. E dos três milhões de bónus que recebeu. E da taxa da RTP na conta da luz. Deve-me a mim e a Francisco C. que perdeu este mês um dos quatro empregos de uma loja de ferragens na Ajuda onde eu ia e que fechou. E perderam-se quatro empregos. Por causa dos bónus de Mexia. E da sinecura de Pinho. E das taxas da RTP. Aníbal Cavaco Silva e a família devem-me dinheiro. Pelas acções da SLN que tiveram um lucro pago pelo BPN de 147,5 %. Num ano. Manuel Dias Loureiro deve-me dinheiro. Porque comprou por milhões coisas que desapareceram na SLN e o BPN pagou depois. E eu pago pelo BPN agora. Logo, eu pago as compras de Dias Loureiro. E pago pelos 147,5 das acções dos Silva. Cavaco Silva deve-me muito dinheiro. Por ter acabado com a minha frota pesqueira em Peniche e Sesimbra e Lagos e Tavira e Viana do Castelo. Antes, à noite, viam-se milhares de luzes de traineiras. Agora, no escuro, eu como a Pescanova que chega de Vigo. Por isso Cavaco deve-me mais robalos do que Godinho alguma vez deu a Vara. Deve-me por ter vendido a ponte que Salazar me deixou e que eu agora pago à Mota Engil. António Guterres deve-me dinheiro porque vendeu a EDP. E agora a EDP compra cursos em Nova Iorque para Manuel Pinho. E cobra a electricidade mais cara da Europa. Porque inclui a taxa da RTP para os ordenados e bónus da RTP. E para o bónus de Mexia. A PT deve-me dinheiro. Porque não paga impostos sobre tudo o que ganha. E eu pago. Eu e a D. Isabel que vive na Cova da Moura e limpa três escritórios pelo mínimo dos ordenados. E paga Impostos sobre tudo o que ganha. E ficou sem abonos de família. E a PT não paga os impostos que deve e tenta comprar a estação de TV que diz mal do Primeiro-ministro. Rui Pedro Soares da PT deve-me o dinheiro que usou para pagar a Figo o ménage com Sócrates nas eleições. E o que gastou a comprar a TVI. Mário Lino deve-me pelos lixos e robalos de Godinho. E pelo que pagou pelos estudos de aeroportos onde não se vai voar. E de comboios em que não se vai andar. E pelas pontes que projectou e que nunca ligarão nada. Teixeira dos Santos deve-me dinheiro porque em 2008 me disse que as contas do Estado estavam sãs. E estavam doentes. Muito. E não há cura para as contas deste Estado. Os jornalistas que têm casas da Câmara devem-me o dinheiro das rendas. E os arquitectos também. E os médicos e todos aqueles que deviam pagar rendas e prestações e vivem em casas da Câmara, devem-me dinheiro. Os que construíram dez estádios de futebol devem-me o custo de dez estádios de futebol. Os que não trabalham porque não querem e recebem subsídios porque querem, devem-me dinheiro. Devem-me tanto como os que não pagam renda de casa e deviam pagar. Jornalistas, médicos, economistas, advogados e arquitectos deviam ter vergonha na cara e pagar rendas de casa. Porque o resto do país paga. E eles não pagam. E não têm vergonha de me dever dinheiro. Nem eles nem Pedro Silva Pereira que deve dinheiro à natureza pela alteração da Zona de Protecção Especial de Alcochete. Porque o Freeport foi feito à custa de robalos e matou flamingos. E agora para pagar o que devem aos flamingos e ao país vão vendendo Portugal aos chineses. Mas eles não nos dão robalos suficientes apesar de nos termos esquecido de Tien Amen e da Birmânia e do Prémio Nobel e do Google censurado. Apesar de censurarmos, também, a manifestação da Amnistia, não nos dão robalos. Ensinam-nos a pescar dando-nos dinheiro a conta gotas para ir a uma loja chinesa comprar canas de pesca e isco de plástico e tentar a sorte com tainhas. À borda do Tejo. Mas pesca-se pouca tainha porque o Tejo vem sujo. De Alcochete. Por isso devem-me dinheiro. A mim e aos 600 mil que ficaram desempregados e aos 600 mil que ainda vão ficar sem trabalho. E à D. Isabel que vai a esta hora da noite ou do dia na limpeza de mais um escritório. Normalmente limpa três. E duas vezes por semana vai ao Banco Alimentar. E se está perto vai a um refeitório das Misericórdias. À Sexta come muito. Porque Sábado e Domingo estão fechados. E quando está doente vai para o centro de saúde às 4 da manhã. E limpa menos um escritório. E nessa altura ganha menos que o ordenado mínimo. Por isso devem-nos muito dinheiro. E não adianta contratar o Cobrador do Fraque. Eles não têm vergonha nenhuma. Vai ser preciso mais para pagarem. Muito mais. Já.

 

 

Este artigo é a coisa mais irresponsável, demagógica, tonta e alienante que tenho lido nos últimos tempos. O Mário Crespo merece-me todo o respeito como pivô da SIC Notícias. É verdade que o país vive uma situação delicada, mas permito-me questionar as suas boas intenções. Parece-me, aliás, que Mário Crespo no que acredita é que todo o mundo lhe deve dinheiro e que ele pode escrever o que lhe apetece logo que haja alguém disposto a passar-lhe um cheque por isso.

 

Era preciso que alguém lhe dissesse (ou relembrasse) que as Donas Isabéis do mundo, que limpam três escritórios e vão ao Banco Alimentar, não vão ficar sem abono. Quem fica são as pessoas da classe média que recebiam 11 euros. 11 euros que não estavam efectivamente a fazer a diferença. E se eu quisesse realmente jogar neste tabuleiro também perguntava ao Mário Crespo se ele não acha que se devia despedir da SIC Notícias porque é uma empresa que é paga com o dinheiro dos muitos e muitos subscritores dos serviços Meo? E se ele não acha que, na qualidade de ex-funcionário da RTP, não devia ter mais cuidado com o que se diz sobre a empresa. É que agora andamos a pagar as extravagâncias feitas há muitos muitos anos. Se calhar quando o Mário Crespo lá trabalhava.

 

E o que me enerva nisto é que parece que estou a defender o Sócrates, quando isso está longe de ser verdade. Tem imensos defeitos, está feito um prepotente e está sempre a iludir-nos, que é o que mais me dói, e acha que a solução para tudo é cortar salários e fazer despedimentos.

Panda Musical - a crítica

Para estreia em eventos deste género - ia dizer culturais mas chamar cultural ao 'Panda Vai à Escola - o Musical' (é assim que se chama realmente) - a Madalena portou-se para lá de bem. Não é que tenha querido participar muito. Manteve sempre uma engraçada tendência para ficar séria e observar tudo. Não quis dançar no chão e muito menos ir dar um abraço ao Panda, mas bateu palmas, cantou e passou o dia a falar no que viu. Ao intervalo, a coisa que mais a surpreendeu foi ter aparecido uma cama com o Panda e depois ele ir para a escola. Suponho que nada cabeça dela lhe faltavam ali uns quantos passos intermédios. Mas a cama foi mesmo impactante. No final o Panda vai para a cama mas acaba por se levantar para cantar uma última cançãozinha e a Madalena adorou. Lá está, deve ter-lhe soado familiar. O que até é um bocado chato. Com tanta coisa educativa do que é que se lembra? Do único gesto de rebeldia do Panda! Ai, ai...

 

Aliás, uma coisa muito muito surpreendente para mim que ainda nunca tinha ido a estes eventos infantis em grande escala é o bem que as crianças se portam. Tenho a ido a concertos para adultos com gente mais selvagem.

 

Do espectáculo propriamente dito adorei que fosse curto e compacto, ideal para que a miudagem não se fartasse. Este detalhe está directamente relacionado com o que não apreciei. O preço, mas, pronto, não vamos agora chorar o dinheiro. Foi um óptimo momento em família e, quanto mais não seja, daqui a 30 anos, quando se fizer a Caderneta dos Cromos dos primeiros dez anos do milénio, a Madalena vai poder dizer "Eu vi". Outro ponto positivo: tiveram o bom senso usar mais as músicas do primeiro CD 'Panda Vai à Escola' que é basicamente aquele que nós conhecemos. E se eu, mamã, cantei e bati palmas! Estou particularmente viciada nesta canção:

 

 

 

 

 

Coisa que não gostei (e que não tem nada a ver com a criançada ou com o espectáculo): somos um povo totó e não há nada a fazer. Começa nas saídas do parque de Campo Pequeno, que são de tirar a paciência à Heidi, passa por aquelas famílias que decidem parar os carros junto aos elevadores como se fossem os únicos com crianças e passa, sobretudo, por termos pouca visão para o negócio. Uma pessoa podia passar por toda aquela experiência sem grandes contactos com o merchandising da marca Panda. É notável! Não é que eu estivesse desejosa de ser atropelada por porcarias Panda, mas achava que ia ser e, pronto, eram as regras do jogo. A gente leva os miúdos para eles se divertirem, mas aquilo é para fazer dinheiro. Antes de chegarmos até disse à Madalena para ela não se entusiasmar com tudo o que visse porque não se pode comprar tudo. Ora, no final, como gostei tanto até me apetecia ter uma t-shirt, caneca, mochilinha, qualquer coisa para mais tarde recordar. Como não veio ter comigo, também não me dei ao trabalho...

 

É isto e não se poderem tirar umas fotos com o Panda. Se uma pessoa vai ao Colombo e está disposta a pagar por fotos com o Pai Natal, também há-de querer com o Pherói dos filhos. Digo eu. Isto ocorreu-me não por eu ser muito esperta ou ter uma grande visão mas porque no final o animal veio dar uns bacalhaus ao miúdos mais destemidos. Aquilo foi uma algazarra! Ao ponto de até se terem perdido crianças e de os seguranças se porem a dizer nos walkie-talkies "fechem as portas! não sai ninguém" (veio-me à cabeça a palavra Maddie). Ora, não seria melhor terem organizado a coisa? Vinha o Panda, as crianças faziam fila, abraçavam, tiravam-se fotos e depois os pais como nós, que não são assim grandes fãs de tirar fotografias, não tinham de se preocupar com o assunto. Neste momento, há um balão de desenhos animados em cima da minha cabeça. Tem cifrões dentro e ouve-se o som de um máquina registadora.

Neocolonialismo

 

 

 

Há quem ache esta escola linda e maravilhosa e que o mundo devia ser todo assim: edifícios em bambu em cidades perdidas de Bali. Mas eu não vejo nada de bom aqui. Só neocolonialismo do século XXI. Que mania a do homem branco de mandar postas de pescada por esse mundo fora como se lhes tivessem encomendado esse serviço. O do vídeo anda a pregar o "holismo"...

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