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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Parece que o caso da mulher do Renault Clio está resolvido

Dito assim parece que eu sou uma megera do pior e, enfim, isso está longe de ser verdade, mas creio que finalmente resolvi o problema da mulher do Renault Clio que estacionava o carro à frente da escola da Madalena. Ela voltou a usar o espacinho e eu finalmente consegui perceber que o número para o qual ligar é o parque de viaturas do Restelo. Portanto, agora, aquilo são dois minutos. Ligo, faço queixa e já está.


 


Primeiro um polícia veio-me com a conversa de que isto não dava direito a reboque e tivemos uma conversa um pouco amarga. Eu a perguntar-lhe se o crime compensava, ele a dizer "às vezes, sim", eu a dizer que a multasse, ele a desvalorizar, eu a dizer que me estava nas tintas para o que ele ia fazer, mas que enquanto isso prejudicasse a minha vida ia ligar todos os dias. Pensei que não tivesse surtido efeito porque no dia seguinte a c.... voltou a pôr o carro no mesmo sítio. Voltei a ligar para a polícia e, tcharan, desde então tem sido um sossego. Portanto, suspeito que ela foi rebocada, se atreveu a estacionar no mesmo sítio confiando na sorte e que se deu mal.

E o grau de sofisticação do bicho?

O filho de uns amigos estreou-se em palco a tocar com os Violinhos e fomos vê-los no domingo à tarde (aliás, foi um fim-de-semana muito agitado, porque isto é uma família que não pode ver um raio de sol; no sábado, depois da ginástica levámos a cachopa ao jardim zoológico e ainda teve uma festa de anos em Mafra. Só ficou mesmo a faltar o congresso do PSD!).

Os Violinhos são absolutamente adoráveis e é comovente vê-los com quatro e cinco anos a tocar com tanta perícia (sobretudo para uma grávida com as hormonas malucas). Demos por nós a pensar "E se um dia a inscrevessemos na academia de música de Lisboa para tocar violino?".

E perguntámos-lhe.

E ela respondeu que não, vá-se lá saber porquê, tendo em conta em que se portou tão bem, tão bem, tão bem que até deu gosto - sempre sentada ao nosso colo, a bater palmas quando toda a gente batia palmas.

Depois a mãe teve a infeliz ideia de lhe perguntar "Preferes tocar tambor?" (que é o instrumento que tocam o Pocoyo e o Ruca) e os olhos delas brilharam enquanto dizia que sim. Portanto, agora quando lhe perguntam se querem aprender violino, ela diz "Não, qué tambor".

Sofisticado, sem dúvida.


 


(O fascínio pelo tambor é, aliás, anterior ao concerto dos Violinhos. Neste momento acho que a coisa que mais felicidade lhe traria na vida era ter um tambor e até pensei que era uma coisa mesmo muito boa ser a mana a oferecer-lhe um quando nascesse. Isso é que era uma entrada em grande, mas, está visto, isso não vai acontecer. Imagine-se o que era: um bebé por um lado e uma criança com um bombo por outro... Às vezes agrada-me já ter algum bom senso. Ufa!)

Esta tem mesmo de ficar registada

Quarta-feira à noite.


 


- Papá, faxavô, não fecha a pota, pediu ela quando o pai entrou na casa-de-banho. Note-se que, para nosso desespero, 80% das vezes não usa um "faz favor" que seja.


 


O tema "WC" prolongou-se.

Pensámos que estava a brincar no quarto, quando perante o silêncio prolongado da criatura decidimos ir fazer uma vistoria. Que estava a fazer? Singelamente, a pôr e tirar uma toalhinha pequena da sanita e a  limpar o chão.

Uma questão para mães experientes

(Depois de um longo debate no Facebook com a Mónica, estendo o debate à comunidade blogueira)


 


Depois da pequena Teresa nascer não vou poder continuar a dizer coisas como "a princesa mais linda do universo é a Madalena" ou "quem é a filha mais linda do mundo?", pois não? Mas que culpa tem a miúda de ter uma irmã? Não posso deixar de ser querida com ela, mas e a bebé? Não tem direito a miminhos exclusivos? Ai, ai, as coisas em que uma pessoa se mete...


 


 

O pior é que ainda há rapazes assim

Interior. Noite. Café


 


Ele (conta por que razão está solteiro, procurando lançar charme à companhia) - ...Íamos casar e comprámos casa. Passávamos lá os fins-de-semana, mas acabei com ela porque não arrumava nada, nem lavava a louça.


Ela - Mas de certeza que as coisas já não estavam bem e que isso foi o culminar da situação, não?


Ele - Não, não. Acabei com ela mesmo por causa disso. Além do mais, a minha foi operada às varizes, pedi-lhe para ir lá a casa fazer algumas coisas e ela não foi.


 


(Isto é uma história verídica e a minha amiga Cristina e eu temos de agradecer a este cromo a pançada de rir que nos deu)


 


Apenas uma observação: é natural que a maioria dos rapazes já não seja assim, porque caso contrário arriscavam-se a ser completamente irrelevantes na vida das mulheres. Digamos que, se nós nos conseguimos sustentar trabalhando fora de casa, alimentarmo-nos e proteger a nossa caverna (vulgo casa), para que se querem homens neadertais? Para ter filhos? E quando digo para ter filhos é mesmo para ter filhos, porque depois quem trata deles são as mulheres...

E porque um post feminista nunca vem só...

...Falemos sobre Helen Wright, directora de um colégio na Grã-Bretanha que voltou ao trabalho sete-horas-sete depois de ter dado à luz a terceira fila.





Ouvi isto contado há umas duas semanas na revista de imprensa internacional nas manhãs da SIC Notícias. Já se sabe que este assunto me enerva por de mais. Dizia-me eu: "Para que quer esta mulher três crianças se nem 24 horas fica com elas?"; "Bonito exemplo dá às suas alunas (têm razão os pais que se indignaram)"; "Isto é o fim do mundo em cuecas"; entre outras reflexões dignas de Zé Manel Taxista (mas com menos graça).





Sorte para mim, a indignação deu-me para ir à procura de mais informação. Encontrei-a aqui e



 



aqui. E Helen Wright não é uma maluquinha, pelo contrário. Ela leva a criança para o trabalho. Não sei se isto é um bom ou um mau exemplo e francamente não quero saber - ela acha que sim, que esta é uma maneira de mostrar às alunas que se pode trabalhar e ter filhos ao mesmo tempo. Eu não quero saber do exemplo. Mas parece-me que o que ela faz é uma pedrada no charco, uma afirmação política de enorme grandeza: "não me separo da minha cria, mas não abdico do meu trabalho".








Vamos lá ver: entre trabalho e bebés, eu escolherei sempre os segundos. Sempre. Porque bebés são pessoas e o resto é apenas "qualquer coisa", por mais importante que pareça. Por ti, Madalena, e pela tua irmã que vai nascer, eu faria qualquer coisa: matar, roubar, mentir, abdicar de um trabalho... Anything! Mas isso são "escolhas de Sofia". Não acontece. O que acontece todos os dias é ter de fazer balançar as coisas. Decidir a cada minuto: hoje vou ser melhor mãe ou melhor jornalista? E não tem de ser assim. Não devia pelo menos.





Os homens também pensam coisas destas acho eu, mas com as raparigas é pior. Porque começa logo com esta coisa da licença de maternidade, um instrumento com o qual não podia estar mais em desacordo.





Dantes achava muito bem que as mulheres pudessem estar em casa um fartão de meses com os seus filhos, mas só até me terem chamado a atençõa e perceber que isso é uma maneira de perdermos o comboio profissional. Não é só pelos quatro, cinco, seis meses ou um ano que estivemos fora. Isso é uma questão menor. Poderíamos sobreviver a ela e é uma questão de opção na verdade. O (grande) problema é que isto abre um ciclo.





Os bebés habituam-se a estar com as mães, elas é que dão o leite, a sopa, trocam a fralda. Cria-se uma relação que vai muito para além do papel natural de mãe e do dar de mamar (que só eu é que posso fazer). Começa-se com o leite e as fraldas, passa-se para a sopa e para ser a mãe a vestir todos os dias até que os meninos chamam a mãe até para coisas tão básicas como "dá-me um copo de água".





Dir-me-ão: é dividir a licença com o pai. É uma ideia, claro. E parece que na Dinamarca tem tido bons resultados, desde que passaram a dar benifícios fiscais aos pais que fiquem em casa com os filhos. Mas também não é bem isto que desejo!


 


O que eu gostava mesmo (não sei se é de ser uma rapariga do campo) é que pudessemos ser mais Helen Wright. Que pudéssemos trabalhar mais com eles por perto. Que a presença dos bebés não fosse tão intrusiva nas nossas vidas.


 


Hoje parece que as crianças estão sempre a mais. Mas tirando o cinema, teatro, discotecas e concertos, não vejo muito mais sítios onde os miúdos não devessem ser mais bem-vindos. E não são. E, temo, isto nunca vai mudar. 

Cem anos do Dia da Mulher

Conseguimos:


- votar


- conduzir


- fumar


- ir à escola


- frequentar a universidade


- controlar quando temos filhos



(Ainda) Não conseguimos:


- receber tanto como os homens


- ocupar tantos (ou mais) lugares de chefia


- deixar de ser "as protegidas de..." na política


- que nos deixem de tratar com um desdenhoso "minha senhora" nas conferências de imprensa


- fazer entender a certos burgessos que não se tratam empregadas de mesa como "amorzinho"


- dividir a licença de parentalidade (e é por isso que ela se chama "de maternidade")


- partilhar democraticamente as tarefas domésticas



Estou a esquecer-me de alguma coisa?


 


(mais informações sobre o Dia Internacional da Mulher)

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