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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Informação extremamente útil para mães de crianças pequenas

Como se limpam os sapatos de carneira?


Não se lavam, não se engraxam. ESCOVAM-SE com força, com uma escova áspera.


 


Informação adicional:


Replicando algo que vi a senhora minha mãe fazer toda a sua vida - engraxar furiosamente todos os pares de sapatos que lhe apareciam pela frente começando pelos das suas crias - actualmente dou graxa ao calçado da Mini pelo menos três vezes por semana (no Verão era todos os dias mesmo). Faltavam os tais sapatos de carneira. Farta daquelas inestéticas manchas à frente que resultam dessa actividade digníssima que é ser criança e passar o dia a rastejar, decidi hoje, logo hoje (um dia importantíssimo na vida da Madalena - ver post sobre o tema), que lhe ia passar com a graxa incolor. Vá lá, não foi com a branca! Sempre serviu de qualquer coisa ver a avó estes anos todos. Acontece que ficou uma bosta. Uma porcaria inacreditável. Procurei na Internet uma solução, e não encontrei nada que me esclarecesse. E quando já os dava por perdidos para o céu do calçado passei pelo sapateiro, que me deixou a dica. Que resulta. Apesar de já ter metido a pata na poça experimentei usar uma escova rija e, voilá, não ficou tão mau assim. Amanhã poderá voltar a ser a miúda dos sapatos rústicos.

Facebook

Acho que tenho telemóvel há 11 anos, ainda tive discos em vinil e gravei em cassetes onde ficava a voz dos locutores de rádio porque eu chegava com segundos de atraso ao botão do stop. Achava nessa altura que seria bom inventarem um suporte (embora eu nessa altura não lhe chamasse assim, era mais 'uma coisa') que me permitisso ouvir em repeat as músicas de que gostava. E então apareceram os CD e aquilo parecia o máximo! E que ia ser sempre assim. Agora já mal os compramos e nas lojas o espaço que lhes é dedicado diminui na exacta proporção em que aumenta o que se destina a aparelhos tecnológicos - mp3, consolas, televisões que só lhes falta aquecer comida (lá chegaremos!) - e tudo se passa 'no ar'. Não há suportes, não se ocupa espaço, o que é uma vitória porque assim as nossas casas não têm de ser cada vez maiores e o dinheiro que gastamos a comprá-las e em estantes e armários para arrumar as nossas tralhas pode ser direccionado para coisas mais utéis como viajar e conhecer o mundo.


 


Viajar era uma coisa complicada há 10 anos, mais ainda há 20. Não se andava por aí só porque sim. Bem, com o teu avô sim, mas porque ele é especial. Graças a ele, viajei para mais sítios na adolescência do que na minha vida de adulta. Vi Miami quando ainda não era fashion e experimentei a interactividade antes de lhe poder dar um nome. Toquei em carros que andaram na lua e vi comida liofilizada (ou lá como se diga). Ele diz "quando era pequeno não sabia que existiam aviões quanto mais que ia andar num". Eu nunca pensei que íamos poder mandar mensagens uns para os outros à velocidade de um clique. Ou ter um blogue que actualizo em qualquer parte do mundo e onde posso reunir pedacinhos da nossa vida para que vejas como isto funciona agora. A Internet mudou tudo (e é por isso que estou a escrever este post).


 


A primeira vez que me liguei à Internet foi em 1996. Tive um mail.telepac.pt e a conta do hotmail é de 1997 ou 1998 e ainda fala francês (foi criada durante o Erasmus). É preciso estarmos sempre a actualizar as nossas ferramentas para navegar aqui dentro e a última grande novidade na nossa vida chama-se Facebook. Para que vejas como tenho razão, há pouco mais de um ano, quando curtia os primeiros meses da tua existência, era o hi5 que me deixava fascinada. Continuo de queixo caído. Entre uma e outra rede social (bom conceito!) permitem aquilo que eu pensava perdido para sempre com a chegada dos telemóveis: voltamos a estar todos em contacto. Basta saber os nomes.


Por mais que a tecnologia avance, continuamos (mais do que nunca) a precisar uns dos outros. O que também é engraçado, porque a dada altura, no início dos anos 00 andava toda a gente a perguntar-se se as tecnologias da informação não nos iam afastar cada vez mais uns dos outros. Não estão, acho eu. Só nos estão a fazer encontrar de outra forma. Respiro de alívio. Já pensava assim em 2000. E, valha a verdade, se hoje estou com o papá isso deve-se em parte ao messenger que permitiu que duas pessoas que só se tinham visto uma vez pudessem conhecer-se melhor (mas isso é uma conversa para mais tarde).

 



Dantes quando queríamos falar com alguém precisávamos de ter o telefone fixo, esperar que do outro lado atendessem e que a pessoa estivesse em casa. Tantos passos, consegues imaginar? Agora cada um tem um número, podemos mandar sms para transmitir recados rápidos ou mandar mensagens românticas a toda a hora (tem feito muito pelo amor como podes ver). Precisávamos de listas telefónicas e até de 118 (agora chama-se 1820) para saber se existia registo no nome das pessoas que procurávamos. Eu sou desse tempo ainda, mas já me estou a habituar à vida nova.


 


Há duas semanas precisei de contactar uma pessoa. Era domingo, só tinha o nome da empresa, nada de telefones móveis e muita vontade de fazer o trabalho. Alguém (mais novo, lá está) disse-me: "já viste no Facebook?". Não, não me tinha ocorrido, porque eu ainda vejo isto como brincadeira, mas não é só para isso que serve. Procurei a pessoa, pedi para me aceitar como amiga, deixei o meu número de telemóvel (possível, porque não lhe estou a dar quaisquer dados pessoais ou a dizer onde moro) e duas horas depois o telefone tocou. Lição de vida!


 


O FB (e as redes sociais) mudaram tanto a nossa vida que quando dois adolescentes se conhecem já não trocam telefones, como contava um executivo da HP, Brian Levy, numa conferência em que estive esta semana, falando da sua filha. Quando se chega a casa procura-se. E checka-se a ver se interessa. "Às vezes nem precisas do nome, basta ires ver aos amigos em comum", disse-me o meu colega LFR, que me leva nove anos de diferença (para menos) e está na fase borguista.


 


Brian Levy disse outra coisa que me deixou a pensar: o que conseguiram as novas tecnologias e os conteúdos com que as alimentamos, foi mudar o tempo e o espaço. São as viagens no tempo que sempre pensámos que eram impossíveis. A matéria não viaja no tempo, mas a informação que ela contém sim. A pessoa que sou aqui pode ser replicada do outro lado do mundo em questão de horas. Posso escrever este texto aqui, na nossa casa, no trabalho, de férias ou onde me apeteça. Ou mandar fotos tuas ao papá em questão de minutos para qualquer parte do globo...


 


E isto é só o princípio.


 


Ser católico dá muito trabalho

Tenho quase, quase a certeza que quando crescres, querida Mini, não terás muitos amigos que sejam baptizados .



De vez em quando as pessoas perguntam-nos: "Quando é que baptizam a Madalena?". Por vezes apetece-me dizer: nunca. Mas a verdade é que a vamos baptizar num dia concreto. O dia em que ela quiser.


 


Cá em casa não temos nada contra Deus, nem contra a Igreja, nem contra a instituição. Aprecio bastante padres, freiras, os rituais católicos de uma forma geral e os católicos que conheço em particular. E é por  isso mesmo, pelo sentido de responsabilidade, que não vamos baptizar a Mini. Não quero ser mais uma que faz a festa (e Deus sabe como eu gosto de festas!) e depois não cumpre.


 


Baptizar uma criança implica obrigações que são mais do que cumprir os 10 mandamentos. Se possível, era interessante educá-la na religião, o que implica, pelo menos no meu catecismo, ir à missa todas as semanas e participar na construção da Igreja que somos todos nós (para os que acreditam). E isso não me sinto preparada para fazer.Portanto, não há festa. Esta, pelo menos. Por enquanto.

A estatura dos grandes homens vê-se nos pequenos gestos

Deve ter sido um telefonema duro: "Olha, o P. tem gripe A". Assim, muito calmo, tão calmo quando perguntou se estava tudo bem que eu vi logo que havia alguma coisa de errado (é assim, a mim já não me apanha, foi por ele que soube que a minha amiga tinha cancro). Vá lá, é apenas gripe A e, apesar de eu estar cheia de medo (sim, estou, estou mesmo), estou (estamos) a tentar dominar o medo. Se não há sintomas, por que razão hei-de entrar em pânico. Não vou levá-la ao hospital, nem fazer ondas. Vou só estar atentar e cruzar os dedos para que o alinhamento cósmico esteja a meu favor. Por favor, que não aconteça nada.


 


Mas isto também não é um post sobre gripe A. Nem para dar graxa ao S., embora pareça. É sobre a estatura dos grandes homens, a sua ética perante as circunstâncias adversas. Que faria eu se tivesse de ligar aos meus amigos a dizer que a minha filha estava doente (mesmo que tenha sido uma coisa muito ligeira e que já esteja totalmente resolvido)? Medo, muito medo. Mas ele não. Ele liga, explica, informa, dá dicas e faz tudo parecer fácil. Adoro pessoas assim. A sério. Gostaria de ser assim, gostava que a minha filha fosse assim. Não é histérico, não é indiferente, é na medida justo do que a circunstância requer. Isto tem muito valor, não me digam que não!

Resposta à V.

Recebi este comentário da Vanita:





"O problema, Lina, é que nenhum médico pode, em consciência, garantir que estas três mortes - sim, já são três - não estão directamentemente relacionadas com a vacina. E porquê? Porque se a vacina para a gripe sazonal está estudada e analisada com algum rigor, esta não teve tempo para que todos os efeitos adversos fossem efectivamente apurados. Que as vacinas são uma das melhores descobertas da medicina, não há dúvida. Que a gripe sazonal todos os anos mata milhares - em silêncio - também se sabe, O que ainda não se sabe é a dimensão que esta estirpe pode assumir, sendo que os estudos feitos até são mais alarmistas do que a comunicação social tem veiculado. Apostou-se numa postura de prevenção, mas com a consciência de que não se sabe bem o que se tem entre mãos. E sim, a Gripe A pode ser muito perigosa, mais pela incapacidade de o organismo de lutar contra ela do que pela própria doença em si, como é o caso de quem sofre de doenças respiratórias ou crónicas. Qual a melhor postura? Não sei. Mas prefiro ser informada destes casos do que não saber deles. E acredita que entendo a angústia de quem tem filhos pequeninos ou das grávidas. É que realmente é difícil escolher o melhor caminho".





Tomo a liberdade de lhe responder por aqui, até para não dar a sensação que sou uma irresponsável, que não está preocupada com a Gripe A. Com certeza que estou e sobretudo com a parte boldei no comentário, mas uma coisa é ser preocupada, outra é cair em alarmismos, como me parece que sucede no caso das grávidas. Por exemplo, dá-se tanto peso ao facto da mulher de Portalegre ter sido vacinada como ao facto de tomar anti-depressivos como escreveu o Diário de Notícias anteontem? Não. E no terceiro caso -e último, esperemos - , a mãe já tinha sofrido abortos de repetição.


Também não digo que tenham sido estas as causas. Não digo mesmo. O que pretende sublinhar é que por cada morte por gripe A, encontro outras eventuais causas comuns para se perderem bebés. Apenas isso.





Não sei se estou certa, claro, e evidentemente não posso garantir, nem quero, que a vacina é boa e segura. Não é isso. Queria apenas falar da forma como pomos as coisas. Da parcialidade um lead, que pode conduzir a um cenário de pânico, um sentimento que partilho com esta mãe.


 


Reconheço, no entanto, uma coisa óptima nesta campanha de prevenção. Duas, vá. Além da prevenção contra a própria da gripe H1N1, percebemos que lavávamos as mãos muito menos vezes do que devíamos (e em Portugal até somos muito asseadinhos), o que tem melhorado bastante a nossa qualidade de vida. Acho que é a primeira vez em quase dois anos de maternidade que não estou sempre a ouvir falar de gastroentrites (o diabo seja cego surdo e mudo).


 


E bjs para ti também, Vânia. :)

Gripe A: a maior pandemia é a do alarmismo

Hoje mandei um sms à pediatra da Madalena com duas perguntas simples:


- Não encontro a segunda dose da vacina contra a gripe sazonal, que faço?


- Ela tomou a primeira vacina há uma semana, pode tomar já a da gripe A?





À primeira, ela respondeu tranquilamente sem qualquer problema. A resposta à segunda disse "pode dar", uma resposta que, no contexto em que aparece, soa mais a bitaite tranquilizador do que a outra coisa, género "mais uma mãe a chatear-me a pinha com este assunto". E não é assim. Eu já falei com ela sobre este tema, ela está de acordo com a vacina e eu confio nela, portanto, não há problema. Mas não posso deixar de pensar: "E se ela não percebeu bem a pergunta e apenas me despachou". Ora, a que se deve isto? À porcaria de clima de suspeição que foi gerado em torno desta vacina e ao estúpido alarmismo em redor de uma doença para a qual há cura.





Isto não é sequer um post sobre Gripe A, é sobre o jornalismo que se faz. Que fazemos. Está certo que se alerte para os perigos da vacina, mas está certo que se dê notícia de todas as mortes de fetos que morrem e cujas mães foram vacinadas? Não foram todas? E não há um monte delas, a maioria até, que tem os bebés em perfeitas condições de segurança? Acaso antes não morriam fetos no dia em que nascem antes da gripe A? Morriam, e é claro que é uma coisa horrorosa (nem é bom imaginar). Tão horrorosa como agora. A diferença é que nessa altura não havia um culpado para apontar ou uma câmara de televisão para a qual falar. Está certo que as pessoas o façam, o que não aceito é que jornais e televisões (sobretudo estas) estabeleçam uma causalidade que depois não é confirmada por médicos. Ou que eles próprios ou os obstetras se desmintam dizendo que os números são perfeitamente "normais".

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