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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

...

Tudo o que penso sobre o inominável e a tomada de posse foi resumido neste texto por Vítor Belanciano: "Gostar ou não daquilo que ele pode representar é uma forma de dizermos que pertencemos a um lado da barricada e não queremos pertencer a outra, o que é legítimo. Mas atacá-lo nos seus gostos e gestos, pode ser vivido também como afronta por quem se espelha nele. Podemos não nos reconhecer na forma como se encena e criticá-lo, mas não se perde nada em ouvir quem se revê nessa encenação e perceber porque é que isso acontece. A interpretação da vida social já não é realizada apenas por uma elite para uma massa de outros. Essa relação hierárquica desvaneceu-se. (...) [O inominável] percebeu-o bem."

Escolhi este parágrafo, podia ser qualquer outro.

Ficou-me na memória este outro texto do Washington Post que analisa -- ponto por ponto -- o discurso de ontem. Por exemplo, a questão da violência. "As we have repeatedly pointed out, violent and property crimes overall have been declining for about two decades, and are far below rates seen one or two decades ago. Homicides have spiked in major cities in 2015 and 2016, but the rates remain far below their peak in the late 1980s and early 1990s".

Pela (microscópica) parte que me toca, pretendo desprezar, ignorar mesmo, a sua existência. Não abro notícias sobre o inominável a não ser que o assunto me pareça mesmo importante (nada de twitices e nada de vestidos), não partilho fotografias, não faço posts no Facebook e procurarei manter-me longe do seu nome por higiene e dever de consciência. Deus me livre de contribuir para aumentar o número de referências que a Internet dedica a este homem, uma pessoa que em 2017 faz um discurso que reivindica a solidão de um país.

O pior de tudo é isto: e se alguma das promessas destrambelhadas deste homem funciona? Seremos nós fortes quanto baste para vincar que o bem-estar económico de uns não se pode fazer à custa da democracia, da liberdade e dos nossos mais elementares direitos? É o que mais assusta no meio disto tudo.

De resto, só acho que é um lixo. Um lixo com demasiada atenção. É isso que ele é.

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