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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Do zero

Há sempre esse momento. Já descansaste. Já não adormeces só porque paras. Estás longe. Passas as noites a ver os Jogos Olímpicos. Metes tudo em perspetiva. E, então, sabes, chegou a hora de acabar as férias e voltar à rotina, aos dias do costume, ao "pão com manteiga e um café, D. Lina?", porque já estás a pensar demais. A pensar no que não foi feito. E então pegas no lápis e no caderno e escreves tudo o que vais fazer. Começar de novo.

Regresso à civilização: o que custa realmente

Acabadas as férias, hora de voltar. E eu aguento o acordar cedo, a rotina, o trabalho bom e o trabalho mau, aguento a pressão, aguento que o ano letivo esteja aí ao virar da esquina, quase tanto como o Natal. Aguento. Aguento o cansaço, não poder dormir a sesta e que o (pouco) bronze se vá. O que me custa mesmo é ter de largar as havaianas e calçar sapatos. Isso é que são facadas. Parece que os pés cresceram. Sinto-me o Crocodilo Dundee em Nova Iorque. A Jane em Londres.Hoje sou uma selvagem que chega à cidade. 

Eu jurei que nunca faria estas figuras e no entanto...

Um dia qualquer, nos últimos 8 anos e meio, jurei, acho que até escrevi algures neste blogue, que nunca me iam apanhar a fazer bonecos com a comida na tentativa de que alguém comesse. Pois... 

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Não sei o que é mais embaraçoso, fazer olhos com batatas ou praticar esta nobre arte em restaurantes. 

Há alguém por essa Internet fora que faça disto para os seus ricos filhos? Importa-se de levantar a mão e acompanhar-me neste momento? 

Ai, os Jogos

A cobertura da RTP destes jogos é um constante saltar de canal (talvez pensem que é modalidade olímpica) e peca pela ausência de programas de apoio e até de debate. Logo eles que adoram uma mesa, quatro cadeiras e um moderador. Para quem, como eu, está a apanhar este acontecimento de férias e com mais tempo do que é habitual, é uma frustração. Não se sabe se os portugueses entram em ação na 1 ou na 2 e, o que me dana, não há contexto, não há informação complementar, um histórico, tudo o mais básico que se possa imaginar é o que está a ser feito. Em condições normais, o país devia parar pelo Nelson Évora e o Fernando Pimenta. E depois das provas gostava que um comentador me explicasse o que correu mal. Ou bem. Gostava de ver uma pessoa como o comentador de atletismo, um tipo incrível, fora daquela enervante caixa onde está fechado. Ele tem sido, para mim, aquela flor que teima em nascer no meio do pântano. Obrigada, senhor Luís Lopes.E agora deixa-me ir ver a que horas salta Miss Biles. Se não vir em direto, já não vejo nada. Ao passo que se for uma porcaria de um jogo entre o Arouca e o Rio Ave arranjam sempre três minutos ou mais para resumos. E está muito certo dar importância ao futebol quando ele é importante. Mas neste final de Agosto, a competição mais importante são os Jogos. Please!

Talvez tenha bebido demasiada tequilla

Chego tarde a este assunto, bem sei, mas, como dizer, depois do impacto inicial, como que este vídeo de Carlos Costa se me entranhou. Acho uma certa graça a isto tudo. Ele é o imitar a Beyoncé, ele é (outra vez) a coroa de Rihanna, ele são as tranças holandesas tipo Kardashian, ele é o número de telefone que lembra o reality show em que entrou, ele é rimar tequilla-chinchila-godzilla, ele é o maillot, ele é a confusão sexual em que ninguém é homem ou mulher, ele são os emojis... Estou confusa, estou baralhada, estou esperançada que por cada partilha no youtube vá um cêntimo de ajuda para a Madeira, terra natal do Carlitos Cuesta. Depois de tudo o que vimos esta semana, bem precisam. 

Os melhores dias do ano

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Capa de um livro de aventuras, diz a Vânia

 

Ir. Sem fraldas, sem biberões, sem dodots, sem refeições a horas diferentes por causa da bebé, sem birras para dormir, sem birras para acordar, sem (tantas) birras, sem creme nas bolas de berlim. Dividir bolas de berlim. Os pezinhos na areia. O panorâmico. A vista. Douradas. Sem espinhas. Pizzas margarita. Batata doce. A sopa. Ovos mexidos e pão à terra. Tudo o que tenha alfarroba. Gelados. Baunilha, chocolate, morango. Farturas. Carrosséis. El Rocío. Tanto calor. Cavalos e póneis. Água com sabor a limão. Mergulhos no mar. Carreirinhas. A bandeira verde. A corrida matinal. As corridas noturnas. Apanhar conchinhas. O ECO sempre connosco. Fazer castelos. Adormecer a ver os Jogos Olímpicos. Os incêndios (e não poder fazer nada). A piscina. Fatos de banho com estrelas. Brincar. Espetadas de fruta feitas por elas. Salames. Só uma com braçadeiras. Os pés a crescerem. Pinheiros. Pôr do sol. Os amigos. Os novos amigos. A amiga genial. Panamás. O biquíni às riscas. A cadeira de praia. O toldo 8. O vídeo do Carlos Costa. K.C., agente secreta. Dormir a sesta. Inventar jogos novos. Jantar a ver Simone Biles ganhar. Voltar.

Baixou em mim um taxista (sim, de novo)

Foram processados por discriminação os hotéis que proibiam a entrada de crianças. Logo apareceu um coro de vozes dizendo que estava muito bem (a existência de tais sítios) e muito mal que haja queixas judiciais, porque os adultos querem sossego. Quero, em primeiro lugar, notar a extraordinária sensibilidade das pessoas. A mim, não me incomodam nada os filhos dos outros, só mesmo as minhas, porque gritam a toda a hora "mãe, mãe, mãe". Demasiada sensibilidade, digo eu. Mas o que me põe nerviosa mesmo são aquelas vozes  que logo acrecentam que a eles o que os stressa são os pais que não se preocupam que os filhos corram e façam barulho -- sejam crianças, vá. Com isto é que implico muito, desculpem lá. Primeiro, porque, sem ir mais longe, ontem à noite, estava a tentar ter um jantar romântico com o meu esposo e o grupo, enorme, de pessoas que jantou ao nosso lado não fez a coisa por menos e decidiu ficar a conversar DE PÉ entre a nossa mesa e a deles. Please! No entanto, ok, compreendo: nem se aperceberam. Vamos dar o desconto. E vamos, se faz favor, dar o desconto às crianças. Deixar correr, ser pequeno, levar uma reprimenda quando é necessário, deixá-los gritar, serem eles próprios. Uma das coisas mais tristes de ser criança hoje é que a "boa criança" é aquela que fica paradinha e quieta sem fazer barulho, agarrada ao iPad. Para cúmulo, boa parte das pessoas que dizem estas coisas nem filhos tem. E, por favor, não me digam "mas tenho sobrinhos, sei como é", porque não é o mesmo nem sabem o que dizem. Confiar a educação de uma criança a um fundamentalista, e sensível, do comportamento público das crianças é o mesmo que os inscrever na universidade dos psicopatas. Uma criança é uma crianças e uma pessoa é uma pessoa. Temos de nos aceitar como somos. Mesmo que isso, de vez em quando, implique um pouco com o nosso sossego ou com a nossa expectativa de ter uma tarde postável no Instagram.

Cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos. Tantos corações!

Dá-me cá uma vontade de chorar aquilo tudo. Não é de tristeza, claro, é de alegria e emoção. Aquelas pessoas todas, unidas por um bem maior, mesmo que depois haja muita política atrás (tudo bem explicado pelo Quartz), mais a maneira como os atletas se apresentam, que é a maneira que os países têm de se mostrar e dizerem ao que vão, quase sempre uma mistura de tradição e modernidade, mais o número de pessoas de cada delegação. Mais progresso económico = mais pessoas. Que passará na cabeça de quem representa está na comitiva dos refugiados, da Síria, de quem representa a Turquia, de quem corre pela Somália ou de quem vai por Vanuatu (Vanua...quê)? Vemos muitas meninas bonitas na Roménia, elas estão em grande na ginástica, e dir-se-ia que são a maioria. E depois, claro, encheram-me de orgulho aqueles 20 segundinhos do nosso grupo -- um tutti frutti de origens -- a entrar no Maracanã. Atirem-se a eles, pessoal.

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[Foto: Mike Blake/Reuters]

 

 

Uma saiu para jogar ténis, a outra para um casamento e a terceira adormeceu (menos mal!)

Este ano acabaram-se as roupas a condizer e os fatos de banho iguais. Ainda restam alguns, fiz um esforço mínimo para combinar coisas, mas, basicamente, estou a ser sabotada pelo gosto das minhas crianças. Deu-se o caso de na noite passada a Quica ter decidido sair de havaianas, e nós deixarmos, apesar de sermos partidários do "vestidos para jantar", um dos meus rituais preferidos nas férias. E digam o que disserem, mesmo crianças, gosto que entrem de sapatos em restaurantes. Assim que entrou no carro fez o favor de adormecer (e só acordou no regresso a casa). A Madalena vestiu um macacão cinzento cool, pôs os all star e andor. Estava ótima, mas parecia que ia jogar ténis ao lado da irmã do meio, que se recusou a levar um vestido estampado igual à saia da Quica, preferindo um vestido branco de renda com sapatos, aguentem, rosa dourados (os mais pirosos que existiam na Accessorize das Amoreiras nas vésperas do seu aniversário). Estava digna de subir ao altar como menina das alianças.

Dentro de mim persiste algo daquela mãe que queria que elas se vestissem como se a qualquer momento pudessem ser fotografadas, que andassem mais penteadas e mais aprumadas, mas, bom, encaremos a realidade de frente, a quem é que iam sair assim? À mãe não era com certeza. Portanto, é deixá-las andar, aprenderem a tomar decisões, arcarem com as consequências de comprarem havaianas com a tromba da minnie estampada e aceitar o destino: é possível que venha a ser a mãe daquelas adolescentes loucas que pintam os cabelos de encarnado. Eu aguento.

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