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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Elena Ferrante: rescaldo

Toda a gente à minha volta está a ler a Ferrante. Quando estava eu ali mergulhada nos livros, sucedeu até estar a almoçar rapidinho num café e a senhora ao meu lado também estar hipnotizada por aquelas páginas. Imagino que teria dado uma foto impecável, do outro do lado do vidro. Duas mulheres adultas, mais ou menos da mesma idade, gorduchas, em pé, a comer porcarias e a ler a Elena Ferrante. Parece-me um bocado patético, ao mesmo tempo. Giro, mas patético. 

Estou a pensar nisso agora, naquele momento só pensei nela com "irmã". Alguém que também tinha sido apanhado pelas teis de uma escritora que não se sabe quem é. Dois bons textos abordam este assunto, um do DN, outro do Público. Reúnem o máximo de conhecimento que podemos ter sobre esta misteriosa mulher. Ou homem. Aventa-se que pode ser um homem. Aparentemente tem a mesma idade que a protagonista do livro (que tem, também, o seu nome). Não se deixa ver. Só dá entrevistas por mail. O que não é grande coisa, porque ainda há uns meses o The Guardian foi arrastado para uma história da carochinha sobre uma mulher que blogava na Síria e era afinal um homem e estava em Gales ou outro território da Grã-Bretanha. 

É quase inverosímil que se possa escrever quatro livros, e mais uns contos, e não aparecer, ninguém saber quem somos. Já não pedia para a escritora falar, mas que se soubesse ao menos a idade, de onde vem. Que tivesse uma cara. Como é que isto se consegue em 2016? 

O livro. Os livros (quatro ao todo). Dizer que gostei é pouco. Mas, como todos os amores de verão, foi muito intenso e passou depressa. Naquele final de agosto, início de setembro, a Ferrante virou obsessão. Tinha de saber o que se passava. Coincidiu com uma época em que as crianças ficaram em casa dos avós e por isso tive um pouco mais tempo para estas aventuras. Tinha insónias e acho que era por causa do livro. Depois, acabei e acabou tudo. Quer dizer, continuo a achar que é espetacular e que merece ser lido, há muito que não sorvia as páginas de um livro com tanta vontade, mas, pronto, acabou. Fechei o círculo. Que é como quem diz: a quadrilogia. A Amiga Genial, História do Novo Nome, História de Quem Vai e de Quem Fica, História da Menina Perdida (Relógio d' Água).

Voltei ao mundo, mas voltei depois de ter lido a Ferrante, o que é completamente diferente. Foi uma amiga que me disse isto. Acho uma conclusão espetacular, porque, claro, nunca somos as mesmas pessoas depois de lermos livros que gostamos (quem diz livros diz outra coisa qualquer). 

Basta pesquisar dois minutos na net e sabe-se que é a história de duas amigas que nascem e crescem num bairro pobre de Nápoles, mas a arte de Ferrante, para o meu gosto, é a maneira como descreve tão minuciosamente episódios da infância, os efeito da perceção e as consequências. Há coisas que só se tornam reais, porque elas agem como se fossem, porque as entendem assim. Algumas coisas, nós próprios estamos a ver que vão acontecer. A certa altura, quase podia dizer à Lennuccia: "Eu avisei-te".

Acompanhamos Lila e Lenù até à idade adulta, seguimos os caminhos da História. O que pensam está cada vez mais próximo da realidade. Quando se enganam, desculpo-as menos. Deve ser por isso que achei o quarto volume mais fraco do que os outros. A culpa é minha. Estou sempre a pensar que ELAS JÁ DEVIAM SABER. Dos romances e da política. A História da Menina Perdida tem um toque de novela que a história mais forte não redime. Um acontecimento tão potente, que me transtorna de tal modo, que acho inconcebível que existam histórias para lá daquela ou, mesmo, como é que a autora pôde escrever três livros sem mencionar aquele acontecimento. A minha amiga que primeiro me falou da Ferrante diz que isto são os meus olhos de mãe a falar. É possível. Não teria conseguido ler se fosse de outra maneira...

livros de Elena Ferrante.jpg

No chão da nossa casa

 

Convites de aniversário

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Qual é a época do ano em que descarrego mais aplicações do iPhone? Aquelas duas semanas, um mês antes do "niver" das crianças. Quando começo a pensar nos convites para a festa. O da Francisca é um video que começa mais ou menos assim...
[cid:7D85D7A9-B0F7-4145-8B11-B845371BEEAB]
Até punha aqui mas depois vocês, queridos leitores, que são às mãos-cheias, apareciam e não tenho comer para todos. A minha mãe matava-me se fizesse uma festa e não sobrasse comida! Só por isso, nada mais.
O caso é que, sendo uma trapalhona para os trabalhos manuais, mas adorando a coisa, muito me esforço nestas alturas. Por isso, e porque não gosto muito de nenhum dos convites à venda no Continente, sendo mais sincera do uma concorrente da Casa dos Segredos.
Já experimentei coisas várias para a escola, e gostei particularmente de um que fiz para a Teresa, impresso em papel de fotografia. Funcionava muito bem online também. Estou sempre à procura disso. De convites que fiquem lindos enviados por mail. Já que é por aqui que mais falamos uns com os outros.
Ultimamente, tenho experimentado coisas em vídeo. São as que tenho gostado mais. Este ano, com a Quica, tinha planeado ser ambiciosa. Convite digital e impresso, mas, é preciso dizer, não consegui concretizar o meu plano.
Tinha em mente uma coisa assim para entregar aos amigos da escola:
[image1.JPG]
Em vermelho.
Infelizmente, os meus parcos conhecimentos gráficos impedem-me de concretizar esta tarefa no tempo que a ela posso dedicar (duas horas). Mas percebi pelo menos esta coisa engraçada: a distância entre o laço e o nariz e os olhos não respeitam o tamanho da boneca original, pelo que não basta pegar numa foto da Kitty e fazer o contive. Parece a Kitty, mas não é a Kitty. Em qualquer caso, acho muito giro.
Consegui, no entanto, engendrar o tal vídeo. Estou contente. Suspeito que a maior parte das pessoas nem abre o documento anexo, mas, pronto, pelo menos uma viu. A madrinha da Quica. E fez um comentário que me aqueceu o coração. "É da era ECO". E é.
À Quica cabe esse privilégio incrível de ser a única pessoa ou coisa que, por estes dias, faz o pai parar, porque o ECO sai da maternidade (por assim dizer) no dia 10 de outubro. Segunda-feira. Ali com o orçamento do Estado à bica. Portanto, ela tinha de ter um convite à altura. À altura dos tempos que vivemos.
PS: Nem de propósito, outra convidada abriu o convite enquanto escrevo. Fico contente. E mais contente ainda quando vir a casa cheia :)

O que ler?

Sabia que isto ia acontecer, mas preciso de o assumir publicamente: depois da Elena Ferrante estou orfã. Se alguma alma caridosa me quiser recomendar alguma coisa interessante, boa, daquelas que se lê com avidez, como aconteceu com a tetralogia da escritora italiana, sinta-se à vontade. 

Vamos ter uma festa Hello Kitty. Finalmente

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Quando lhe vou dar um beijinho à noite ainda me espanto -- todos os dias -- com o tamanho da Quica. A Quica é o meu bebé. Quando lhe pego ao colo, às vezes, ainda a deito só para fingir que é mesmo pequenina. Adoro-a grande e cheia de opiniões: "Não gosto destes sapatos" ou "as cores não me interessam". Adoro-a nestas manhãs em que me dá zero problemas porque não faz birras e sabe despachar-se muito depressa. Adoro-a quando me pede para ficar um bocadinho mais com ela na sala. E adoro que me tenha pedido uma festa da "Lori Kitty", agora que se aproxima o seu 4.º aniversário. 

É isso. A minha pequenina sabe como agradar-me. Sabe o que tem de me dizer quando lhe ralho. "Mamã é linda."

E, claro, apesar de não ser moda, vamos mesmo ter uma festa Hello Kitty. 

 

Gostava muito de blogar, mas o meu diretor não me deixa #2

O Palácio da Ajuda vai ser acabado e albergar duas caixas de jóias. Abre em 2018. Comecemos a riscar os dias no calendário. 

Cem anos depois de ter sido pensado, o Museu de História e Cultura Africana Americana abriu portas no sábado

Uma parte da coleção de arte de David Bowie vai ser vendida em leilão, em novembro. E está agora em exposição. 

O Caixa Alfama terminou no sábado, mas o que Raquel Tavares mostra de Alfama não tem validade. Ah, coisa mais linda!

Então, vamos lá falar sobre isto de ser rico (ou pobre)

A coisa mais triste deste país (e só conheço bem este portanto não falo dos outros) é que a Direita acha que todos os pobres são calões e a Esquerda pensa que todos os ricos são ladrões. A minha falta de paciência para estas posições, para esta politiquice, está nos limites. A sério. Adoro política, debates intensos para chegar a uma conclusão sobre como melhorar a vida de todos nós, todos os que vivemos num mesmo território sujeitos às mesmas leis, mas o que se passa na arena partidária é tão frustrante... 

É importante dar esta seca, para explicar o que me parece óbvio: a "taxa Mortágua" para imóveis que valem mais de 500 mil euros (da Esquerda), seguida da declaração "temos de perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro" é tão absurda como dizer que esta medida afeta sobretudo a classe média (a Direita). Acham que é o mesmo? Põem a mão na consciência e acham que os grandes prejudicados são as pessoas que auferem 25, 30 mil euro anuais?  

Tenho seguido o caso com interesse e gostava de perguntar onde para o bom senso. Sim, onde? Ficou no Algarve de férias? Está a fazer um brunch no Chiado? Ainda não lhe passou a moca do Boom? Também tenho uma recomendação: casem-se uns com os outros, minha gente. Já diz o povo: só se estraga uma casa.

A chicha da questão começa com esta pergunta: com 500 mil euros a pessoa é um acumulador de património, mas se a casa valer 499 mil já está tudo ok? Ou mesmo 400 mil? E isso é per capita ou cá em casa podemos ter 5 imóveis de 499 mil euros cada um? 

Francamente, o que gostava mesmo era que houvesse um comentador, um político, uma alminha qualquer que dissesse isto: todos os contribuintes são iguais perante a lei. Isso não quer dizer que todos pagam o mesmo, significa apenas que todos são tratados da mesma maneira. Parece uma coisa complicado, mas não. É simples. 

Pagamos consoante o que recebemos. Pagamos segundo o que temos. E acabemos de vez com a casuística, e com essa coisa muito enervante que é a riqueza das pessoas ser avaliada segundo a escala Mortágua, Costa, PCP, PSD ou o governante de turno. Dá-se o caso de ontem até ter ouvido Catarina Martins dizer que as pessoas podem ter uma segunda casa, de férias, e não era isso que estava em causa. Porque é costume uma pessoa desfrutar da sua condição de pobre num apartamento em Albufeira durante o mês de agosto. A sério, onde é que isto vai parar? 

É muuuuuuito enervante esta coisa do achismo ter sido elevado à categoria de ciência, opondo "os porcos capitalistas que têm casas de mais de meio milhão de euros" e, do outro lado, "as miseráveis gentes trabalhadoras que fazem poupanças comprando andares" e as que, na bitola Martins, têm casa de férias.  

Portanto, parabéns a ambos, falem com a minha mão. Não quero saber quais foram as vossas intenções, quero que haja tributação em função do que se tem e da sua proporção. Se são proprietários têm de pagar. E se têm mais do que uma casa têm de pagar por mais essa casa e, possivelmente, um suplemento porque têm património que ocupa espaço e recursos mas que não usam para viver, que é o direito que está consagrado. Se as casas estão no Airbnb, alugadas a estudantes, a prostitutas ou vazias só porque são como o juiz Carlos Alexandre e gostam de colecionar casas, problema de cada um. 

Comecemos por aceitar que temos de pagar impostos. Quem tem rendimentos e propriedades, tem de dar uma parte deles. Não é que devemos pagar impostos, armados em bonzinhos, como se isto fosse um concurso de popularidade para entrar no Céu. É pagar para o bem comum. Para que os pequenos fios invisíveis que nos prendem ao mundo se mantenham ligados -- estradas e pontes, investigação científica e cultura, escolas, hospitais e tribunais. Não é porque gostemos, é porque tem de ser. É para não cair a ponte de Entre os Rios e pensarmos que se não tivessemos fugido aos impostos talvez a manutenção tivesse sido melhor. Ou, Deus nos livre, temos uma doença (o diabo seja cego-surdo-mudo) e concluímos que, apesar de termos roubado ao fisco, temos direito aos mesmos tratamentos que uma pessoa que tenha tudo em dia. Quem é que quer viver com esse peso na consciência? Os impostos, entendo, servem, ou deviam servir, para manter e criar igualdade e progresso. 

Depois de nos termos conformado com a ideia de que temos mesmo de pagar para o bem comum é que podemos começar a questionar que raio de impostos é que nos estão a impor, sem explicação. E concluímos, mias uma vez, que é apenas uma bravata ideológica do BE, a sanha contra os ricos de Mortágua e Martins, que, helàs, não inclui gente que possui uma casa de férias desde que não tenha custado 500 mil euros. Uma casa inteira, má ou boa não interessa, que deixa pegada ecológica e social, da qual se paga luz, água, gás e IMI, mas que não pode ser considerada riqueza, a não ser, talvez, que apareça na Caras Decoração. Poupem-me. (Se é que ainda se pode usar este verbo). 

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