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Quem sai aos seus

Para a Madalena, para a Teresa e para a Francisca.

Ainda sobre o congresso dos jornalistas

Estive a pensar um pouco sobre este assunto:

- Talvez fosse realmente importante autonomizar o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, porque como alguém disse (não me lembro quem), assim é apenas dos que são sindicalizados. Não faz sentido, porque deontologia não é opção, mas só é sindicalizado quem quer.

- Também acho que é preciso pensar melhor nisto de existir uma Entidade Reguladora da Comunicação. Para começo de conversa, ela tem de existir. Os cidadãos têm de ter um sítio onde se refugiar se não se sentirem bem tratados na imprensa. Mas lá na sala do São Jorge ouvi falar do Conselho Deontológico e da Comissão da Carteira, que também precisa de rever os critérios de entrada na profissão, mas não se falou (do que ouvi) de ERC.

- Devia haver mais conversa sobre fontes de financiamento e receitas, e que os jornalistas deviam ser ouvidos. 

- É importante haver congressos de jornalistas. Neste, que é o primeiro em quase 20 anos, era obrigatório falar sobre condições de trabalho. E fico contente que esse assunto tenha estado tão presente para nos vermos ao espelho. Mas não estamos sozinhos. Ainda ontem fui moderar um debate de arquitetos e eles queixam-se exatamente do mesmo e, até, talvez, de maneira mais preocupante, nas pessoas entre 30 e 40 anos.

- A propósito de condições laborais, também acho que é preciso esclarecer muito bem o que cada um entende como precário e quais as suas expectativas. As das direções para com os jornalistas e as dos jornalistas para com as direções.

 

- Espero que se façam mais congressos para podermos debater outros assuntos, relacionados com o nosso modo de trabalho. De como temos cada vez mais laranjas para equilibrar no ar e como isso afeta as escolhas editoriais. Das mensagens confusas. Por um lado, filet mignon; por outro, rapidez. A pressa é inimiga do rigor. De como a velha organização da redação precisa de ser repensada. Se é possível conviver um jornalismo que precisa de horas (online) com o jornalismo tradicional. Sim, porque é bonito dizermos que jornalismo é jornalismo (e é!), mas é preciso criar as condições para o exercer.

- Apesar de ter ido dormir na sexta-feira com a sensação de impotência, acho importante cair na real e perceber uma coisa: os jornalistas importam e muitas pessoas nos querem bem. Portanto, não é só que devamos existir porque garantimos mais democracia, é que as pessoas que não são jornalistas também nos querem. No demais, o António, meu marido, tem razão:

"O ECO tem pouco mais de três meses de vida, nasceu por várias razões, a primeira das quais a vontade de fazer jornalismo, de cumprir uma função de serviço público. Estive no congresso dos jornalistas e vi e ouvi uma geração de estudantes e jovens jornalistas que também partilham desta vontade, de querer fazer. Há muitas formas de fazer jornalismo, foram apresentados novos projetos interessantes e que refletem várias realidades, mas todos com a mesma convicção, a de que estão a acrescentar alguma coisa ao que já existe. Os leitores decidirão.

O jornalismo está em crise? Não, o país é que está em crise, a precariedade que, infelizmente, ainda existe no jornalismo é também uma realidade noutras profissões. Cito apenas a dos professores, poderia escolher outras.

O que é que temos? Temos alunos mais bem preparados, temos mais leitores do que nunca, temos ferramentas para fazermos melhor jornalismo, somos alvo de um escrutínio que nunca existiu, e isso obriga a melhor jornalismo.

O que não temos? Sim, não podemos fazer jornalismo sem independência financeira das empresas em que trabalhamos, sem as condições mínimas que permitam às redações fazer jornalismo. Se queremos vender jornalismo, temos de fazer jornalismo, ouvi um dia. E subscrevo.

As receitas mudaram de sítio, estão a mudar. Do papel para o online, dos meios de comunicação social para as operadoras e para as empresas como a Google e Facebook ou LinkdIn. Os leitores estão a pagar a distribuição de notícias através dos contratos que têm com as operadoras, para aceder à televisão ou à internet, a que lhes dá acesso às redes sociais. Estão a pagar muito menos às empresas jornalísticas. Esse equilíbrio está por fazer e tem de ser encontrado, com o nosso envolvimento.

Não vai ser fácil, não é fácil, mas o caminho faz-se caminhado, com melhor jornalismo, que torne evidente para os leitores - e para a distribuição - as diferenças em relação ao jornalismo do cidadão (o que é isto?), as toneladas de 'informação' indiferenciada nas redes sociais que não obedece a princípios éticos e deontológicos, a regras profissionais de contraditório, à verificação. Fake news? Sempre existiram, não tinham era a repercussão e alcance que têm hoje.

A sustentabilidade financeira é também fundamental para investirmos mais em tecnologia, na contratação de programadores. O jornalismo de hoje também depende disso, não tenhamos medo das palavras. Gostaria de ter mais programadores no ECO para desenvolver todos os produtos que queremos, gostaria de ter condições financeiras para ter formas diferenciadas de chegar aos leitores. Vejam o que se faz nos grandes jornais internacionais ou em novos projetos jornalísticos online.

Há também responsabilidades enormes dos jornalistas, das direções, sim, no jornalismo que se faz. É mais difícil não alinhar no que está na moda e seguir um caminho próprio, é arriscado porque pode correr mal. É sempre mais fácil fazer o que todos estão a fazer, é mais difícil, demora mais tempo, seguir outro caminho.

Um dos convidados internacionais do Congresso foi um jornalista do Boston Globe, o Mike Rezendes, prémio Pulitzer por causa da investigação que fez sobre a pedofilia na igreja católica nos EUA. O que disse? A equipa de investigação cresceu, a redação global do Boston Globe caiu para metade nos últimos anos. Ou seja, houve uma escolha. E disse também que a investigação é rentável, traz leitores e receita.

Desculpem-me os que vivem situações difíceis, conheço ótimos profissionais que estão fora da profissão e não por opção, conheço ótimos profissionais sem emprego. Também preciso de acrescentar que esta realidade existe noutras profissões. Desculpem-me, mas estou otimista.

David Dinis, há caminhos, cada um deve seguir o seu, cada jornalista, cada meio de comunicação social, aprender com o que está a ser feito pelos concorrentes, aqui ao lado ou do outro lado do mundo.

No final do dia, o que fará a diferença? As melhores notícias, as melhores reportagens e investigação, as melhores entrevistas. E isso só os jornalistas podem garantir."

Um congresso de jornalistas

A pessoa de quem mais me lembrei hoje no congresso dos jornalistas, o quarto desde que há democracia, o primeiro em quase 19 anos, foi de Ana Beatriz Manzanilla, violinista da Orquestra Gulbenkian, aluna da Orquestra del Sistema na Venezuela e uma das fundadores da Orquestra Geração em Portugal. Estiveram o tempo todo na minha cabeça as palavras que lhe ouvi dizer a um jovem estudante de música: "Tens de fazer muita autocrítica ao teu trabalho, porque às vezes o que pensas ter ouvido não foi o que ouviste". 

Estou a ler um diário e a autora não sabe

Vagueando pelo Rio de Janeiro, avenida Rio Branco acima, a caminho da centenária e afrancesada confeitaria Colombo, para um dissonante chá-e-torradas em clima tropical, parei na livraria Travessa e encontrei os Diários de Susan Sontag (1947-1963).

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Desde que me cruzei com o seu nome, e há ter sido na faculdade ou pouco depois, que me interesso por ela. O que escreve é denso e muito difícil, mas todas as mulheres intelectuais exercem fascínio sobre mim. Tratando-se de Diários achei que seria um texto fácil. E é. Mas o primeiro balde de água fria leva-se logo no prefácio.

Não existe completa certeza que a senhora tenha entregue os diários para serem lidos e uma pessoa fica desconfortável imaginando que está a meter o bedelho onde não foi chamado. "A decisão de publicar e a seleção foram apenas minhas", desvenda o filho, David Rieff, logo nas primeiras páginas. Pelo meio explica que a mãe, doente, lhe perguntou se sabia onde estavam os "cadernos". Esta "conversa", vamos chamar-lhe assim para facilitar, faz presumir que ela queria que os tais cadernos, mais de 100, que estavam no closet da escritora, fossem tratados como tudo o resto. 

Tudo o resto são os papéis de Susan Sontag, que ela escreveu e juntou, o seu arquivo pessoal, entregue por ela, em vida (e relativamente saudável), à Universidade da Califórnia. Mas como justificar a publicação destes textos? A entrega do seu espólio foi feita sem restrições. Qualquer pessoa pode consultar. Se não fosse o filho outra pessoa o faria. Ou não. Poderia dar-se o caso de em vez de terem começado a ser publicados a partir de 2009 (cinco anos após a sua morte), ninguém os tivesse compilado e tratado, ficando assim dependentes dos humores e interesses dos investigadores. Assim sendo, e já que o filho decidiu ter este trabalho e uma vez que já tinha na mão o livro, decidi então que estava justificada a coscuvilhice.

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Dos seus arquivos

Susan Sontag começou a escrever estes cadernos na adolescência, 14 anos, e embora ainda esteja a ler, posso garantir são as entradas que faz nesta idade as que mais me surpreendem. Estamos nos anos 40 e ela fala com tal liberdade sobre a sua sexualidade. Já me surpreenderia se o fizesse em relação a homens, mas em relação a mulheres? Ela não tinha medo que a mãe lesse os diários?

E depois o que é realmente surpreendente no livro: como ela tem a cabeça tão bem mobilada tão nova. Aos 16 anos já tinha lido mais livros do que eu com 40. Aponta o que quer ler, a música clássica (muita música clássica) que ouve. Ao mesmo tempo, e ainda não li metade (tem sido demorado), tem muita graça ver as interrogações de uma jovem que imagina que pode ir embora sem mais, porque está irritada com os pais. Ou que se angustia com a possibilidade de vir a ser apenas uma professora universitária, achando que a academia não lhe pode dar nada que não faça sozinha. Igualzinha a todos os adolescentes.

Estive a fazer limpezas e comecei no Twitter

Três tarefas importantes foram levadas a cabo nestas folgas:

- Pus o wi-fi a funcionar como deve ser em vez de passar os dias a queixar-me que estava uma porcaria e a desesperar;

- Atualizei o software e limpei mais de 240 ficheiros de qualidade duvidosa. Mais de 240. 240! Uma bandalheira que isto estava;

- Deixei de seguir o Trump no Twitter. Era o maior vírus de todos.

O meu gesto é insignificante, que é, mas estou aliviada e, mesmo pequena, sinto que fiz uma coisa mesmo bem feita. Primeiro, porque o inominável pode ter todas as contas que quiser e comunicar como bem entende, mas prefiro ler o que ele diz enquadrado pelo trabalho jornalístico dos meus colegas que acompanham a atualidade internacional. Se algum me tiver de ser eu a fazê-lo logo reverto e volto a acompanhá-lo. Para já não quero fazer parte das não sei quantas mil pessoas que o seguem. Porque do outro lado o que aparece é que sou uma entre não sei quantos milhões a quem a sua mensagem chegou, concordando ou não.

Nesta época de comunicação em rede, sinto muitas vezes que nos usam como figurantes num filme sem nos pedirem autorização. Nós achamos que contamos, que temos um papel (pequeno que seja), e não. Estamos ali a encher. É como seguir as Kardashian. Mal não faz, mas fará bem?

Mas, ao que ia, Trump. A política em relação a este homem -- um patife cuja honestidade está por provar -- tem de ser a do desprezo. DESPREZO total. E, sobretudo, as pessoas como eu, que podem não o ver, ouvir ou ler, não precisam mesmo de o ver, ouvir e ler. Não é que não queira estar informada, é apenas ter a descontração de poder dizer: se for mesmo importante, vou saber. Há de passar na televisão, alguém me vai avisar. Claro que ao escrever um post sobre isto estou a contradizer-me, mas, bom, queria mesmo pô-lo em palavras.

Quanto menos atenção se prestar a pessoas como Trump, melhor, como poderiam explicar, e bem, todos os italianos que tiveram de conviver com Berlusconi. O que digo tornou-se ainda mais evidente depois do magnífico discurso de Meryl Streep na gala de entrega dos Globos de Ouro (na nossa madrugada de segunda-feira). Ah, como gostei daquele discurso.

O problema, como falámos a Catarina e eu, a caminho dos Prazeres, para dizer adeus a Mário Soares, a única coisa que saiu desse discurso foi o aplauso daqueles que já concordam com ela e a oportunidade do inominável dizer que as celebridades podem ficar onde estão, porque ele está com as PESSOAS. E escrevia-o assim mesmo: com maiúsculas. Como se ele fosse a única pessoa preocupada com as pessoas. Como se ele realmente estivesse preocupado com as pessoas (a julgar pelos brancos milionários que tem convidado para os cargos da presidência).

A Catarina, que é cidadã norte-americana e está sempre muito atenta, falava-me de um artigo do Politico muito crítico em relação a este discurso, uma nova perspetiva para o que está a acontecer. Meryl Steeep queixava-se de Hollywood ser vilipendiada, assim como os estrangeiros e a imprensa, e é verdade. Mas ele já foi eleito, passámos essa fase. Chegou a hora de o julgar pelo que faz hoje, sem peninha de nós próprios. Sem pena das celebridades, que são atacadas mas podem falar e voltam para casas aquecidas, frigoríficos cheios e wi fi enquanto milhões de pessoas sem voz estão sem trabalho e simplesmente não têm qualificações para o que se segue. Os progressistas são o sistema. É bastante sufocante o que temos pela frente, e foi também nisso que me concentrei nesta despedida de Mário Soares. Ele fez muito pela liberdade e agora é a vez da minha geração pôr mãos à obra. Talvez pareça tarde, mas de certeza que não é. Soares tinha 49 anos e tudo pela frente quando chegou a Santa Apolónia naquele 28 de abril de 1974. Ainda se pode fazer muita coisa, portanto. É dessa muita coisa que fala Obama, não é?

"Já é uma mulherzinha", versão portuguesa

Guardarei este texto de Elvira Lindo, essa despachada escritora que tantas manhãs de domingo me animou, na qualidade de mãe de filhas, a quem um dia terão de ser explicados os factos da vida.

"Cada noche de Reyes, desde el año 74, me acuerdo de aquel extraño regalo que enseguida se haría familiar. A mí me quisieron convencer de que había ingresado en la vida adulta. En esa parca explicación estaba implícita, aunque yo no lo entendiera, la idea de que ya podías traer hijos al mundo. Yo me resistí, pese a la llegada mensual de la sangre, a dejar de ser niña. Esa resistencia marcó mi carácter y sé que para bien. Espero que la amenazante frase “ya eres mujer” haya sido desterrada del catálogo de consejos maternos. Es mortificante para las niñas".

Apetece-me escrever-lhe: minha senhora, sempre que a leio aprendo.

 

 

 

Um dia vamos lá. A casa dos Eames, em Los Angeles

Um dos meus grandes planos de vida é passar um mês nos EUA em família, de mochila às costas. Nos meus sonhos a Madalena tem 19 anos, Teresa tem 17 e Quica tem quase 15 -- há de ser lá para 2027, se a saúde e o trabalho permitirem -- e faremos a route 66, mas não apenas isso. Os meus sonhos incluem visitas que celebram a deliciosa pequena História, e, por exemplo, a casa de Charles e Ray Eames, ninho criativo de dois dos maiores designers do século XX.

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Que eles são brilhantes já sabia. Bastava ver o número incrível de objetos e projetos que tocaram para perceber a espetacularidade do seu trabalho e, em caso de dúvida, é visitar a exposição sobre eles que está no MAAT, onde ainda por cima estão algumas cartas trocadas entre eles. Conheceram-se na escola de Belas Artes onde estudaram.

Foi no MAAT que descobri a casa que eles projetaram. As casas onde as pessoas vivem são fascinantes. Para mim, pelo menos. É voyeurismo e não é, já que se por um lado gosto de saber o máximo sobre o que pensam os habitantes, dispenso bem a sua presença, preferindo criar as minhas próprias narrativas. No caso dos Eames, interessou-me logo a casa por causa do sítio onde foi construída, em 1949: Pacific Palisades. Depois, o nome da própria casa: Case Study n.º 8. É toda em vidro, com alguns painéis coloridos (muito à Piet Mondrian), no meio dos eucaliptos, e com muitos vasos à volta.

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Se algum dia me dissessem "Lina, vais gostar de uma casa com vasos à volta" ria-me. Mas essa é a beleza da coisa. Tudo é possível, desde que bem usado. (Parece que as flores estão em vasos porque à volta só há eucaliptos, que são árvores com um feitio próprio e difícil). E também dá gosto ver que em casa dos Eames também era apreciada a mantinha em cima do sofá.

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A coisa linda, mais linda não há, é que a casa está aberta ao público. Pode andar-se pelo exterior (10 dólares a partir dos 12 anos) e andar lá dentro a ver as prateleiras de livros e os seus objetos, que já é uma experiência que se faz pagar. Segundo o site, 275 dólares (1-2 pessoas) e, coisa curiosa, gente com menos de 12 anos está interdita. Quem quiser pode até fazer um piquenique a la Eames nos jardins, e ver partes da casa.

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Crescer

"Passa a voar" e "Crescidos ainda dão mais preocupações" são as duas frases que os pais mais ouvem. Quando muita gente diz o mesmo a prudência aconselha que se dê ouvidos. E, aqui chegados, já posso dizer que sim, "passou a voar". Onde estão as minhas bebés que ainda ontem nasceram? Não tenho maneira mais poética de dizer isto, é mesmo isso: passou a voar.

Se crescidos os filhos nos dão mais preocupações, não sei. Ainda não sei. Não sei completamente. Sei uma coisa. Dantes as crianças davam muito trabalho. Ora era hora de comer (e atrasar-me era motivo para me estragar o dia), ora era hora de mudar a fralda, ora não andavam, ora não falavam, ora bastava uma corrente de ar para se constiparem. Nesse aspeto, como antecipei sempre, crescer é bom. A nossa vida melhorou imenso nessas coisas práticas. Não é que salte refeições, calma, ou que não trate das crianças, é que elas conseguem fazer mais coisas sozinhas, e, na verdade, é bom que façam mais coisas sozinhas. Mas dão preocupações... preocupações abstratas.

Tudo começa quando começam a aprender coisas fora de casa. Na escola, quase sempre. Esse foi o primeiro choque, mas, desde então, tem sido sempre a somar. E é mais do que isso. Descobrem sentimentos. Sentem tristeza, saudade, euforia, medo, amor e sentem necessidade de mentir ou esconder coisas, por razões que não conseguem partilhar com os pais. Por mais abertos e transparentes que os pais tentem ser (e eu tento retirar os preconceitos das minhas conversas), há zonas que são só dos nossos filhos e em que nós temos de ficar fora. É nomal, eu sei. Fico feliz quando tomam decisões sozinhas, quando têm opiniões ou quando dão ideias melhores do que aquelas que tenho, mas... bom... custa-me. Custa-me mesmo que isso conleve alguma espécie de sofrimento que não posso impedir. 

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Daqui

#2016. Foi assim

Nasceu o ECO e foi a coisa mais importante do ano, de longe. A Madalena fez a 1.ª Comunhão em maio e a Teresa chegou ao 1.º ano em setembro. O que lhe custa é inversamente proporcional ao bem que lhe sai. Este 2016, andei raladíssima com os temas relacionados com género, sempre a odiar os papéis tradicionais que atribuem às raparigas. E, preocupada, claro, com o perpetuar desse preconceito que se pulveriza e espalha como pó de alfarroba por todos nós. A Quica começou a comer, começou a fazer frases longas e complexas, começou a tratar as irmãs de igual para igual. Nas férias tomou de assalto a piscina pequena e foi possível estar na espreguiçadeira a ver estas crianças brincar. Em 2016, Marcelo cumpriu o sonho dos pais e tornou-se presidente, a seleção de futebol deu-me uma alegria impossível, o inominável chegou à presidência dos EUA, o DN mudou de casa. Viciei-me no Netflix, o pai viciou-se no Netflix e as miúdas viciaram-se no Netflix. Li a Ferrante e a Madalena conheceu as gémeas do Colégio das Quatro Torres de Santa Clara. Desbundámos muitos concertos: Adele, Bryan Adams, Bruce Springsteen, Brian Wilson, Charles Aznavour... E viajei muito mais do que poderia imaginar quando o ano começou: BerlimMadrid (duas vezes), Paris, São Paulo, Rio de Janeiro e Veneza. Este ano, pela primeira vez, até conseguimos sair da Praia Verde e ir a El Rocío. Olé!

Até 2017.

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